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    Pelo que sabemos e pelo que não sabemos.






    “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” - Romanos 11:36


    Este é o fluxo de toda a pregação da igreja em nossos dias? A definição da Missão da igreja em nossos dias aponta claramente para o mundo todo esse fluxo?


    Qual é a prioridade da vida? Se você sair hoje pelas ruas fazendo essa pergunta, terá  muitas respostas diferentes, mas nenhuma delas será centrada em Deus. Mesmo quando Deus for mencionado – por cristãos – será tão somente em como ele pode satisfazer as prioridades nascidas no coração do homem natural. Ou seja, qualquer prioridade que você não precise ter um novo coração, ou ser regenerado para ter. Desde coisas apenas pessoais, como coisas voltadas para a sociedade... o bem estar pessoal, social... e todas as prioridades que um homem não precisa ter um novo coração para ter. Mesmo pregadores ditos “reformados” hoje, tem toda a sua ênfase naquilo que o homem natural também tem, e que não é necessário ter nascido de novo para ter. Deus visto em relação ao que pode ser feito para o homem, sociedade... esse fluxo tem sido totalmente predominante, e não o oposto. Deus existe para o homem e sociedade, ou o homem, sociedade, mundo... existe para a glória de Deus?


    Há três coisas fundamentais na doxologia de Romanos 11.33-36, nesta grande passagem da Bíblia sobre o fim e propósito de todas as coisas. Mas vamos olhar somente para uma - Paulo nos instrui que devemos louvar a Deus por aquilo que sabemos e por aquilo que não sabemos: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” - Romanos 11:33


    Paulo começa cantar a profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus. E ele fala sobre essa sabedoria e conhecimento exibidos no Juízo de Deus e nos caminhos de Deus. Quando Paulo pensa na Redenção e Juízo como revelados em Romanos 9-11, ele explode em adoração. Ele nos convida a nos juntarmos a ele nesse louvor. Sua mente está “perdida” na imensidão do conhecimento de Deus; . “Ó profundidade das riquezas e do conhecimento...” – São incalculáveis, são imensuráveis. Está além de tudo o que podemos dizer e conceber.


    Quando Paulo chega a segunda parte do verso 33, ela fala sobre o Juízo de Deus como motivo de adoração. Como é diferente em nossos dias, quando o juízo de Deus e seus julgamentos são vistos de forma tal que não falamos deles com prazer, alegria e louvor... mas, quando falado,  o que é muito raro, com constrangimento. 


    Quanto ensino prático para nós está aqui. Percebemos neste verso que Paulo louva a Deus, tanto por aquilo que Ele conhece, quando pelo que ele não conhece. Tudo o que conhecemos de Deus deve nos levar a profunda adoração, e tudo o que não conhecemos também. Não falamos... “não posso imaginar um Deus que...” – Deus não deve ser imaginado. Seus Juízos e Sua Redenção devem ser louvados onde o compreendemos e naquilo que nossas mentes frágeis e pequenas não podem fazê-lo. Devem ser louvados com alegria e júbilo.


    Nessa doxologia o que enche a mente de Paulo? O pensamento da Redenção de Deus. Deus revelou o plano de redenção, seu Juízo... Paulo sabe muito – talvez ninguém soube mais do que ele – sobre o plano de Redenção. O desejo de Paulo é que conheçamos muito sobre o plano de redenção e que nos juntemos a ele no profundo louvor – mas isso de forma alguma significa que Paulo entende tudo. Quer dizer, o ponto ressaltado aqui é – Seus Juízos e seus caminhos são insondáveis. Então Paulo está louvando a Deus tanto pelo que ele sabe ( tudo o que nos é revelado tão somente na Palavra ), como pelo que ele não sabe – insondável! Pelo que Deus revelou, e pelo que Deus não revelou... sobre seu Caminho, Redenção e Juízo. Só isso é adoração verdadeira, adoração humilde... que não imagina ou tenta conformar Deus ao pensamento, filosofia, capacidade humana...


    Quando chegamos no final de Romanos 11 verso 32, Paulo não está dizendo – “Agora sabemos tudo, todas as questões possíveis que poderiam surgir na nossa mente foram resolvidas...” – Ele está dizendo – “Deus nos revelou tudo que é necessário saber” – Foi ensinado para nós mistérios ocultos deste todos os séculos... coisas tão profundas que estamos coçando a cabeça só de imaginá-las... Paulo está consciente que há muitas coisas que são inescrutáveis e insondáveis para nós, mas Deus é louvado aqui por Paulo, tanto pelas coisas que Ele revelou, quanto pelas que Deus não revelou. Isso é uma lição tremendamente importante para nós. Um verdadeiro cristão prega tudo o que Deus revelou, por mais que seja ofensivo a mente natural, todas as doutrinas da Graça, por exemplo... jamais diz “eu não posso conceber um Deus que...” – e também louva a Deus por tudo o que Ele não revelou. Ele sempre louva a Deus, não há postura de incredulidade na verdadeira adoração.


    É maravilhoso ver um cristão maduro... vendo e encarando as respostas bíblicas que antes o intrigava... Conhecer todas as Doutrinas da Graça, a Soberania de Deus... Como ele abraçou as Escrituras sem tentar reformatá-la segundo a cultura, prega sem temor ou vergonha tudo o que a Palavra diz... Mas não fique com a ideia de que tudo foi explicado... não fique com a ideia de que a fé reformada, a fé bíblica, pretende explicar tudo e responder tudo. Essa não é a nossa confiança na fé reformada. Não é que temos todas as respostas. Que Paulo, ou Lutero, ou Calvino... as tinham. A confiança é que Deus tem todas as respostas, mas que nos basta as que Ele decidiu nos dar nas Escrituras. Ele revelou o que precisamos saber ( Jamais chame de mistério algo só para esconder tua incredulidade – ao não aceitar uma doutrina clara, chamá-la de mistério é pecaminoso e totalmente hipócrita ) – Mas Deus nos revelou o que precisamos saber e deve ser louvado com entusiasmo e gozo pelo que não revelou. Isso é o que o apóstolo Paulo está dizendo aqui. O plano redentor de Deus e seu Juízo, que Ele nos revelou, deve nos mover totalmente ao profundo louvor, mas até as coisas que Ele não nos revelou deveria nos mover a louvá-lo na mesma proporção. 

    Louvamos a Deus por causa do que sabemos e por causa do que não sabemos. Não questionamos Deus no que sabemos na sua clara revelação, não nos perturbamos com o que não sabemos por Ele não ter revelado – Adoramos pelos dois motivos. Jamais tentamos conceber ou imaginar Deus. Adoramos. Essa é uma lição fundamental para a nossa vida neste texto.


    A outra lição que emerge aqui, é como Paulo está louvando a Deus pelo seu Plano de Redenção. O que ele está frisando para nós? Está nos lembrando da grandeza de nosso Deus, a grandeza do plano de Deus. Isso é fundamental porque a grandeza infinita de Deus e a grandeza de seu plano, coloca nosso pequenos problemas em perspectiva. Não será isso uma das maiores necessidades da igreja hoje?


    Quantas vezes vamos as Escrituras simplesmente procurando uma resposta que fale conosco hoje pelo nosso problema hoje... e muitas vezes o que precisamos é de algo que vai nos mostrar uma grandeza que mostrará a insignificância do que temos transformado em grande problema. O que precisamos na maioria das vezes é irmos para a Escritura e nos perdermos na grandeza do plano do qual fazemos parte tão somente pela graça soberana de Deus. Perceber que fomos apanhados, sugados, neste fluxo todo-poderoso da graça de Deus, no plano que é realizado por Deus e que jamais falhará. Precisamos nos perder em admiração, amor e louvor. Seria totalmente diferente a vida da grande maioria dos que se dizem cristãos, se quando fossem a Bíblia esperando uma resposta a suas pequenas questões cotidianas, uma ideia, uma solução para a topada do dedão de hoje, ao chegar lá, na Palavra, simplesmente fossem inundados por um sentimento de temor no mistério  da graça e da grandeza de Deus - “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” - Romanos 11:33


    Paulo nos ensina nesta grande doxologia, que os romanos, por exemplo, talvez indo em busca de uma resposta específica a uma pergunta específica... pode permanecer sem resposta, e ainda assim louvar a Deus por ver algo infinitamente maior... quão grande Deus é, quão grande é sua sabedoria, juízo... Paulo nos ensina a partir do seu louvor aqui, que louvamos a Deus por aquilo que sabemos e pelo que não sabemos.  Na verdade não nos enche de alegria não saber tudo? Não houve muitas coisas em nossas vidas, que depois de passadas, agradecemos a Deus – “Senhor, se eu soubesse com antecedência que passaria por isso, eu desfaleceria... obrigado Senhor, eu não poderia ter esse conhecimento...” – Deus manifesta seu conhecimento para nós em seu amor e graça, e nos convida a louvá-lo, tanto pelo que sabemos, quanto pelo que não sabemos e jamais saberemos aqui.