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    Calvino, Divergente e Cristo!! ( O retrato do homem! )






    O homem inteiro é oprimido - como por um dilúvio - da cabeça aos pés, de modo que nenhuma parte está imune ao pecado e tudo o que procede dele deve ser imputado ao pecado. Como Paulo diz, “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, [Rom. 8: 7], e são, portanto, a morte: “Porque a inclinação da carne é morte” [Rom. 8: 6]. (Institutas 2.1.9)


    Não podemos imaginar uma imagem mais sombria dos seres humanos do que a que Calvino pinta claramente aqui à luz do que Paulo ensina. Por toda a sua teologia, Calvino amplifica esta visão da humanidade, uma visão profundamente enraizada na Escritura.


    Há uma penetração do pecado por toda a vida. A imagem que Calvino dá neste ponto das Institutas, é “dos pés a cabeça”, então não há nenhuma parte que seja imune ao pecado e tudo o que procede de nós (fora a abra Soberana de Deus na salvação ) deve ser imputado ou atribuído ao pecado.


    Teólogos posteriores chamaram isso de depravação total. Não é que as pessoas sejam depravadas no sentido de serem totalmente más ao máximo que o homem pode ser. O totalmente mostra que o pecado afeta todos nós, e todas as dimensões do nosso ser - coração, vontade, mente. Somos pecadores na totalidade de nossas vidas. Somos pecadores por natureza, e o pecado é abrangente e ilimitado em seu alcance no homem.


    Um bom exemplo atual disso, e é raro isso na cultura de hoje, é um quadro da humanidade pintado no filme 'Divergente'.  Beatrice, de 16 anos de idade, encontra-se, no momento que está se tornando adulta, em pleno colapso da sociedade.


    O mundo foi destruído pela guerra e os homens estão tentando reconstruí-lo. Não foi apenas que o mal humano quase destruiu o mundo, mas agora a depravação humana ameaça toda a ideia de reconstrução. Eles procuram se proteger contra essa mesma coisa dividindo a sociedade em cinco facções.


    Abnegação (Altruísmo ) para combater o egoísmo,
    Erudição contra a ignorância,
    Amizade (generosidade) contra a agressão,
    Franqueza ( sinceridade ) contra a duplicidade
    e Intrepidez contra a covardia.


    Cada facção foi formada para brilhar contra uma grande escuridão humana, com as cinco trabalhando juntas para sustentar a luz e a vida humana. Mas o problema é que a depravação é muito profunda. E agora tudo está caindo novamente apesar de toda tentativa humana de conter tal depravação.


    Nenhuma das facções - com suas respectivas ênfase nas virtudes do altruísmo, do conhecimento, da harmonia, da verdade e da coragem - é capaz de conter a maré do mal trabalhando no coração humano (alguns de nós o chamariam "o pecado").


    Veronica Roth, autora do best-seller Divergent (2011) e suas duas sequências, se associou na produção do filme, com a autora Suzanne Collins de Jogos Vorazes, tendo por isso algumas semelhanças em narrativa... Mas o resultado é um filme que é impressionantemente semelhante ao romance com algumas pequenas voltas para adaptá-lo para a tela de cinema. Talvez seja o envolvimento de Roth que mantém o filme girando sobre os mesmos temas que o livro.


    Ela é uma professora cristã e, embora ela claramente não vise que a obra seja uma trilogia de ficção cristã, podemos achar as  impressões digitais de uma cosmovisão geralmente bíblica que é refrescante se comparada a todos os produtos da cultura de nossos dias.


    O pecado humano em seu coração é o culpado de tudo.


    No início da história, um líder resume o consenso da sociedade sobre o que deu errado e fez as  facções necessárias - a humanidade é a culpada.

    "Décadas atrás nossos antepassados ​​perceberam que não é a ideologia política, crença religiosa, raça ou nacionalismo que é a culpa de um mundo em conflito. Em vez disso, eles determinaram que era culpa da personalidade humana - da inclinação da humanidade para o mal, em qualquer forma que seja. Eles se dividiram em facções que buscavam erradicar aquelas qualidades que eles acreditavam serem responsáveis ​​pela desordem do mundo. "(42)

    E a concepção de Roth, ao que parece, não é simplesmente uma depravação, mas uma depravação total, através das faculdades humanas, incluindo o intelecto caído e não confiável.

    Tris, que narra a história, fala diretamente ao leitor quando diz: " A razão humana pode desculpar qualquer mal; é por isso que é tão importante que não confiemos nela "(102).

    Tal depravação também significa que ela não pode confiar na mera autoridade humana: "Ouvindo  e vendo meus pais. . . e minhas experiências. . . Faz-me desconfiar da autoridade e dos seres humanos em geral, então eu não fico chocada ao ouvir que uma facção poderia estar planejando uma guerra "

    "Olhe para onde eles nos levaram. Os seres humanos como um todo não podem ser bons por muito tempo antes que o mal se levante e nos envenene novamente "(441).

    Essa é  uma antropologia enraizada nas Escrituras Cristãs. Esta não é uma imagem que nós poderíamos pintar de nós mesmos sem uma autoridade maior nos dizendo que "todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus" ( Romanos 3:23 ), que "ninguém é justo, nem um sequer" ( Romanos 3:10 ), que o coração humano "é enganoso acima de todas as coisas, e desesperadamente doente" ( Jeremias 17: 9 ).

    Embora, em última análise, esta história permaneça sub-cristã, já que o objetivo final da obra não é teológico -  ela nos mostra um mundo que está em trevas a partir do coração humano, uma humanidade que precisa desesperadamente de um resgate, de um salvador e redentor de fora de nós mesmos. O que está totalmente em oposição a tudo o que Hollywood projeta como visão de mundo.


    Entre o ensino profundo e abrangente de Jesus sobre isso em João 3, podemos rapidamente pinçar três coisas:

    A primeira é que o homem é carne - “O que é nascido da carne é carne” – Ou seja, cada homem nascido no mundo é totalmente desprovido do Espírito Santo. Como diz Judas 19: “...sensuais, que não têm o Espírito.”


    Carne aqui em João, refere-se à natureza humana fora do contado e comunhão com Deus – Como Paulo coloca em Romanos 7.18: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum.”


    Quando a natureza humana, com todos os seus apetites, desejos e necessidades, não tem comunhão com o Deus que é a unica coisa que satisfaz plenamente, o resultado em todas as suas ações, é “nenhum bem” – corrupção moral total, total depravação.


    Essa não é a visão de Paulo, ou Calvino, ou Verônica... da natureza humana. É a visão de Deus. Jesus nos mostra essa visão extraordinariamente baixa da natureza humana como ele está no mundo antes de ser regenerada. Jesus está falando em termos gerais, e não de algum grupo humano em especial. “ O que é nascido da carne é carne”


    Todas as pessoas em todos os lugares que não nasceram de novo. Nelas não há coisa boa. Os caminhos de seus corações são um grande sistema de esgoto... que não pode ser visto... subterrâneo...despejando esgoto no mundo todo, em cada nação, cidade, bairro...  É o retrato da nossa sociedade, cultura... é o retrato do coração do homem não regenerado. "O que sai da boca procede do coração, e isso contamina o homem, porque do coração vêm os maus pensamentos, o assassinato, o adultério, a fornicação, o roubo, o falso testemunho, a calúnia" ( Mateus 15: 18-19 ).


    Fora da regeneração soberana,  a natureza humana, não importa onde você a encontre... nível social, educação... é totalmente depravado. Pode ter grande capacidade tecnológica, compor grandes músicas, viajar no espaço, usar computadores... mas moralmente, está totalmente depravada. Um homem que crê em Cristo, pode se surpreender que nossa sociedade seja nada mais do que este imenso aterro sanitário intoxicando e poluindo todo o planeta?


    A segunda coisa que Jesus diz é que todos os homens estão mortos. O primeiro nascimento só deu vida a nossa carne... então respiramos, desejamos, pensamos... Mas Jesus diz: “O que é nascido do Espírito é espírito” – Ele está dizendo que todos estão espiritualmente mortos.  "A menos que se nasça de novo, ele não pode ver o reino de Deus".


    A terceira coisa que Jesus diz é que até seus melhores esforços religiosos,  "bondosos"...  não passam de  obras de carne.


    O fato de Jesus dizer isso a Nicodemos, um fariseu, revela mais esse aspecto da visão de Jesus sobre o homem não regenerado. Há um universo de diferença entre a religião, boas obras... e a nova vida que o Espírito Santo dá soberanamente.


    Jesus diz a Nicodemos: “Você é um mestre em Israel e ainda assim não entende isso?” Sim, é possível ser um mestre em toda a religiosidade, boas obras, social, “espiritualidade”... e nada disso ser nada menos que obras pecaminosas da carne. Se sob qualquer tipo de verniz religioso, moralidade, bondade, boas obras, social... não houver novo nascimento, o homem está nas mesmas trevas que sempre esteve... Ele é apenas carne. Apenas as trevas que sempre foi. E tudo que ele faz é obra da carne.


    Muitos (até mesmo ditos cristãos ) ao se depararem com essa verdade, dizem:


    “O que você pretende com todo este ensino? Se o homem é apenas carne, destituída do Espírito de Deus, sem nenhum bem moral, se está morto em pecado e é como uma pedra no que diz respeita a Deus, se ele não pode sequer ver o Reino de Deus como Jesus diz... se seu coração é tão enganador que ele usa todas as coisas boas apenas como fruto dessa depravação essencial... o que você espera que ele faça? Ele é tão maldito e depravado que não pode fazer nada bom!”


    É isso! É verdade! Mas se o homem chega ao ponto de fazer estas perguntas sinceramente, é um motivo de grande esperança para nós. Porque se as perguntas forem verdadeiras, o sentimento que as acompanhará é o desespero. O que é um bom sinal.


    No verso 8 Jesus diz: “O Espírito – o vento sopra onde quer, você ouve sua voz (som) mas não sabe de onde vem ou para onde vai, assim também é com todos os que nascem do Espírito”


    Vento! O vento é livre. Obedece leis próprias e secretas... não comandamos isso. Quando sopra, por exemplo, os marinheiros que precisam encher suas velas se alegram. Mas quando não sopram, ficam desesperados. Jesus quer mostrar que estamos totalmente à mercê da Soberania do Espírito Santo. E Ele sopra onde quer... como vimos no início... todo homem merece justiça... e a voz da justiça diz morte. Ninguém merece o Vento. Mas é maravilhoso quando alguém sente essa sensação de total impotência e desespero... porque é uma evidência de que o Vento começou a soprar nos lugares mais profundos do coração: “Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece.” - Romanos 9:15,16

    Desespero é um ótimo sinal.
    Revolta é um péssimo sinal: “Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? - Romanos 9:20-24



    Nossa única esperança de ajuda, é se Deus a fornece soberanamente. Deus tem feito isso soberanamente em Jesus Cristo, e como o Vento tem soprado sobre uma humanidade que merece apenas o inferno. Deus salva pecadores que não podem se ajudar de forma alguma. O pecado nos faz desviar completamente de Deus. Cada pensamento humano é “inimizade contra Deus” - Deus dá a salvação, fazendo por nós o que não podemos fazer por nós mesmos e o que é o oposto do que merecemos. Todos pecaram e todos MERECEM JUSTIÇA. E a justiça diz: Morte!  Deus nos elege ou nos predestina para a salvação, puramente pela graça soberana, já que não podemos nos salvar e nem podemos desejar isso em nosso estado de inimizade completa contra Deus: “E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” - Romanos 8:30,31