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    Jonathan Edwards, Harry Potter, os irmãos Pevensie e Frodo. Por que Deus decretou o mal?




    Por que Deus nos deixa viver num contexto tão mal e contrário a Ele como vivemos? Cheio de dor, sofrimento...


    Se tudo que você quer é proteger teus filhos do mal, não pode entender o contexto em que Deus nos colocou para viver neste mundo. É natural desejarmos que nossos filhos não fiquem assustados, ou sejam prejudicados, expostos ou atraídos pelo mal. Mas esse instinto protetor sempre é o melhor para eles? Há exposição ao mal que é para o nosso bem.


    Por isso nosso Pai, nos colocou num mundo como esse... cercados como estamos.


    Pense em Frodo Bolseiro em seu caminho para alcançar a Montanha da Perdição em Mordor. Pense nessa jornada que Frodo fez sem os Orcs, sem Gollum, sem os espectros do Anel ( Nazgûl ), sem os olhos sem pálpebras de Sauron, o senhor do escuro... não seria uma viagem de transformação, seria um passeio.


    Imagine 007, James Bond, sentado em sua casa em Londres sem ninguém para caçar,  com uma “licença para matar”, mas sem razão para usá-la num mundo sem bandidos, assassinos...


    Imagine os irmãos Pevensie ( Susan, Lucy, Edmundo e Pedro )  entrando em Narnia e encontrando apenas Aslan, sem a traição de Edmundo, a realidade da Mesa de Pedra, sem  a batalha com a Bruxa Branca. Aslan seria um bonito leão apenas, e tudo terminaria com um feliz piquenique antes de atravessar o portal de novo.


    Imagine Harry Potter indo para Hogwarts para aprender magia, mas nunca encontrando Voldemort ou qualquer um de seus comensais da morte. Teríamos terminado com 7 livros vendo partidas de quadribol e outros entretenimentos.


    Nas grandes histórias de aventura que conhecemos é o mal que cristaliza, congela e fixa o  bem. Foi do agrado soberano do Pai o mal fazer parte da história também. Somente em face do mal, o caráter, a qualidade e a moralidade passam adiante e representam o herói. Mesmo os "heróis" humanos e falhos que elas retratam.

    Sem o mal ficamos com personagens nebulosos, de profundidade ambígua e moral incerta. Sem o mal não há nenhuma decisão real a ser feita a respeito de que caráter nós somos ou somo levados a desejar ser.


    Sem o mal, Frodo nunca teria deixado o Condado, a Mesa de Pedra nunca teria quebrado, e Harry jamais teria tido a fortaleza de se sacrificar por um bem maior. E isso é verdade em cada grande história, incluindo a maior e verdadeira. Que necessidade haveria para um salvador sem uma serpente?


    Jonathan Edwards falou sobre isso com a profundidade que mais ninguém na história poderia falar:


    “É algo apropriado e excelente que a infinita glória de Deus resplandeça; e pela mesma razão, é apropriado que o brilho da glória de Deus seja completo; isto é, que todas as partes de sua glória devam resplandecer, que cada beleza deva ser proporcionalmente fulgurante, a fim de que aquele que olha tenha uma noção adequada de Deus. Não é apropriado que uma glória deva ser excessivamente manifesta , e outra não ...


    Assim, é necessário que a aterradora majestade de Deus, sua autoridade e terrível grandeza, justiça e santidade devam ser manifestas. Mas não poderia ser assim , a menos que o pecado e a condenação tivessem sido decretados; ou o fulgor da glória de Deus seria por demais imperfeito, tanto porque essas partes da glória divina não resplandeceriam tanto quanto as outras, e também porque a glória de sua bondade, amor, e santidade seria apática sem elas; não, elas ilustrariam de forma pobre seu fulgor.



    Se não for certo que Deus deveria decretar e permitir e punir o pecado, não poderia haver nenhuma manifestação da santidade de Deus pelo ódio ao pecado; ou em, pela sua providência, preferir a piedade [em lugar do pecado]. Não haveria nenhuma manifestação da graça de Deus ou verdadeira bondade, se não houvesse pecado a ser perdoado, ou miséria a ser revertida. Por mais felicidade que ele concedesse, a sua bondade não seria mais estimada ou admirada...


    Assim, o mal é necessário, para felicidade maior da criatura, e a perfeição da manifestação de Deus, para a qual ele fez o mundo; porque a felicidade da criatura consiste no conhecimento de Deus, e no senso de seu amor. E se o conhecimento dele é imperfeito, a alegria da criatura deve ser proporcionalmente imperfeita.” 




    Nossos filhos precisam do mal ainda. Nós precisamos do mal ainda... por isso Deus, nosso Pai, nos deixa num mundo neste contexto tão mau.  Seremos transformados por Ele na mesma imagem do seu Filho, que num contexto mal, mostrou a maior beleza, bondade e santidade possível. Um dia o mal terá terminado, terá sua última página na nossa história. Mas não ainda... não ainda.