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    O que seria necessário para o homem natural escolher Cristo?





    Um propósito essencial do Evangelho é humilhar o orgulho do homem e exaltar a graça de Deus. Todas as doutrinas do evangelho são muito humilhantes para o coração orgulhoso. Ele sempre coloca Deus em primeiro lugar, estabelece tudo para Sua glória... Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto... - João 15:16 - Mas o que nos humilha, também exalta, o que nos coloca para baixo, nos enche de conforto.


    "Quando estávamos sem força, no devido tempo, Cristo morreu pelos ímpios" (Romanos 5:6). Como disse o grande Puritano William Gurnall (1617 – 1679) :


    "Está a força do cristão no Senhor e não em si mesmo? Certamente, então, a pessoa fora de Cristo deve ser uma pobre criatura impotente - impotente para fazer qualquer coisa para realizar sua própria salvação. Se uma árvore viva não pode crescer sem seiva da raiz principal, como pode um tronco podre, que não tem raiz, reviver-se de sua própria vontade? Em outras palavras, se um cristão imbuído com a graça de Deus deve confiar continuamente na  força de Cristo, então, certamente,  um homem fora da graça de Deus, morto em nossos delitos e pecados, nunca pode produzir tal força em si mesmo. Não estar regenerado  é ser completamente impotente. "Quando estávamos sem força, no devido tempo, Cristo morreu pelos ímpios" (Romanos 5:6).

    A filosofia chamada humanismo tem sido um pretendente ao orgulho do homem. O homem natural pensa possuir em sua força natural e sabedoria capacidade, e sempre corteja a si mesmo com promessas de grandes realizações agora, e o céu mais tarde. Deus espalhou esses construtores de Babel e eles proclama sua preeminência para a eternidade. Confundidos para sempre estão esses filhos do orgulho, em sua confiança no poder da natureza, como se o homem com o seu próprio tijolo e argamassa de habilidades naturais fossem capazes de fazer um caminho para o céu! Vocês que ainda estão em seu estado natural, poderiam se tornar sábios para a salvação? Ao crer que sim só demonstram já serem presas e se enganam aos seus próprios olhos. Renuncie a esta sabedoria carnal que não pode perceber as coisas espirituais, e peça sabedoria de Deus, que dá sem repreensão (Tiago 1:5).
    Aqui está uma palavra para os cristãos. Conheça  que a sua força reside inteiramente em Deus e não em si mesmo, permaneça humilde, mesmo quando Deus está te abençoando e te usando mais. Lembre-se, quando você tem suas melhores vestes, quem fez e quem pagou por isso! A graça de Deus não e não o trabalho de suas próprias mãos, nem o senso do seu próprio valor. Como você pode gabar-se de que você não comprou? Se você desviar a força e o crédito de Deus para a sua própria conta, Ele em breve vai chamar uma auditoria para revelar tua vergonha e desonestidade.”


    Voltemos agora a João - Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto... - João 15:16

    Foi humilhante para os discípulos ouvir: “Não pensem que foram vocês que escolheram a mim... mas eu escolhi a vós” – Mas enquanto isso humilha o orgulho, está cheio de conforto. Ó  quão abençoado e ouvir da própria boca do Senhor: “Eu vos escolhi...”

    Aqui temos em primeiro lugar a negação:


    “Vocês não me escolheram!” – Nem um dos apóstolos ( nenhum dos regenerados em todos os tempos ) foi a Cristo até que Cristo tenha ido a eles  e os chamado. Ou seja, nenhum deles escolheu Cristo naturalmente. Ninguém escolhe Cristo naturalmente. Nenhum pecador jamais irá a Cristo, a menos que o Pai o traga – e então ele “escolhe” Cristo.

    “E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido.” João 6:65

    “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.” João 6:44

    A fim de escolher a Cristo nos termos do Evangelho, nos termos revelados por Deus, o homem deve sentir uma necessidade dEle – mas isso o homem natural não pode fazer – ele pode sentir necessidade de ajuda nas coisas que ele ama neste mundo – mas não fome de Deus. Ninguém escolhe Cristo nestes termos até que sinta que está totalmente perdido não sem coisas e pessoas – mas sem Ele.

    A fim de escolher a Cristo – é preciso concebê-lo como belo – é preciso ver a “beleza da santidade” – mas o homem ama o pecado – o exato oposto da santidade. O homem natural não vê e não pode vê a verdadeira beleza de e em Cristo. O homem natural pode ver a beleza em seus companheiros pecadores, mas ele não vê beleza alguma em Cristo que o satisfaça – lhe falta sentido espiritual para isso. O homem natural pode ver beleza no mundo – mas não no Filho de Deus.

    “...não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos.” - Isaías 53:2


    O homem natural é cego para as excelências, belezas e glórias de Cristo, por isso ele jamais vai escolhê-lo. Ele fará qualquer esforço por coisas desse mundo, sofrerá qualquer privação, suportará dor... mas não irá a Cristo até que o Espírito  mude a sua vontade. Ele vai ser religioso, supersticioso, desejar uma “espiritualidade” própria, seguir líderes, confiar em qualquer coisa... mas é impossível que ele escolha Cristo.


    O coração do pecador é inimizade contra Deus – Cristo – e inimizade não pode amar, nem escolher – não há palavras mais claras do que as do apóstolo Paulo – “O pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeira a lei de Deus, nem na verdade o pode ser” – Romanos 8.7 – Contra Cristo, como aquele que revela perfeitamente a Pai – a inimizade do homem natural é exibida, e enquanto este for o caso, ele não pode escolher Cristo. O fato é que ninguém em seu estado natural, jamais escolhe Cristo, toma a cruz...

    A afirmação:

     “Eu vos escolhe a vós” – A escolha pertence a Ele. Escolheu a cada um, escolheu todo o seu povo. Antes de crerem nEle... não tínhamos fé até que ele o concedeu. Não tínhamos conhecimento até que Ele o transmitiu. Não nos importávamos com nada sobre Ele até que Ele levou cada um de nós a sentir nossa necessidade profunda e absoluta dEle. Ele escolheu seu povo antes da fundação do mundo – e portanto, seu povo não podia escolhê-lo antes: “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” -  Efésios 1:4 – “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” – Efésios 1.5

    Sua escolha foi por puro amor. Não por causa de qualquer coisa que iríamos ser ou fazer, mas em amor Ele nos escolheu. 

    Sua escolha foi um ato de soberania - a manifestação de seu direito de fazer o que quiser com o que é seu próprio - uma prova de que tinha prazer na misericórdia. Todos pecaram, todos merecem a veredicto de sua Justiça – condenados! Em nossa eleição para vida Jesus mostra-se Deus. Ele tinha um direito de escolha. Ele exerceu esse direito. Ele é infinitamente sábio no exercício desse direito... Ele faz tudo para a Sua glória – ao exercer Justiça, ao exercer misericórdia.