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    O amor de Deus é único e divino, mas isso não é comunicado nas palavras gregas para o amor.




    Todos nós que tentamos obter ensinamentos bíblicos sérios já ouvimos algo semelhante a isso:


    Existem quatro palavras gregas para o amor:  “erōs, storgē, phileō  e  agapē.  Eles têm significados muito diferentes.  Eros  significa amor sexual,  Storgē  significa amor familiar , Phileo  significa o amor de amizade e  Agapē  significa o amor de Deus -  graça, amor sacrificial e incondicional. Somente o Espírito Santo pode dar ou produzir  agapē.”



    Às vezes, as pessoas que dizem essas coisas são muito dogmática e categóricas, dizendo coisas como "quando é feita referência ao amor de Deus, a palavra usada é sempre  agape "



    Você provavelmente poderia contar as próprias vezes em que ouviu ou leu isso de várias formas diferentes. Todos nós ouvimos. Mas isso é verdadeiro?


    Em primeiro lugar, vou dizer, se você não sabe grego, eu o incentivo de forma tão amigável e fraterna quanto possível, para não falar sobre o que "o grego" diz, a menos que você saiba diretamente, ou tenha certeza que está citando alguém que realmente saiba. Eu não quero ser chato sobre isso ou ferir qualquer sentimento ou sensibilidades; é apenas a maneira mais segura de agir quando tratamos de algo tão sério como a Palavra de Deus. Como disse um sábio certa vez: "Um homem deve reconhecer suas limitações".



    Por exemplo, alguém que estudou grego vai estremecer com a afirmação de que há  quatro  palavras para "amor". Pode haver quatro palavras gregas que foram traduzidas para o português como a palavra "amor", mas há mais de quatro palavras gregas que  podem significar  "amor".


    Mas vamos nos fixar somente nisto: é verdade que "quando a referência é feita ao amor de Deus, a palavra usada é SEMPRE  agapē , e que agapē  significa  "amor de Deus" ou "o amor do tipo de Deus?"


    Bem, não, não e não! Por exemplo, João 3:35 diz que "o Pai  ama  o Filho e deu todas as coisas em Sua mão". O verbo é uma forma do verbo  agapaō. Por enquanto, tudo bem. Mas espere um um minuto, veja, em João 5:20 diz:  "O Pai  ama  o Filho, e mostra a Ele tudo o que Ele mesmo está fazendo", e assim por diante. Lá é  phileō.


    O que?
    Duas coisas:

    (1) simplesmente não é verdade dizer que "agape" é "sempre" usado como amor de Deus.
    (2) agapaō  e  phileō  não são como dois continentes distantes, completamente diferentes uns do outro em significado .


    Embora seja verdade que  agapē  e  agapaō  são as palavras  caracteristicamente  usadas no amor de Deus, não é verdade que  os próprios termos  têm como seu próprio SIGNIFICADO INERENTE o "amor de Deus", ou mesmo "o tipo de amor de Deus". 


    Por exemplo, se consultarmos usos na tradução grega do Antigo Testamento, que era atual no dia do nosso Senhor, encontramos o verbo usado para amor de Siquém para Diná: “E apegou-se a sua alma com Diná, filha de Jacó, e amou a moça e falou afetuosamente à moça.” - Gênesis 34:3. Ai credo! 


    Ele também descreve o "amor" de Sansão por  Dalila: Depois dessas coisas, ele se apaixonou por uma mulher do vale de Soreque, chamada Dalila.” - Juízes 16:4. O "amor" de Amnon para Tamar: “E aconteceu depois disto que, tendo Absalão, filho de Davi, uma irmã formosa, cujo nome era Tamar, Amnom, filho de Davi, amou-a.” – “O qual lhe disse: Por que tu de dia em dia tanto emagreces, sendo filho do rei? Não mo farás saber a mim? Então lhe disse Amnom: Amo a Tamar, irmã de Absalão, meu irmão.” - 2 Samuel 13:1,4. Novamente, credo! É a palavra usada também para o “amor” de Salomão pelas mulheres pagãs que o levaram para longe do Senhor: “Das nações de que o Senhor tinha falado aos filhos de Israel: Não chegareis a elas, e elas não chegarão a vós; de outra maneira perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A estas se uniu Salomão com amor.” - 1 Reis 11:2


    E isso é apenas uma pequena amostra.


    Então, no Novo Testamento, o verbo ( derivado de Ágape ) é usado para o amor dos publicanos, coletores de impostos por aqueles que os amam: “Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?” – “E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam.” - Lucas 6:32.


    Também o “amor” dos fariseus pelos primeiros lugares: “Ai de vós, fariseus, que amais os primeiros assentos nas sinagogas, e as saudações nas praças.” - Lucas 11:43. O “amor” dos perdidos pelas trevas em vez de amar a luz: “E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.” - João 3:19. O “amor” dos líderes judeus pelo louvor humano sobre a glória de Deus: “Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus.” - João 12:43. O “amor” de Demas pelo mundo presente mau: “Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica, Crescente para Galácia, Tito para Dalmácia.” - 2 Timóteo 4:10. O “amor” proibido pelo mundo: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.” - 1 João 2:15 - e assim por diante.



    Isso é apenas o verbo. O substantivo também é usado na paixão doente de Amnon por Tamar: “Depois Amnom sentiu grande aversão por ela, pois maior era o ódio que sentiu por ela do que o amor com que a amara. E disse-lhe Amnom: Levanta-te, e vai-te.” - 2 Samuel 13:15



    No Novo Testamento, porém, o substantivo realmente é usado mais exclusivamente para o amor de Deus do que o nosso. Mas também formas de  phileō, sozinho ou em combinação. O verbo  phileō  é usado para o amor que devemos ter por Jesus em 1 Cor. 16:22: “Se alguém não ama ao Senhor Jesus Cristo, seja anátema. Maranata!”



    O amor salvífico de Deus para o homem é chamado  philanthrōpia  em Tito 3: 4: “Mas quando apareceu a benignidade e amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens” - pouco depois do qual Paulo se refere àqueles que "amam" a ele e seus colaboradores na fé – amor entre irmãos em Cristo, amar na fé em 3:15, usando uma forma de phileō: “Saúdam-te todos os que estão comigo. Saúda tu os que nos amam na fé. A graça seja com vós todos. Amém.”


    O amor de Jesus por Lázaro é descrito com  phileō  em João 11: 3: “Mandaram-lhe, pois, suas irmãs dizer: Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas.” – e no verso 36: “Disseram, pois, os judeus: Vede como o amava.” - João 11:36


    Mas seu amor por Lázaro, Maria e Marta no mesmo capítulo é descrito como agapaō  no verso 5: “Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro.”


    Nós poderíamos  continuar por todo o Novo Testamento, mas esperamos ter estabelecido: o verbo  agapaō ( ou o substantivo ágape ) não é uma palavra mágica usada exclusivamente para descrever o amor de Deus. Ela não significa, por si só,    o amor de Deus, o amor do tipo de Deus... nem é a única palavra usada para descrever o amor de Deus, nem descreve necessariamente o tipo gracioso, casto, incondicional e sacrificial de Deus.



    Dito isto, vou colocar algo para esclarecer, que por um breve segundo pode parecer para você um pouco contraditório. Então preste atenção. A palavra ágape, o verbo que vem dela... é a palavra que os escritores gregos mais usaram e facilmente acharam melhor para descrever  o amor de Deus em muitas situações – a que servia melhor ou uso que eles queriam. Mas veja uma ilustração para você entender melhor. Uma pergunta: Será que a palavra “devoção” significa o “amor obstinado, incansável, comprometido, auto-sacrificial que uma mãe tem por seu filho?” Não, é claro que não.



    Poderíamos falar também sobre a devoção de um bêbado pela garrafa de pinga, a devoção de um viciado em poker pelo cartiado, a devoção de um terrorista a sua causa a ponto de morrer por ela, a devoção de um fã a um artista, a um time de futebOl... poderíamos usar a palavra “devoção” de várias formas.



    No entanto, se você quiser descrever o tipo de amor que uma mãe tem por seu filho, você pode muito bem chegar à palavra "devoção". Porque serve bem para esse uso. Talvez seja uma das melhores. Você só precisa verificar o contexto. Sempre verificar o contexto... porque a palavra devoção não quer dizer: “amor obstinado, incansável, comprometido, auto-sacrificial que uma mãe tem por seu filho” – mas seve muito bem no caso.


    E assim é com as palavras gregas traduzidas por amor. Eu não acho que dois deles são completamente sinônimo no sentido de que eles são completamente intercambiáveis. Mas você realmente começa a conhecer o significado específico examinando o uso no seu contexto.



    Então com  agapē, phileō... Sabemos ser o amor de Deus,  não  lendo uma bíblia de estudo, um estudo de palavras ou um léxico,  mas  estudando passagens que estão usando e ilustrando o significado do termo, como Romanos 5: 6-8: “Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” - ou  “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou” - Efésios 2:4

    Agapē não é uma palavra mágica e mística que significa o amor gracioso, sacrificial e incondicional do tipo de Deus.


    Não existe um termo “mágico”, “místico” – “amor do tipo de Deus” na Bíblia. Cuidado ao ouvir mestres de nossos dias!

    By http://www.josemarbessa.com/