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    Como podemos evitar “viver para nós mesmos?”





    O que deve nos controlar e motivar a viver em obediência alegre?

    Se somos cristãos nossa justiça flui totalmente de Cristo. Nós só amamos Deus porque Ele nos amou primeiro (1 Jo 4). Paulo diz em 2 Co 5.14-15, que é o amor a Cristo em sua obra concluída e perfeita é onde reside toda nossa motivação: “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” - 2 Coríntios 5:14-15


    Mas a questão que permanece é: como podemos evitar “viver para nós mesmos” mesmo em nossa “obediência”  e em nossa busca para produzir frutos de obediência diante de Deus? Queremos evitar o antinomianismo, que é o desprezo e abandono da Lei de Deus (Viver uma vida que na prática, não expressa o caráter de Deus). Também queremos evitar o Legalismo, algo exterior apenas e que me faz achar ser aceito por Deus baseado em meus atos, me faz achar ter méritos diante de Deus e me afasta da verdade que o homem só é aceito com base na justiça perfeita de Cristo.


    Paulo resume a verdadeira caminhada com Deus em 2 Coríntios 5.14,15 – o que nos dá direção. Se somos controlados, ou constrangidos pelo amor de Cristo por nós, então não vivemos mais para nós mesmos, mas para aquele que morreu por nós e ressuscitou.


    A Bíblia ensina que se nós realmente confiamos somente em Cristo e que esta obra foi operada em nós pelo Espírito e que nossa fé fluiu da graça, então somos novas criaturas (2Co 5.17). Se somos novas criaturas, somos amados e temos uma nova disposição que foi criada dentro de nossos corações. Essa nova disposição para amar a Deus e viver para Ele não é algo que poderia ser realizado em nossos próprios esforços.


    Como cristãos cremos que a graça de Deus criou em nós nova vida em Cristo (Ef 2.1-10), e então devemos confiar na graça de Deus para continuar a nos transformar ao longo da vida cristã. “tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?” - Gálatas 3:3 – Perguntou Paulo aos gálatas. A presença do amor de Deus em Cristo em nossos corações deve nos levar a uma contínua mudança por seu poder “constrangedor”.


    De um lado temos o ensino bíblico de 2Co 5.14,15 – de que o amor de Cristo controla o crente. No outro extremo temos as formas mundanas de pensar em agradar a Deus (que são produzidas pela “carne”).


    Quando Deus nos chama à obediência ( Santidade ) na vida cristã, se olharmos para isso com formas mundanas de pensar, gostaríamos responder com um “eu não” – é assim que o mundo vive – “eu vou fazer o que mais desejo fazer” – Isso é antinomianismo, e disfarçar esse coração frio para com a verdade chamando isso de graça, não esconderá o motivo real, ninguém tomado pela graça é levado a desprezar a Deus e amar ao pecado. Ou podemos responder: “é melhor eu obedecer senão eu...” – O que denota um temor servil de escravidão. “Senão irei para o inferno, vou ficar doente, vou ser infeliz...” – A partir daí, mesmo que me dirija na direção da orientação bíblica, sou legalista, não compreendi a graça. É como levar flores para minha esposa numa data especial e ouvir: “Ah! Você é um amor, um doce...” – e responder simplesmente – “Sou seu marido, esse era o meu dever, minha obrigação”


    Mas quando estamos morando em 2Co 5.14,15“Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” – Tenho a resposta do amor: “Como posso não fazer isso?” “Como posso não obedecer meu Deus?” – Como José disse no Egito: “...como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?” Gênesis 39:9 – “Como posso não fazer a vontade daquele que me amou e se entregou a morte por mim? Ele entregou sua vida para que eu não vivesse mais para mim mesmo, mas para Sua glória’. Esse é o padrão bíblico de obediência. É o amor que nos constrange a não vivermos mais para nós mesmos. Eis a grande necessidade de crescermos diariamente na compreensão da obra concluída de Cristo.


    Muitos parecem saber o que é certo e as consequências de não fazer a vontade de Deus, mas suas motivações são auto-centradas, focadas no medo ou no orgulho. Tenho medo do que pode acontecer... (medo)... não sou como aqueles homens... (orgulho)  - “O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: O Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano”. Lucas 18:11 – Essas coisas podem produzir um comportamento exterior que parece cristão, mas não fluem da verdade bíblica e nem da operação do Espírito Santo. Leva a auto-satisfação, leva a busca da aprovação e louvor dos homens  ( Gl 1.10). Eis os caminhos sutis do coração enganoso do homem (Jeremias 17.9 – Rm 3.9). Deus sonda nossos corações (Hb 4.12-13). Podemos enganar os outros e até a nós mesmos.


    Se quisermos ser controlados pelo amor no caminho da santidade, então isso vai ser por graça e obra sobrenatural do Espírito Santo. Só a transformação de nossos corações e desejos pode nos levar a ser controlados pelo amor de Cristo. Só pode ser vivido neste mundo mau caminhando perto, em comunhão e intimidade com o Deus vivo.


    Somos controlados pelo amor de Cristo. Para todos os que não são controlados por esse amor – ““Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” – com todas as suas “obras” ouvirão um dia: “Nunca vos conheci... apartai-vos...”
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