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    Filhos do Trovão! Como Deus nos transforma!





    Jesus colocou um  apelido em amigos próximos – Ele deu a Tiago e João o apelido de "filhos do trovão" (Marcos 3:17). Quando um judeu chamava alguém de "filho de" alguma coisa, isso significava que seu caráter era como aquela coisa - como em Atos 04:36 – ou Efésios que diz: “...e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.” - Efésios 2:3 - mostrando que o que somos por natureza nos põe debaixo da ira de Deus - isso nos caracteriza.


    Hoje poderíamos chamar Tiago e João de  "Garotos do Trovão" -  Tiago e João devem ter sido encrenqueiros desajeitados, ou pelo menos tinham temperamentos explosivos para ganhar esses apelidos.


    Este foi um traço de caráter que precisava ser mudado, mas Tiago e João, como sabemos,  não mudaram facilmente. Mesmo depois de passarem um bom tempo viajando e aprendendo com o Mestre dos mestres, e mesmo depois de ver um vislumbre de Sua glória no monte da transfiguração - Tiago e João ainda discutiam entre si sobre quem era o maior (Lucas 9: 46-48); eles ainda planejaram ter posições de poder no reino de Deus (Mateus 20: 20-21); e eles ainda pensavam que era de alguma forma o seu trabalho invocar julgamento contra os samaritanos ingratos que se recusaram dar sua hospitalidade a Jesus (Lucas 9: 51-56).


    Mudar as pessoas não é uma questão de velocidade da luz.  Às vezes parece que as pessoas nunca mudam. Você talvez já orou por alguém durante anos, pregou, ensinou e nada aconteceu. Aquele moleque (homem, mulher...) que sempre reclamou ainda é um moleque que sempre reclama; e "o faz nada" preguiçoso ainda é um preguiçoso. Ainda mais preocupante é quando olhamos para nós mesmos e vemos ainda muitas das mesmas falhas características que tínhamoss há anos.


    Assim como Tiago e João, pegamos a nós mesmos desejando fazer descer fogo do céu sobre os que promovem a promiscuidade, deturpam a Verdade, são corruptos, promovem a destruição da família... difamam a pessoa de Jesus.  Certamente o julgamento chegará, e “horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” Hebreus 10:31 – Mas nós, como recipientes da graça, salvo por graça, chamados por graça, justificados por graça... devemos ser emissários da graça para que ela alcance a outros como nos alcançou.


    Muitas vezes, como Tiago e João, que disputavam posições de poder e influência, nós  podemos acalentar, sob racionalizações “espirituais”, o desejo de desempenhar o papel de “grande líder espiritual” -  Ou então, impacientes ( o que é sinal de imaturidade e não maturidade espiritual ), olhamos os que nos rodeiam e perguntamos: “Será que nunca mudam?” – "Será que não vão se tornar maduros?" – Ousamos até a sentir pena de nós mesmos sob essa racionalização... e então queremos desistir, ou justificamos nossos fracassos espirituais dizendo-se desanimados.


    Mas Jesus – Ele, o perfeito Deus – não desistiu dos “Garotos do Trovão”. Levou um longo tempo. Um incrível custo para ele, Jesus. Um grande sacrifício... mas Deus transformou Tiago e João.


    Tiago se tornou o primeiro apóstolo a morrer por sua fé (Atos 12). Seu compromisso ousado com Jesus deve ter sido muito bem conhecido, desde que a sua morte agradou os judeus incrédulos como se fosse uma grande vitória contra o evangelho. Mas ele já não era o Tiago procurando o centro do palco. Querendo os primeiros lugares... ser “o grande líder espiritual” Na verdade, ele quase não é mencionado em Atos até o seu martírio - o seu ministério deve ter sido silenciosamente vivido em segundo plano. O novo Tiago não estava procurando a sua própria glória, mas somente a do seu Senhor. Que importância podia ter o lugar que ele estivesse ocupando? Há uma antiga tradição, que remonta pelo menos ao século II, que diz que um guarda na sua execução, estando tão impressionado com profundo amor de Tiago por Deus -  ele mesmo se confessou um cristão e pediu para ser decapitado junto com ele.


    João foi mudado de um “filho do trovão”, no discípulo "amado" - que penetrou o mistério do amor de Deus mais profundamente do que qualquer homem antes ou depois dele, com raras exceções.


    E ele também não buscou sua própria glória -  (Quão diferente do João que discutia quem seria o maior, posições no Reino... ) - no Evangelho de João, ele não menciona sequer o seu próprio nome, e até mesmo em suas cartas ele  não faz nenhuma menção de si mesmo, ou simplesmente usa o título vago e despretensioso de "o ancião".


    Deus mudou os "Filhos do Trovão" em "Filhos da Graça Soberana" -  homens caracterizados pela maravilha da graça de Deus. Suas palavras não são mais invocações de fogo contra nós, mas de fogo dentro de nós, o incêndio que tem como combustível a pura Palavra de Deus – do amor que o Espírito produz, levando o homem a amá-lo e buscar somente a Sua glória.


    Talvez mais do que qualquer outra coisa, a capacidade do Evangelho de mudar as pessoas é o testemunho mais incrível do poder de Deus. Fazer um milagre natural, como lançar fogo do céu, é uma coisa pequena para Deus; o milagre que realmente custou caro para Deus foi mudar pecadores em santos.


    Isto certamente não é um processo rápido ou indolor. Antes que Tiago e João pudessem ser exemplos de fidelidade e amor a Deus, eles tiveram que passar pelo vale da humilhação e desespero. Podemos nos irritar com o que nós consideramos "lentidão" de Deus na mudança das coisas ( o que só mostra o quanto ainda temos que mudar, e o quanto ainda somos imaturos) -  mas se Deus se movesse mais rápido, ele poderia nos destruir. Há tanto o que ser mudado em nós. Só Ele sabe a velocidade certa. Mas Deus inexoravelmente muda aqueles que Ele chamou soberanamente em Cristo. E Ele nunca desiste: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” - Filipenses 1:6.


    Assim mostramos nossa maturidade na paciência pelo tempo que Deus usa para mudar as pessoas e situações... e em como nos damos a igreja enquanto Ele faz isso. Porque é assim que Deus muda e transforma as pessoas. Você não precisou disso? Você ainda não precisa disso? Então estenda esta graça aos outros. O perfeito Jesus – Filho de Deus, Filho do Homem, fez isso com Tiago e João, os “Filhos do Trovão!”