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    Há dois tipos de tentação? (SSA) A alquimia tóxica de nossa imoralidade.




    Artigo do site - https://www.oapedeuta.com/

    O Vale da Visão, uma coleção de orações puritanas editadas por Arthur Bennett, ( Como outras coleções de orações puritanas ) treinou cristãos por várias gerações na confissão diária do pecado.

    “Minha consciência está sem convicção ou contrição,
    Com nada claro para se arrepender.
    Minha vontade está sem poder de decisão ou resolução.
    Meu coração está sem afeição e cheio de vazamentos.
    Minha memória não tem retenção necessária da realidade.
    Então eu esqueço tão facilmente as lições aprendidas,
    E as tuas verdades escoam.
    Dá-me um coração contrito que sempre leva para casa a água da graça que traz verdadeiro arrependimento.”

    Nada é mais pungente na obra, do que quando considera o problema do pecado interior no cristão. Os puritanos, como nenhuma outra geração, entenderam como foram atingidos pela iniquidade interior no coração.

    O que podemos chamar de cosmovisão puritana, ou espiritualidade puritana, preponderantemente mostra a crença na pecaminosidade abrangente da humanidade que cada vez é mais rara em nossa geração, numa época em que se tenta estar antenado  e ser relevante para uma cultura totalmente corrompida e que inventa mil maneiras de justificar o pecado no coração. E mais do que isso, normatizá-lo.  Essa pecaminosidade abrangente é chamada de “depravação total. Muitos concordam em teoria com as palavras de Martinho Lutero na primeira de suas famosas 95 teses: “Quando nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo, disse "Arrependam-se", ele diz que toda a vida dos crentes seja arrependimento." Mas na prática, muitas coisas são normatizadas, e grandes depravações do coração humano, dizem, não precisam de arrependimento. Você pode dizer: “Eu sou assim, mas não pratico...”

    Nos últimos tempos, no meio protestante, desenvolveu-se uma conversa concatenada com a cultura atual centrada na natureza da atração sexual, e, em particular, na atração sexual pelo mesmo sexo ( SSA ).

    A questão que se põe no centro é a seguinte: Quando experimentamos atração sexual pelo mesmo sexo ( SSA ) precisamos de arrependimento se nos abstemos da prática?

    Alguns argumentaram que, embora esse impulso não seja ideal, também não é pecaminoso. Faz parte da nossa condição pós-queda desordenada. Precisamos apenas nos arrepender quando nossa vontade se apegar ativamente ao objeto do desejo ou atração. Nossos desejos e atrações são neutros e não morais? Essa é a questão.

    O que é orientação homossexual?

    Antes de irmos para a Palavra de Deus, que é a palavra final, vamos tentar estabelecer uma definição funcional de orientação sexual.
    A American Psychological Association (APA), por exemplo, faz a seguinte concepção:

    “Orientação sexual se refere a um padrão DURADOURO (contínuo) de atrações emocionais, românticas e / ou sexuais DE homens e mulheres... A orientação sexual também se refere ao senso de IDENTIDADE de uma pessoa com base NESSAS ATRAÇÕES... levando a participação em uma comunidade de pessoas semelhantes que compartilham essas mesmas atrações.”

    Há muito a considerar nesta definição. Para nossos propósitos, nos concentramos em um aspecto específico: o “PADRÃO DURADOURO” ( Contínuo)  de atração sexual expresso no termo “orientação sexual”. Para simplificar:

    A orientação é essencialmente um padrão estabelecido de desejo. Você deseja algo repetidamente e a APA considera que você está “orientado” para esse fim. Esta é uma definição viável para nossos propósitos.

    A discussão da SSA não deve girar em torno de se escolhemos, inicialmente, esse padrão de atração. Muitas pessoas que sentem SSA testemunham ter tal desejo pelo tempo que podem se lembrar. Para um bom número de pessoas, esse desejo era indesejado (Sobre qualquer tipo de depravação sexual - Pedofilia, bestialidade... - pode-se dizer o mesmo). Aqueles que foram criados em igrejas bíblicas dão testemunho de detestar sua atração inata mas que elas ainda estão lá de forma contínua. Ou seja, apesar disso, eles continuaram a experimentar a SSA, não importando o quanto eles tentassem eliminá-la de sua experiência. Ouvimos essas histórias, que serão cada vez mais comuns na igreja a medida que o movimento LGBT.... se tornou “onipresente”.

    O que antes parecia nublado agora parece claro para muitos: a questão da escolha do pecado não está, em última instância, em nossas deliberações morais. Muitos que buscam seguir a Cristo sentem SSA sem nenhum ato predeterminado da vontade. É uma parte NATURAL de sua experiência. A questão crucial diante da igreja hoje não é primariamente a origem fisio-psicológica precisa da SSA, mas sim a resposta da igreja a ela.
    Esta é uma questão teológica, com certeza. Mas também tem profundas implicações pastorais. Quando as pessoas compartilham essa luta com seu pastor, o que o pastor deve dizer? Aqui estão algumas respostas que ouvimos nos últimos dias:

       "Isso é bom; é uma parte natural de quem você é.
    • "Sua SSA está desordenada, mas, como é inata, você não precisa se arrepender dela."
    • “Agir sobre o desejo homossexual é errado, mas não é errado sentir esse desejo”.
    • “Essa é apenas sua orientação. Orientação não é pecaminosa.”

    Mas quando um membro da igreja se dirige a um pastor para aconselhar-se nessa frente, o pastor deve dizer: “Esta é uma batalha pela santidade. Seus desejos, assim como os meus, são pecaminosos e precisam ser redimidos, eles não são moralmente neutros. Confesse-os a Deus e arrependa-se deles. Esta é uma luta séria, mas o evangelho é suficiente para essas coisas”.
    O desejo homossexual exige arrependimento. Tiago 1:14, sustentado por Mateus 5: 21-30, fornece a clareza que a igreja precisa sobre este assunto.

    Tiago 1:13-15 levanta o capuz dos nossos corações. Nele, observamos o terrível - mas impressionante - processo pelo qual o pecado se forma no coração humano:

    Que ninguém diga quando ele é tentado: "Estou sendo tentado por Deus", pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e ele mesmo não tenta ninguém. Mas cada pessoa é tentada quando é atraída e seduzida por seu próprio desejo. Então o desejo, quando concebido, dá origem ao pecado, e o pecado, quando plenamente desenvolvido, traz a morte.

    A frase chave para os nossos propósitos é que o pecador é exelkomenos e deleazomenos - "atraído e seduzido", respectivamente, por "suas próprias luxúrias – desejo dominante – atração dominante" - Concupiscência - Essa é uma imagem sombria de como o desejo se manifesta no pecado, o que resulta na morte.  Antes que o instinto caído seja plenamente manifestado, antes que ele chegue à plenitude, uma alquimia tóxica ocorre na vontade humana. Este não é simplesmente um processo "desordenado", no entanto. É um pecado.

    A linguagem que Tiago usa para descrever o funcionamento do desejo não é neutra. Ele descreve cada passo do processo de formação do pecado em termos morais. O pecado emerge primeiro quando o pecador é “vítima” de "suas próprias luxúrias", não as de outra pessoa. Isso é diretamente contrário ao modo como frequentemente diagnosticamos nossos atos malignos. "Não quero machucá-lo", dizemos a alguém que acabamos de ferir com nossas palavras. "Não era minha intenção fazê-lo." Com isso, queremos dizer que não tínhamos um plano premeditado de 10 pontos pelo qual inventamos uma maneira de prejudicar nossos amigos e entes queridos. Nesse sentido muito restrito, não "significa" que eu queria fazer isso.

    Mas em outro sentido, Tiago nos ensina que nossa ação pecaminosa foi de fato um ato da vontade. Nós “nos permitimos” – fomos tentados “atraídos e seduzidos” por nosso próprio desejo carnal. Essa é uma metáfora assustadora. Não somos inofensivos quando nos permitimos ser tentados – porque a origem disso, somos nós mesmos. Em vez disso, somos “arrastados” em um “sentido violento” – pela nossa concupiscência. O foco em Tiago 1:14 é resolutamente, até mesmo teimosamente focado, em nossas próprias ações. Nós não somos arrastados pela vontade de outra pessoa. Nós somos o AGENTE aqui. "Nós MESMOS nos MOTIVAMOS com o objeto que desejamos". Quer estejamos ou não conscientes desse processo (que ocorre com muita rapidez), agimos como nossos próprios tentadores e aliciadores.

    Nossa vontade pecaminosa, caída por causa do ato injusto de Adão,  da Queda, nos aprisiona. Podemos dizer que o último termo mencionado acima, deleazomenos, remete ao apelo sedutor da prostituta, um apelo apresentado (e criticado) em Provérbios 7: 6-23,14. Isso é instrutivo: quando pecamos, o texto diz que nós efetivamente desempenhamos o papel da prostituta para nós mesmos. Nós caímos em injustiça, não através de qualquer operação externa, mas quando nossa vontade “sancionou o desempenho do ato pecaminoso”. É como se nossos instintos caídos clamassem a abandonar a visão do que é bom dada por Deus. Com um retrato textual tão vívido, o argumento parece óbvio: atuamos regularmente como nosso pior inimigo.

    Tiago 1:14 mostra que Deus não nos tenta. Embora os autores bíblicos estejam bem cientes da influência de Satanás, Tiago não sugere aqui - como em 4:7 - que Satanás é o problema. O quadro desta passagem em particular é muito mais perturbador: o pecado vem de dentro e somente de dentro. Nós colocamos a isca no anzol; então, com nosso apetite sensual, mordemos a isca. A metáfora fala de uma fome inata do mal dentro e que, é óbvio, não é moralmente neutra. Nós procuramos por isso. Estamos ansiosos para nos tentar com isso.

    Essa descrição da formação do pecado é tanto uma boa notícia quanto uma má notícia para o cristão. Positivamente, restaura a responsabilidade e a capacidade moral para nós. Negativamente, torna inadmissível o impulso central do coração pecaminoso, a saber, seu feroz apetite por auto-justificação. Como mencionado acima, culpamos outras pessoas; nós culpamos o tempo; nós, como nosso pai Adão, culpamos nossa natureza, culpamos o próprio Deus por nossas falhas (ver Gn 3:12). Tiago nos diz de forma diferente. Quando pecamos, é porque queremos fazer isso. Podemos dizer que nosso “desejo ilícito” nos empurra e incita a fazer o que está errado. Esses não são desejos ilícitos de outra pessoa. Eles são, como vimos acima, - “os nossos”.

    Nossos desejos atrações... portanto, não são neutros. Em Tiago 1: 13-15, eles são descritos como pecaminosos. DE maneira concisa: Desejos lascivos, como nosso Senhor ensinou tão claramente (Mt v. 28), são eles mesmos pecaminosos, mesmo quando ainda não emitiram ações luxuriosas. Ou seja, pecadores pecam de acordo com o núcleo pecaminoso em suas mentes, vontades, desejos, ações e atitudes moldadas por tal pecado.

    João Calvino concorda, Tiago “trata aqui de tentações interiores, que nada mais são do que os desejos desordenados internos que induzem ao pecado. Por essa razão, Tiago nos chama para confessar nossa própria culpa nesses desejos e não para implicar a Deus” No manuseio de Calvino, não podemos apenas identificar atos e ações como pecaminosos; devemos ampliar nossas categorias:

    É totalmente impróprio e não de acordo com o uso da Escritura, restringir a palavra pecado a obras externas, como se realmente a luxúria não fosse um pecado, e como se atrações e desejos corruptos, permanecendo fechados dentro e suprimidos, não fossem pecados.

    O pecado não pode ser apenas o "trabalho externo" para Calvino. Opondo-se ao que ele chamou de visão “papista”, o pastor genebrino argumentou: “Desejos corruptos”, embora “fechados dentro e suprimidos”, são, não obstante, “pecado real”. Eles pedem por confissão e arrependimento. Aquilo que produz atos externos tem raízes internas. Somos lembrados de Lucas 6:45, onde Cristo diz exatamente isso: “O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração".

    No entendimento de Tiago, nossos desejos luxuriosos "concebem” pecado e depois "dão a luz" ( (1:15). Este texto mostra que a criança metafórica a nascer ( o pecado ) é a mesma no ventre e fora dele. Separar o pecado concebido do pecado nascido, é como os abortistas falam de que no ventre a criança não é criança, o ser humano não é ser humano.
    Desejos lascivos concebem o pecado e depois ele nasce. Se ele nunca nascer – em atos – eles já são pecados que exigem arrependimento... como a criança que jamais sai do ventre, já era uma criança. O processo do início ao fim é IMORAL. A ATRAÇÃO, DESEJO, LUXÚRIA não é neutra no útero, por assim dizer, apenas para tornar-se exteriormente maligna, uma vez exercida de forma concreta. Instintos pecaminosos surgem em nós, experimentamos o desejo por um objeto que é ímpio ( Proibido por Deus), e então produzimos ações pecaminosas completamente formadas.

    É totalmente correto preservar a distinção entre “desejos corruptos” e “obras exteriores”, como Calvino tem o cuidado de fazer. Nós não expressamos tantas vezes o pecado interno em manifestações externas, é óbvio, ou então todos nós seríamos culpados de assassinato em um tribunal de justiça, por exemplo. Mas essa distinção não nos permite concluir que o que ocorre internamente em nós é moralmente neutro ou simplesmente desordenado por causa de nossa natureza caída, e portanto, neutro moralmente. Estamos desordenados com a queda, mas a verdade é ainda mais sombria: como os reformadores reconheceram, somos pecadores em nosso cerne. Os instintos pecaminosos nos levam a atrações, desejos e  “nos tentamos”. ( Esse tipo de tentação, como é óbvio – Jesus nunca experimentou – já que ele não era um homem caído a semelhança de Adão e nossa – todas as suas tentações eram externas – ele nunca era tentado pelo mal dentro dele – pois isso jamais existiu – e seria uma blasfêmia afirmar o oposto – mas sobre isso trataremos mais na frente ).

    Porque nós pecaminosamente desejamos ir junto com esta tentação, nós criamos atos pecaminosos completos. Ou seja, a responsabilidade pela tentação e pelo pecado está diretamente conosco, pois nossos desejos pecaminosos cedem à tentação que nossas própria concupiscência gera.  Esse lembrete sóbrio nos mostra de novo o quanto de arrependimento é necessário na vida. De fé. Esta não é uma cruz fácil de suportar. Este retrato bíblico de nossa cumplicidade no pecado surpreenderá alguns evangélicos modernos que aprenderam uma versão mais gentil e mais suave do pecado.

    A igreja enfrenta um alerta nesta pequena passagem explosiva. Não devemos abraçar a espiritualidade evangélica sem a santidade ancorada em um Deus sem autoridade, levando a uma conversão sem transformação interna profunda.

    Mas e as tentações que Jesus enfrentou?

    E quanto a tentação? Se a interpretação precedente é biblicamente fiel, segue-se que ser tentado significa que somos necessariamente pecaminosos? Se sim, então como evitamos concluir que Jesus, que foi tentado, foi pecador? Amigos de pensamento aguçado expressaram esse conjunto de preocupações. Essas questões exigem uma resposta cuidadosa.
    A forma de auto-tentação descrita em Tiago 1:14 é uma forma de tentação manifestamente diferente da que Jesus experimentou quando esteve na presença de Satanás. Tiago está mapeando para nós como é a tentação interna; esta é uma tentação que é em si pecaminosa, porque nos atraímos ao pecado. Jesus nunca fez isso para si mesmo. Ele certamente enfrentou a tentação de pecar, mas ele não experimentou o desejo pecaminoso. Essa realidade não tira a seriedade das perspectivas de pecar que ele enfrentou. Em Mateus 4: 1–11, por exemplo, Jesus foi tentado externamente por seu inimigo. Ele foi confrontado externamente por todos os tipos de perspectivas e oportunidades: a chance de cobiçar, a chance de se tornar um rei impressionante em termos mundanos, a possibilidade de concluir que sua causa era sem esperança. Nesses aspectos, Jesus foi tentado “em todas as coisas” como somos (Hb 4:15).

    É claro que, como pecadores caídos, enfrentamos vários tipos de tentação. Mesmo como pessoas redimidas, enfrentamos a tentação do próprio Satanás (Tiago 4: 7). Somos tentados por uma ordem mundial pecaminosa sob a maldição das trevas (Provérbios 6). Nós também somos tentados, como Tiago deixa claro, por nossa própria natureza pecaminosa. Desejamos ser libertos desse corpo de presenças predatórias em nossas vidas. Nós alegremente oramos as palavras de Cristo em Mateus 6:13, “e não nos deixeis cair em tentação, mas livra-nos do mal”. Esta não é uma oração que fala apenas de uma experiência de tentação. Fala do desejo dado por Deus de escapar da armadilha de Satanás, do mundo e da carne. Precisamos de ajuda divina para isso.

    A tentação, portanto, não é exclusivamente externa a nós nem exclusivamente interna. Certamente nos deparamos com a atração do pecado por fatores externos a nós - Satanás, a prostituta, até mesmo nossos amigos e familiares (Jó 2: 9). Tais seduções são uma parte comum da experiência cristã. De maneira alguma pecamos sendo tentados dessa maneira. Não há arrependimento necessário quando a prostituta nos chama ou Satanás sussurra para nós. Não há culpa que deva nos ultrapassar em tais cenários, que ocorrerão regularmente. Não precisamos nos arrepender quando a tentação tenta nos emboscar, como acontece regularmente.

    Mas esta não é a única maneira de enfrentarmos a tentação. Como mostramos anteriormente, nós também nos tentamos. Como pecadores, “atraímos e seduzimos” a nós mesmos para a fome do que é proibido. Não podemos dizer categoricamente, portanto, que a tentação é moralmente neutra. Às vezes é como quando Satanás balança algo desejável, mas errado diante de nós. Mas mesmo aí, só quando nossa concupiscência interior se liga ao que Satanás faz, e pecado é concebido POR NÓS...  como vimos – quer ele nasça ou não – o PECADO foi concebido. Não podemos apontar para ninguém pela tentação dando a luz ao pecado dentro de nós. Como Tiago 1:14. Deus não nos tentou, podemos ter certeza; Satanás não está em lugar algum em que possa ser responsabilizado – já tentaram isso no Eden -  a ordem do mundo caída não nos arrasta violentamente – NOSSA concupiscência faz. NÓS NOS TENTAMOS, e mesmo que nossas ações não se manifestem em manifestações completas de nossos instintos pecaminosos, devemos nos arrepender dessa auto-tentação. Às vezes, quando a tentação externa emerge, inicialmente não cedemos a ela, mas depois encontramos nossa vontade enfraquecendo. Somos criaturas complexas e pecamos muito mais facilmente do QUEREMOS ADMITIR.
    Jesus experimentou toda a gama de tentações oferecidas por um mundo caído. Ele “não conheceu pecado”, seja por instinto, atrações, desejos internos ou ato (2 Coríntios 5:21). A Escritura não registra nenhuma instância dele cometendo um ato pecaminoso, duvidando de Deus, ou pecando em pensamento ou impulso. Essa verdade não cega a beleza do domínio da tentação de Cristo. Não deve desencorajar-nos nem distanciá-lo de nós. Pelo contrário, inspira adoração e gratidão em nós – pois Ele é a base do poder que habita em nós eficazmente agora.

    A obediência de Jesus ao seu Pai nos obriga a adorá-lo e orar para ser como ele (João 15: 9-10). Isso nos mostra que, embora as forças caídas possam “serem sentidas” mais fortes do que nossa nova natureza, nunca precisamos ceder à tentação de qualquer tipo. Jesus venceu a tentação. Por causa disso, nós também podemos.

    Como Tiago 1 a Mateus 5 se ligam.

    Existem muitas conexões textuais a serem feitas neste ponto - Paulina, Petrina e muitas outras. Mas para não tornarmos o artigo mais longo do que já está, listaremos apenas uma conexão. Tiago 1:14 corresponde elegantemente às palavras de Cristo em Mateus 5: 21-30. Em seu Sermão da Montanha, Jesus explica que não é apenas errado cometer assassinato, mas estar imoralmente irado com um irmão. Assim também com luxúria. Não é apenas errado cometer adultério, mas desejar ou ser atraído pelo ato sexual em sua mente. ( Estamos sento tentados por nós mesmos – nossa concupiscência ).

    “Ouvistes que foi dito: 'Não cometerás adultério'”, Jesus diz: “Mas eu digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher com luxúria já cometeu adultério com ela no seu coração” ( Mt 5: 27-28).

    Esse desejo busca algo fora dos limites não importando o grau em que ele se manifeste.  A pessoa casada que não é nossa esposa ou esposo está completamente fechada para nós como um objeto de desejo, atração... , ao contrário de nosso próprio cônjuge. Podemos ser atraídos para nos casarmos com uma pessoa do sexo oposto, mas isso não garante nossa ânsia por tais pessoas. A paixão sexual só é apropriada no contexto do casamento.

    Existe, portanto, uma diferença fundamental entre a atração pelo sexo oposto e a atração pelo mesmo sexo. Um tem uma saída adequada; o outro não. Um é aceitável se consagrado a Deus e não permitido manifestar-se na luxúria; O OUTRO NUNCA é aceitável. Assim chegamos a uma conclusão importante: se o OBJETO do desejo está errado, então o DESEJO está errado. Não é apenas errado envolver-se fisicamente em atos homossexuais, mas desejá-los. A conduta homossexual é univocamente considerada imoral nas Escrituras (ver Gênesis 19; Lv 18:22; Dt 23: 17-18; Rm 1: 26-27; 1 Coríntios 6: 9; 1Tm 1:10). Não há desvios deste retrato claro. Se é errado cometer fisicamente um ato homossexual, só pode ser errado desejar esse ato. Não existe saída de Deus, saída teológica para um desejo que não honre e glorifique a Deus. ( principalmente dizer que essa é uma característica inato do que eu sou e que me define de tão arraigada e profunda ).

    Pode ser que tais desejos sejam poucos e fugazes ou que constituam um padrão regular. A frequência ou intensidade do desejo pelo mesmo sexo não é o problema. É a experiência do desejo do mesmo sexo, assim como a experiência da luxúria heterossexual ou raiva injusta no coração, que exige confissão e arrependimento no coração dos crentes. O termo “orientação” não pode assim absolver uma pessoa de seus deveres morais perante o Senhor. Se se refere a um padrão de atração sexual ilícita, então exige um padrão consequente de confissão e arrependimento de Deus e desejo de transformação profunda – razão pela qual o Espírito Santo Todo-Poderoso habita em nós – para sermos transformados – “E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito.” - 2 Coríntios 3:18.

    O funcionamento complexo de nossas vontades.

    Isso nos ajuda a entender o funcionamento complexo de nossas vontades. Às vezes, estamos conscientes de escolher voluntariamente pecar. Em outras ocasiões, o pecado parece nos atingir como um zangão do céu. Nós dizemos algo tão cortante que ficamos chocados em silêncio por nossas próprias palavras. Nós pensamos em algo tão ruim que estamos aliviados que ninguém (humano) conhece nossas mentes. Uma circunstância assustadora ou um julgamento se apresenta e somos instantaneamente inundados de dúvidas, ansiedade e miséria. Estas não são experiências incomuns para crentes, mesmo crentes maduros.

    A igreja moderna parece tentada (sem trocadilhos) a ser voluntarista em sua compreensão da vontade. Nós enfatizamos demais os pecados de comissão e subestimamos o que poderíamos chamar de pecados de instinto. Precisamos de uma dose saudável de agostinianismo para corrigir essa mudança. Nós certamente pecamos de maneira discreta e planejada. Mas os cristãos bíblicos não podem parar por aí. Precisamos reconhecer que somos pecadores por completo ( - Leia Romanos 3: 10-18).

    Nós não podemos ser voluntaristas. Não temos o luxo teológico de concluir que pecamos apenas quando conscientemente concordamos com o pecado. Calvino falou contra esse ponto de vista diretamente em seu comentário sobre Tiago: “Assim é o ponto de vista dos que estão confusos sobre a Verdade, que concluem, que o pecado não é mortal até que irrompe, como se diz, em um ato externo.” Para Calvino, Deus nos considera responsáveis ​​pelo “curso completo do pecado”, todo o processo, e não apenas a manifestação externa do desejo interior. O Senhor nos ensina em Tiago: “Há em nós a raiz de nossa destruição”. A raiz, não menos que o produto acabado, deve ao mal em nós e não fora de nós, e deve ser tratada nesses termos. Mal moral e não algo neutro.

    Isso significa que não podemos afirmar a doutrina bíblica da depravação, mas depois não nos arrependemos de maneira holística. Não podemos ler o Vale da Visão com reverência, mas depois nos afastamos da confissão e do arrependimento apenas momentos depois. Não podemos cantar com paixão canções de adoração que expressam nossas faltas morais, mas depois combatemos a contrição quando confrontadas com a realidade dos desejos dentro de nós. Nós não podemos acenar com a cabeça para sermões e mensagens de conferência que soletram o quão profundamente nós caímos da glória de Deus, mas, em seguida, evitar arrependimento por uma palavra indelicada porque ela veio espontaneamente antes de pensarmos e “concordarmos” efetivamente com ela. Esses padrões são altos. Estamos lidando com a vida vivida ante a  Deus, afinal.
    Não podemos exaltar o arrependimento no púlpito, mas recuar de dentro da nossa sala e inventarmos uma “teologia” que nos livre do arrependimento dizendo que o mal em nós não é mal, mas algo moralmente neutro. Se, em todos os dias de nossas vidas, não adorarmos a Deus como devemos, não nos arrependemos como devemos, não oramos como devemos, não lemos nossas Bíblias como devemos, não amamos nossas Vizinho como devemos, não nos importamos com o corpo de Cristo como devemos, não olhamos para os irmãos e irmãs com pureza absoluta como devemos, então devemos nos arrepender de uma forma abrangente. Isso é verdade em todos os dias em que vivemos. Não encontraremos paz – nem perdão – de outra forma.

    Este é o caminho da “depravação total” ou alguma formulação concomitante para o crente ainda. O pecado não é nosso mestre mais – graças a Deus - mas é nosso companheiro. Quando somos puxados para ele através de atrações, desejos... caídos, (Concupiscência) devemos nos arrepender. Toda a vida cristã, nos lembra Lutero, é arrependimento. O arrependimento não é a exceção, então. É a regra. Não buscamos transformação se chamamos pecado de outra coisa. Podemos ter “paz”, mas será uma falsa paz. E sempre haverá aqueles prontos a dizer: “paz, paz.. quando não há paz”.

    Engajados no “cristianismo Gay”

    Algumas pessoas que se engajaram na conversa sobre o “cristianismo gay” argumentam que essa realidade, se é verdade, gera desânimo. Certamente pode gerar. A Verdade muitas vezes faz isso com os pecadores.  Mas essas passagens nos forçam a confrontar de uma maneira nova e mortal o espectro de nossa imoralidade. Somos piores do que imaginamos ou sabemos. Somos mais pecadores do que gostamos de admitir na sociedade “educada” – “sensível” e “politicamente correta” que vivemos.

    O bicho-papão em nossos dias, como em todas as eras, não é um pecado em particular. Não é SSA. O SSA é apenas um aspecto do problema muito maior: o pecado interior. Pessoas com SSA não são um grupo especial – precisando de um tratamento especial, uma “teologia” especial...  Só pensamos assim, porque a causa LGBT se tornou “divinizada” em nossa cultura. Eles não são particularmente maus – ou mais maus que todos os pecadores. Eles são como qualquer outro  que enfrenta a tentação de vários tipos. Eles não precisam de uma dispensação especial para lidar com sua luxúria; eles não precisam de um evangelho diferente. Todo crente deve levar uma vida de arrependimento contínuo de atos, atrações, desejos... Todo crente encontrará poder inacreditável, pois foram regenerados e são uma nova criatura ( nova criação) e novo perdão no evangelho da graça. Existe um inimigo de todos nós: o pecado. Há um conquistador desse pecado: Cristo.

    Qualquer que seja nossa batalha carnal, a morte de Cristo quebrou o poder do pecado (Rm 6: 6). Temos uma nova natureza e somos uma nova criação em Cristo (Rm 6: 6; 8:12; 2 Cor 5:17). Devemos combater a carne, mortificá-la, mas também conheceremos uma vitória significativa, enquanto abraçamos o poder cruciforme da salvação. Devemos lidar drasticamente com o pecado. Não devemos cuidar dele, flertar com ele, gostar de mordiscar um pouco nas bordas. Justificar atrações e desejos pecaminosos em nós. Não podemos explicá-lo, desculpá-lo ou minimizá-lo: em vez disso, devemos odiá-lo, esmagá-lo, desenterrá-lo, em verdadeiro arrependimento e dependência do poder infinito do Espírito Santo que habita em todos os que foram Regenerados.  Isso fala com o trabalho da igreja. Ela deve levar seu povo a ver que eles não podem brincar com o desejo, atrações ou ato pecaminoso, mas devem levar tudo à morte pelo poder do evangelho: “Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês: imoralidade sexual, impureza, paixão, desejos maus e a ganância, que é idolatria.” - Colossenses 3:5.

    Toda conversa sobre a SSA não é um fim em si. É um referendo sobre a depravação generalizada. Nós acreditamos nisso? Ou adotaremos o voluntarismo moral, que deixa um lugar para o pecado em nossas vidas, mas negligencia nossos instintos inatos menores e mais silenciosos? Pessoas que amam a Bíblia não podem fazê-lo. Reconhecemos que desonramos a Deus por meio de "pecados de presunção", por premeditação e previsão, mas também por meio de "pecados ocultos", os silenciosos impulsos de nossa velha natureza que instintivamente se elevam em nós (ver Sal 19: 12-13). Não podemos ser voluntaristas, no sentido de que apenas localizamos a transgressão no ato consciente da “vontade”. Também devemos ser "instintivos", vendo nossa iniquidade até mesmo nos desejos inatos de nosso coração.

    A natureza do objeto é crucial aqui. Se desejamos aquilo que é errado em si mesmo, então pecamos. Podemos até ter as melhores intenções. Uzá certamente teve, mas Uzá tinha o objetivo errado em vista. Ele foi atingido por perder o ponto claro (2 Sm 6: 6-7). Se nos permitirmos continuar desejando coisas pecaminosas e caídas, nós também perderemos o alvo. Na verdade, já perdemos.

    Isso não devemos fazer. Em vez disso, devemos retornar aos velhos caminhos. O arrependimento é apenas alegria se você acredita que Deus existe e tem o propósito em Cristo em perdoar e transformar. Verdadeiros crentes não são de modo algum miseráveis. Mas estamos sóbrios e vigilantes quando se trata do nosso pecado. Vemos, por graça divina, ver que o arrependimento é necessário e um meio de deleite. Nós não queremos permanecer em nossos padrões pecaminosos – dizer que eles nos definem... definem nossa identidade... Queremos identificá-los, nos arrependermos deles e, com a ajuda de Deus, deixá-los. Queremos não apenas cessar os atos pecaminosos, mas levar cativo todo pensamento a obediência de Cristo – Parecem fortalezas inexpugnáveis, mas Paulo diz que nossas armas são poderosas em Deus para derrubá-las – e mais – para levar TODO pensamento cativo a obediência a Cristo (2 Cor 10: 5). Isso implica necessariamente que confessemos e nos arrependamos de nossos próprios pensamentos e dos desejos e atrações que os influenciam.

    Para fazer isso, precisamos recuperar uma forte doutrina do pecado baseada em uma doutrina robusta de Deus. O pecado não é “auto-violência”. É uma ofensa infinita ao nosso santo Pai. Fazemos bem em recuperar as orações antigas baseadas tão somente na Palavra – ( e não na tentativa de encontrar um ponto que justifique a depravação de nossa cultura ) - que capturaram essa perspectiva, e que não deixaram lugar para desculpar o pecado de qualquer tipo, seja ele inato ou premeditado.

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