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    Perdoar a si mesmo é ridículo.





    Vivemos numa época em que conselheiros se multiplicam. Muitos conselheiros – acho que a maioria bem intencionada, - pelo menos quero crer - apesar de não estarem sendo dirigidos pela Bíblia – dizem:  “Deus perdoou você. Agora você precisa se perdoar”.


    Quanto mais nossa geração terapêutica ouve esse conselho, mas lhe parece perfeito. A pessoa diz a si mesma. “Todos nós cometemos erros. Afinal, errar é humano. Eu preciso aceitar o fato de que não há nada que eu possa fazer para consertar o passado. Esse sentimento de negatividade, fracasso, vergonha, culpa... eles fizeram do meu coração sua casa. Preciso expulsá-los, recuperar meu coração... O que importa se os outros me perdoarem, ou se até o próprio Deus me perdoou, se eu ainda continuar retendo o perdão a mim mesmo? Até que eu conceda o auto-perdão, o acusador irá rondar meu mundo, cuspindo suas palavras de acusação...”


    Isso se tornou tão comum, que aposto que em algum momento de tua vida, você recebeu – ou deu – esse conselho: Perdoe a si mesmo. Então quer dizer que você arruinou teu casamento e agora se vê divorciado e solitário... é hora de perdoar-se pelos teus erros e seguir em frente. Você realmente erra como pai e culpa todos os erros que teu filho comete nos erros que você cometeu como pai ou mãe; largue essa culpa, saio do passado e perdoe a si mesmo. Você arruinou tua carreira, envergonhou tua família... é hora de quebrar as correntes da culpa, erguer a cabeça e dizer: “Eu me perdoo” – Você merece liberdade. Todo mundo faz coisas assim. Se perdoar é a única maneira de se livrar do perseguidor e acusador de uma vez por todas...



    É fácil acreditar em tal conselho. Não caia nessa. Perdoar a si mesmo, não é apenas impossível; é tolice, perigoso e fútil.  É a tentativa vã de uma alma atormentada pela culpa procurar alívio no último lugar que deveria estar olhando: em si mesmo.


    Dizer a um amigo, “perdoe a si mesmo”, é o equivalente a dizer a uma pessoa morrendo: “Cure-se”. A absolvição, como a medicina... tratamento, remédio... vem de fora de você, na do doente.


    Nosso problema não é que sabemos que Deus nos perdoou, mas não nos perdoamos. Não, nosso problema é que não acreditamos que Deus nos perdoou nos termos bíblicos. Como Ele revelou ser seu perdão em Sua Palavra. Esse é o problema. Ele é o ofendido final, Ele dá o perdão final em Cristo. Você não peca contra você mesmo. Isso é ridículo.

    Esse é o problema. Nós nos iludimos em supor que Deus forneceu 80%  do perdão, e agora é nossa responsabilidade chegar aos outros 20% do perdão ( Já que achamos que parte foi uma ofensa a nós mesmos – nossa dignidade... ) – Nos iludimos pensando, o Senhor fez a sua parte: “Eu te perdoo”, e agora precisamos fazer a nossa parte, “eu me perdoo”. Esse pensamento que se tornou comum, é muito pior que auto-ilusório; é autodestrutivo. No final acabamos nos transformando no “rabo humano” querendo abanar o “cão divino”.


    Quando Deus perdoa, Ele perdoa completamente. Davi não tem que se perdoar pelo pecado dele. Ele não era a parte ofendida pelo seu pecado. Não foi a glória dele que foi desprezada. Não foi a dignidade dele que foi desprezada, mas a de Deus. E quando Deus perdoa, ele perdoa completamente. Não há deficiência em seu perdão em Cristo, nem 20%, nem 10%, nem 0,000000000000000000001% de absolvição que precisamos  pode vir de nós para encerra este negócio.


    Todos os atos sombrios que trazem ruína e desastre aos casamentos e famílias e carreiras; todas as mentiras e enganos; toda a vergonha e mágoa e arrependimento que nos acontecem depois - tudo isso Deus perdoou de uma só vez, porque ele transferiu todo esse mal para um homem perfeitamente justo que voluntariamente deu sua vida em nosso lugar. Mesmo que os outros se recusem a nos perdoar, descansamos, porém, pacificamente na única absolvição que importa: a que o próprio Jesus dá da sua sangrenta cruz de amor maravilhoso.


    Quando o acusador aparecer, empurre em direção a ele uma cruz coberta de sangue. Ela vai desaparecer na escuridão de onde ele veio. Ela não pode nos causar mais danos, pois sua única arma - nossos pecados - foi arrancada de suas mãos por uma mão com cicatrizes eternas: “Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós.” - Romanos 8:33,34


    Os lábios sombrios que nos acusam foram costurados por aquele que, como uma ovelha que está em silêncio diante de seus tosquiadores, foi conduzido como um Cordeiro mudo para o massacre salvador. Os capítulos de nosso passado sombrio foram expurgados do registro biográfico. Eles foram substituídos por uma única página do Livro da Vida, na qual nossos nomes estão escritos na tinta do sangue divino e indelével do Cordeiro de Deus. A declaração é: Justificado! E nada do que você fez cooperou para esta realidade. Cristo fez tudo sozinho. E nele, o Pai nos perdoou. O humanismo secular – centrado no homem – sempre traz conceitos mortais para o cristianismo.