• Puro conteúdo Reformado!

    ReformedSound

    .

    .

    Deus não precisa de nós para defendê-lo.




    “O Senhor faz tudo o que lhe agrada, nos céus e na terra, nos mares e em todas as suas profundezas.” - Salmos 135:6


    Deus é amor?  Ao desejarmos defender essa verdade com argumentação e sabedoria humana – que nunca vê a glória de Deus como tão digna como ela é, e como Deus é centrado nela, toda espécie de desvios da verdade se estabelecem em nosso meio – ou minimizamos o pecado, ou minimizamos a soberania de Deus, ou...


    Certa vez os discípulos viram um homem cego de nascença – a pergunta veio imediatamente a suas mentes: “Quem pecou – ele ou seus pais, para que nascesse assim?” – A pergunta era errada, o que não impediu de Jesus lhes dá a resposta certa – “Nenhuma das duas opções!” – A incapacidade do homem foi divinamente ordenada para que as obras de Deus recebessem maior glória. Sim, um homem foi cego por décadas, para que a glória de Deus brilhasse mais intensamente.


    Ao revelar o propósito maior e final da cegueira desse homem, Cristo não estava negando que ele, como seus pais, eram de fato pecadores – Cristo estava negando qualquer ligação direta de causa e efeito entre o pecado pessoal desse homem e seus pais (que eram muitos) – com sua cegueira.


    Jesus afirma claramente – Este homem nasceu cego “a fim de que as obras de Deus se manifestassem nele” – João 9.3


    Chocante! Que outra palavra poderíamos ter para esta declaração? Foi chocante essas palavras para o ouvido dos discípulos. Toda a cultura religiosa dos dias deles, resistia – como a nossa – a ideia de que Deus poderia ser o responsável por deixar uma pessoa “inocente” ( que aos olhos do mundo não seja má ) – sofrer de alguma coisa – como cegueira. “Deus não tem nada a ver com isso!” – pensavam. Não se ouve nada diferente hoje.


    Eles pensavam – Um Deus bom, santo... um Deus que é amor, não pode fazer uma coisa dessas. Ele nunca permitiria que alguém sofresse de propósito. Portanto, a multidão e toda a cultura daqueles dias, certamente concordaria com o julgamento dos discípulos. Deve ser a mãe, o pai, ou ele mesmo... quem sabe o diabo? – que causou a cegueira de alguma forma. Observe, porém, que Jesus não faz nenhuma tentativa ( como é comum hoje ), para colocar Deus fora do gancho, por assim dizer – por fazer algo assim, “uma coisa tão cruel como a cegueira...”


    Em vez de tentar fazer Deus parecer melhor a todo custo – a custa da verdade e da glória de Deus e do engrandecimento do homem – ao invés de simplesmente tentar fazer Deus parecer mais amoroso do ponto de vista humano antropocêntrico, mais compassivo e misericordioso – Jesus deixou perfeitamente claro que a cegueira do home se encaixava perfeitamente no plano soberano de Deus. Sequer Jesus se deixou enredar num debate sobre as possíveis causas secundárias da cegueira do homem. Os discípulos queriam saber: “Qual é o pecado específico que podemos apontar?” Quem é o culpado?  Na mente de Jesus – ao contrário de toda a cultura ao seu redor -  não havia nenhum dilema naquilo tudo. A “culpa” – se quisessem chamar assim – pertencia a Deus.


    O homem nasceu cego – diz ele – porque assim Deus o teceu no ventre de sua mãe. E isso foi feito com um propósito específico. Este homem com sua deficiência seria uma ferramenta nas mãos de Deus para trazer ao seu Criador e Salvador que é totalmente digno, a maior glória. Deus receberia maior glória como resultado da cegueira congênita do homem do que se ele tivesse nascido são e vendo o mundo. Dessa forma que as obras de Deus se manifestariam nele e para isso o homem foi criado – não apenas nascido – cego.


    Nisto residia o propósito fundamental da incapacidade e deficiência – chamar a atenção para Deus! A deficiência física foi um meio ordenado por Deus para exibir sua sabedoria. É ainda um meio de mudar nosso foco – ligado a terra – e tão somente no homem – em direção ao que é infinitamente mais valioso.


    Era isso que Cristo – Deus andando na terra – estava ensinando naquele dia. Você vê – Deus não precisa de nós para defendê-lo. Ele não precisa de nós para chegarmos a explicações centradas no homem que sejam plausíveis para a razão de crianças nascerem no mundo com diferentes tipos de deficiências, a fim de tentar livrar Deus do embaraço dessas situações. Deus não faz apologia de suas ações. Ela assume o crédito pela criação de cegos, surdos... Ele disse a Moisés: “E disse-lhe o Senhor: Quem fez a boca do homem? ou quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor?” - Êxodo 4:11


    Deus é bom e sábio, e, portanto, seus planos são bons e sábios – o caráter dEle é que define bondade, sabedoria... e não a cultura ímpia e má em que vivemos, para a qual Deus e sua glória nada são.


    Jamais devemos fazer Deus a nossa imagem, ou alterar a sua natureza para conformar a nossa a fim de torná-lo menos soberano  para que nossas pequenas mentes e a cultura que nos envolve não se sintam ofendidas. Deus é quem ele é – absolutamente soberano. Se ele decide criar algumas pessoas cegas, surdas, ou com todo tipo de deficiências que possamos imaginar – Ele não tem o direito de fazê-lo? Bem, é claro que sim – e Ele diz: “Eu faço!”


    No fim das contas toda a história é sobre Ele e o que lhe trará maior glória – glória que Ele merece em meio a uma criação que nada merece senão justiça – “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” -  Romanos 3:23


    Ele é Deus e nós não somos. Ele realmente pode, faz e fará tudo o que Ele quer – e Sua glória enfim, um dia encherá a terra como as águas cobrem o mar – “O Senhor faz tudo o que lhe agrada, nos céus e na terra, nos mares e em todas as suas profundezas.” - Salmos 135:6 – Esse é nosso Deus – Isso que Jesus ensinou aos discípulo naquele dia. Nós já aprendemos a lição?