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    Que fogo incendiou a Europa na Reforma?





    Será que ainda cremos no que Deus disse através de Jeremias: “Não é a minha palavra como fogo, diz o Senhor, e como um martelo que esmiúça a pedra?” - Jeremias 23:29

    O que causou a Reforma? Embora muitas pessoas digam que desejam o mesmo que aconteceu na Reforma em nossos dias, não creem que apenas uma coisa é necessária.

    Ao responder o que causou a Reforma, muitas pessoas tendem a responder apontando para Lutero e suas 95 teses.


    Mas se a pergunta fosse feita a Lutero, ele não chamaria a atenção para ele ou para o que ele escreveu. Ele daria todo crédito t]ao somente a Deus e a Sua Palavra.

    Já próximo de sua morte, Lutero declarou: “ Tudo o que eu tenho feito é colocar diante das pessoas a Palavra de Deus... pregar e escrever sobre a Palavra de Deus... e para além disso, eu nada fiz... foi a Palavra que fez grandes coisas... eu não fiz nada; a Palavra tem feito e conseguido tudo.”

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    Em outro lugar ele declarou: “Pela Palavra a terra foi criada; pela Palavra a Igreja veio a existência; pela Palavra a Igreja foi salva agora do engano; e pela Palavra também será sempre restabelecida.”


    Observando o lugar central da Escritura em seu próprio coração, Lutero escreveu: "Não importa o que aconteça, você deve pegar somente a Palavra de Deus: Esta é a minha rocha e  âncora. Nisso eu confio,  continuarei a confiar e nela permanecerei. Onde a Palavra permanece, eu também permanecerei; onde ela for, eu também irei.”


    Lutero entendeu o que causou a Reforma. E reconheceu que era tão somente a Palavra de Deus, pregada por homens de Deus, pelo poder do Espírito de Deus... e na linguagem do povo comum da Europa, na linguagem que eles pudessem entender. A Verdade e nada mais... a Verdade estava apenas no Livro... não havia outra fonte da onde ela pudesse fluir... só a Palavra. Então os ouvidos dos homens comuns foram expostos à Verdade da Palavra de Deus, que perfurou seus duros corações pela ação soberana do Espírito e eles foram mudados radicalmente.


    Esse tinha sido o mesmo poder que tinha transformado primeiro o seu próprio coração... a Palavra e nada mais... um poder, como Lutero disse, que podia ser resumido nas palavras familiares de Hebreus 4.12: "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração."



    Durante a Idade Média a Igreja Católica Romana tinha aprisionado a Palavra de Deus ao latim, língua que o povo comum da Europa não falava. Os reformadores desbloquearam as Escrituras por traduzi-las. E uma vez que as pessoas tinham a Palavra de Deus, a Reforma tornou-se inevitável. É fundamental livre acesso a Palavra, pregação centrada na glória de Deus... mas jamais confunda isso com livre interpretação... o que faz hoje as pessoas perderem a Verdade da Palavra tanto quanto se ela estivesse escrita em hieróglifos para nós.

    Vemos esse compromisso com as Escrituras mesmo nos séculos anteriores a Marinho Lutero, começando com os precursores da Reforma.


    No século 12, os valdenses traduziram o Novo Testamento a partir da Vulgata Latina em seus dialetos regionais franceses. Segundo a tradição, eles estavam tão comprometidos com as Escrituras que diferentes famílias valdenses memorizavam grandes seções da Bíblia. Dessa forma, se as autoridades católicas romanas encontrassem e confiscassem as suas cópias impressas das Escrituras, eles seriam capazes de reproduzir toda a Bíblia a partir da memória deles.


    No século 14, John Wycliffe e seus associados em Oxford traduziram a Bíblia do latim para o Inglês. Seguidores de Wycliffe, conhecidos como os Lollardos, passaram por todo o campo pregando e cantando passagens das Escrituras em Inglês.


    No século 15, Jan Huss pregou na língua do povo, e não em latim, fazendo dele o pregador mais popular em Praga na época. No entanto, porque Huss insistiu que Cristo era o cabeça da igreja, e não o papa, o Conselho Católico de Constance o condenou por heresia e ele foi queimado na fogueira em 1415.


    No século 16, com o estudo do grego e hebraico sendo recuperados...  por exemplo -  em princípios do século 16, prevaleceu maior liberdade, e houve um reavivamento do interesse no idioma grego. Foi durante esse renascimento inicial da cultura que o famoso erudito holandês Desidério Erasmo produziu a sua primeira edição do texto padrão grego do “Novo Testamento”. (Tal texto padrão grego é preparado comparando-se cuidadosamente diversos manuscritos e usando as palavras mais amiúde aceitas como as originais, não raro incluindo, num aparato localizado embaixo, notas referentes às variantes de alguns manuscritos.) Essa primeira edição foi impressa em Basiléia, Suíça, em 1516, um ano antes de começar a Reforma na Alemanha.


    Martinho Lutero então traduziu a Bíblia para o alemão, com o Novo Testamento sendo concluído em 1522.


    Em 1526, William Tyndale completou a tradução do Novo Testamento em grego para o Inglês. Alguns anos mais tarde, ele também traduziu o Pentateuco do hebraico. Pouco tempo depois ele foi preso e executado como um herege - sendo estrangulado e depois queimado na fogueira. De acordo com o Livro dos Mártires de Fox, as últimas palavras de Tyndale foram: "Senhor, abra o olhos do Rei da Inglaterra." E foi apenas alguns anos depois de sua morte que o rei Henrique VIII autorizou a Grande Bíblia na Inglaterra - a Bíblia que foi em grande parte feita  com base no trabalho de tradução de Tyndale. A Grande Bíblia lançou as bases para a posterior versão King James (que foi concluído em 1611).


    A linha comum, de Reformador para Reformador, foi um compromisso inabalável com a autoridade e suficiência das Escrituras, de tal forma que eles estavam dispostos a sacrificar tudo, incluindo suas próprias vidas, para obter a realidade da Palavra de Deus nas mãos do povo.


    Eles fizeram isso porque eles entenderam que o poder de reforma espiritual e reavivamento não estavam neles, mas no Evangelho (cf. Rom. 1: 16-17) – “Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque no evangelho é revelada, de fé em fé, a justiça de Deus, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.”


    E eles usaram a frase em latim Sola Scriptura ("Somente a Escritura") para enfatizar a verdade de que a Palavra de Deus era o verdadeiro poder e autoridade final por trás de tudo o que dissessem e fizessem.  Que não há autoridade fora da Palavra. E que nenhuma revelação há para a igreja que não esteja no Livro. Autoridade e Suficiência definem o Livro. Nenhuma outra fonte de revelação de Deus há. É o homem e sua Bíblia, não o homem e sua visão, sua experiências, seus sonhos, suas revelações...



    Foi a ignorância das Escrituras que fez a Reforma necessária. Foi a recuperação das Escrituras que fez a Reforma possível. E foi o poder da Escritura que deu a Reforma seu impacto duradouro... Isso acontece tão somente quando o Espírito Santo infunde a verdade da Sua Palavra sobre corações que Ele regenera soberanamente.