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    Perguntas a um Calvinista - N° 1 - Justo ou Injusto?





    Uma jovem me perguntou: “Eu tenho lutado com a questão do calvinismo durante muito tempo. Uma de minhas maiores lutas é com nossas compreensões inerentes de misericórdia e graça. A ideia de Deus predestinando alguém para o inferno sem nenhuma maneira POSSÍVEL de outra coisa acontecer senão aquela, é repulsiva para mim e ofende meu senso de justiça. E quando eu pergunto aos meus amigos reformados / calvinistas se isso os incomoda também, eu costumo obter algo como isto: "Os caminhos de Deus não são nossos caminhos. Tudo o que Deus faz é justo, então se alguém está indo para o inferno podemos confiar que Deus é ainda bem mesmo nisso. " Então, minha pergunta é esta: como essa lógica não faz nossos entendimentos de certo e errado completamente arbitrários e sem sentido? O que ela faz do nosso sentido de direito, injustiça, justiça e misericórdia dados por Deus?”


    Minhas respostas a algumas perguntas que são repetidamente feitas, serão breves e nunca exaustivas - pois viraria algo muito longo - coisa para sermões...

    Eu acho que  ela  articulou o que está no coração de muita gente, causando muita angústia sobre as Doutrinas da Graça.


    Mas devemos começar com um esclarecimento antes de tentar dar uma resposta. Que deve ser breve e não exaustiva. Algumas pessoas pensam que o calvinismo ( ou o que todos os Reformadores ensinaram – conforme claro ensino bíblico ) implica que algumas pessoas acabam no céu e que não queiram estar lá, ou algumas pessoas acabam no inferno que queriam estar com Cristo. CS Lewis não disse tudo o que podia e devia ser dito sobre o inferno ( Deixou algo bastante incompleto a respeito), mas ele estava certo, e chegou a uma visão válida  quando observou : "No final, só existem dois tipos de pessoas: aqueles que dizem a Deus: 'Tua vontade seja Feita ", e aqueles a quem Deus diz, no final," seja feita a Tua vontade ".


    Em minha jornada no calvinismo e em numerosas conversas com aqueles que lutam com o ensinamento da Bíblia sobre a eleição divina e soberania absoluta, não demorou muito para encontrar duas questões que se repetem:


    (1) Se isso é verdade , Então como Deus é justo?
    (2) Se isso é verdade, como Deus pode nos responsabilizar?


    Uma das experiências mais óbvias para mim é ler atentamente através de  Romanos 9  e ver que, como Paulo ensina sobre a eleição, essas são precisamente as perguntas que ele encontra sendo feitas, e ele as responde. Por exemplo, depois de explicar que Jacó foi escolhido e Esaú não, antes de terem nascido e antes de terem feito algo bom ou mau (verso 11), Paulo conhece a inevitável objeção: "Há injustiça da parte de Deus?" V. 14). E ele é enfático que não existe.


    Paulo continua explicando que Deus tem compaixão e misericórdia de quem Ele quer, e que isso não dependente da vontade ou do esforço humano (versos 15-18). Paulo mais uma vez sabe o que todos os seus leitores devem estar pensando: "Por que [Deus] ainda encontra culpa? Pois quem pode resistir à sua vontade? "Paulo continua a explicar que Deus é Deus e nós não somos.


    Eu nunca ouvi um arminiano (ou alguém que ensine o teísmo aberto, ou universalista) ensinar de tal maneira a verdade e a Graça, que sequer essas perguntas aparecessem como  naturais ou plausíveis como aconteceu com Paulo ensinando. Isso acontece, porque é lógico que a mentalidade de quem fez essas perguntas a Paulo, é exatamente a do arminianismo, teísmo aberto, universalismo... portanto, quando esses ensinam... essas perguntas nunca vão aparecer... pois a mente natural não fica ofendida com o que está sendo ensinado, pois o que está sendo ensinado é o que todo homem natural e morto em seus pecados já pensa.


    Eu vejo que quem tem essas dúvidas,  precisa abandonar o que ela chama  de "nosso senso de justiça, injustiça, misericórdia, dado por Deus". Mas eu acho que precisamos "testar todas as coisas" (1 Tessalonicenses 5:21). ) - incluindo nossas pressuposições e disposições - contra a palavra de Deus – e pior, dizer que esse sendo de “justiça” foi dado por Ele. A linha divisória funcional em muitas dessas discussões é se estaremos  SOBRE ou SOB a palavra de Deus . Estamos no Trono ou no banco do Juiz ou é Deus que está? Estamos comprometidos em sermos transformados pela Palavra de Deus e pela cosmovisão bíblica, ou estamos satisfeitos em conformar-nos à maneira pela qual o mundo define as coisas? Se for assim, tentaremos conformar a Bíblia a mente humana caída e inimiga de Deus.


    Me permitam dar dois exemplos rápidos de porque esta questão finalmente se resume a exegese. Em um sentido muito áspero nós provavelmente definiríamos nossos termos de uma maneira similar ( apenas superficialmente ):


    Justiça é alguém que recebe o que merece, com uma proporção apropriada entre o crime e a punição.

    Graça é receber favor que é imerecido.


    Mas não podemos chegar muito além disso até examinarmos cuidadosamente como os autores bíblicos entendem o que fazemos e merecemos, e a natureza do que Cristo realizou em sua vida, morte e ressurreição. Por exemplo, podemos discordar de que ofender a Deus é um crime infinito, e por isso discordamos sobre a recompensa apropriada. Mas então já estamos desmerecendo e diminuindo Deus e mostrando o pecado, e porque ele merece essa Justa punição. E a ideia de “merecer a graça”, é uma contradição de termos. Merecer e Graça nunca podem estar juntos. Portanto, ao não receber graça, o homem não pode estar sendo injustiçado. Já que justiça fala necessariamente de merecimento, de receber o que se merece.


    Por exemplo: Se dez pessoas pegassem emprestado comigo hoje 1.000 reais para serem pagos em um ano com juros... No ano que vem, eu podia cobrar de cinco pessoas os mil reais com os juros combinados – isso seria justiça... é o que elas devem. Mas eu poderia liberar as outras 5 pessoas de pagarem. Isso seria graça, já que elas deviam a mim o dinheiro. Mas o dinheiro é meu e eu posso fazer dele o que eu quiser. Mas eu não sou obrigado por isso, liberar a dívida de todos. Com os que eu cobrei a dívida, eu estou sendo justo. Com os que eu liberei a dívida, eu estou sendo gracioso. Mas eu não estou sendo injusto com ninguém. Injusto é se eu cobrasse de alguém que não devia o que está sendo cobrado na justa proporção:

    Deus trata os homens com justiça ou com graça - jamais com injustiça, ou injustamente. Jesus, sendo perfeito homem ( e perfeito Deus ) não merecia a morte, ou a ira que caiu sobre Ele - é o único - mas isso não foi injusto, porque Ele voluntariamente se entregou no lugar dos que o Pai deu a Ele.



    “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;” - Romanos 3:23.


    “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça. Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.” - Romanos 1:18-21


    Não há ninguém buscando Deus... portanto... não há ninguém que tenha desejado verdadeiramente Cristo e que a Eleição o tenha impedido de ser salvo... É a eleição que cria o desejo do homem ir a Cristo... Ela não impede NADA... Ela possibilita, e sem ela, todos estariam perdidos. O que seria muito justo. Mas Deus resolveu manifestar sua Graça. Que por definição, é Soberana.  E como sabemos, Graça e merecimento são contradições. Portando, falar em injustiça, é falar um absurdo – não só teológico,  mas de compreensão da língua e do significado das Palavras:

    “Como está escrito:Não há um justo, nem um sequer. 11 Não há ninguém que entenda;Não há ninguém que busque a Deus. 12 Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis.Não há quem faça o bem, não há nem um só.” – Rm 3.10-12.

    Todos que desejam Cristo, desejam por uma única razão:

    “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.” João 6:44.

    “E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido.” João 6:65.


    Mas como Deus é um Deus infinitamente santo e justo, Ele não podia simplesmente liberar – como eu fiz no exemplo do meu dinheiro – a dívida. Então o próprio Deus teve que pegar o preço infinito para poder dispensar sua Graça dando do que é dele, como Ele quer, quando Ele quer... Graça!  Isso mostra a grandiosidade incrível da Graça. Não há nada de espantoso sobre a punição ao pecado – é só fazer simplesmente justiça.

    Não é algo difícil de entender. É algo difícil da mente natural engolir. Mas se não engolimos, caímos na definição de Paulo: “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser.” – Rm 8.7.