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    A maioria dos cristãos não entende como Jesus nos motiva.



    Quando não desejamos fazer algo, muitas vezes aceitamos a nossa aversão como se fosse a direção de Deus. Naturalmente amamos o caminho de menor resistência – cada questão da vida temos a tendência de abordar com a pergunta: “Qual é o mínimo que posso fazer, ou dar, contribuir... ou colocar em para ter o máximo de retorno?” Não encontramos a vontade de Deus assim – apenas conseguimos entorpecer nossas consciências. A verdade é que há MUITAS coisas que somos chamados a fazer, que corre ao longo das linhas de risco e sacrifício – o que naturalmente causará desconforto, apreensões...

    Motivação é essencial, mas sem entendermos a forma como Jesus nos motiva, como vamos obedecer os Seus mandamentos?

    A grande maioria dos crentes não entendem como Jesus nos motiva. Muitos pensam que há algo errado com ser motivado pela recompensa... muitas vezes, de fato, é uma atitude meramente mercenária... mas muitos se sentem assim, mesmo quando a recompensa é o próprio Deus.

    C. S. Lewis escrevendo sobre isso, corrige muitos erros comuns sobre motivação, auto-negação e recompensas.

    Diz ele:

    “O Novo Testamento tem muito a dizer sobre a auto-negação, mas não e nada sobre a  auto-negação como um fim em si mesma.

    Somos instruídos a negar a nós mesmos e tomar a nossa cruz, a fim de que possamos seguir a Cristo, e quase todas as descrições do que vamos descobrir se fizermos como Deus nos ordena em Sua Palavra, contém um apelo ao desejo.

    Se no funda da maioria das mentes modernas se esconde a noção de desejar o nosso próprio bem e esperar desfrutá-lo ser uma coisa ruim e que desenobrece a atitude e motivação, eu afirmo que essa noção vem de Kant e dos estoicos e não da fé cristã.

    De fato, se considerarmos as promessas descaradas de recompensa e da natureza impressionante das recompensas prometidas nos Evangelhos, parece sempre que o nosso Senhor encontra nossos desejos não muito fortes, mas muito fracos.

    Somos criaturas indiferentes, enganados sobre bebida, sexo e ambição... quando infinita alegria nos é oferecida, como uma criança ignorante que quer continuar a fazer e brincar com tortas de lama na favela porque simplesmente não consegue imaginar o que significa a oferta de umas férias na praia.

    Nós somos muito facilmente satisfeitos. – C. S. Lewis, The Weight of Glory.

    Quando Cristo diz: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará...” – Marcos 8.34-38.

    É impossível nos apoiarmos em nosso próprio entendimento e abraçarmos essa verdade – “Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento” - Provérbios 3:5 -

    Há muitas, muitas coisas que você foi chamado para fazer que você não vai "sentir" que deve fazer. Em vez de basear a vontade de Deus em seus caprichos, busque a sabedoria da Palavra de Deus. Nela a profundo incentivo.

    A coragem é a vontade que prevalece de enfrentar uma ameaça temível. E a coragem vem da esperança - uma esperança em algo mais forte do que o que tememos.
    O desânimo se instala quando a nossa esperança está vazando. É uma espécie de rendição ao nosso medo. Quando isso acontece, e isso acontece muitas vezes, o que precisamos é uma infusão de esperança. Isso é o que é o incentivo.
    Em um dos maiores clássicos da história do cristianismo, Willian Gurnall (1616-1679)  diz:

    “Aqueles pecados que ficaram durante tanto tempo mais próximos do seu coração devem agora ser pisados sob seus pés. E isso exige coragem e resolução!

    O soldado é convocado para uma vida ativa, e assim é com o cristão. A própria natureza da vocação impede uma vida de facilidades. Se você estiver pensando em ser apenas um soldado de verão, considere a sua comissão com cuidado e veja se ela é real. Suas ordens espirituais são rigorosas. Como o apóstolo Paulo fala sobre tomar a armadura, sobre o soldado sofrer as aflições como um bom soldado... eu não quero que você seja ignorante quanto a este ponto, e, portanto, olhe as diretrizes.


    Aqueles pecados que ficaram tanto tempo mais próximos do seu coração, que eram ídolos do coração, devem agora ser pisados e esmagados sob seus pés. E que coragem e a resolução tudo isso exige! Você acha que Abraão foi testado ao limite quando chamado a tomar Isaque... “o teu único filho... aquele que tu amas” (Gênisis 22.2), e oferecê-lo com suas próprias mãos? Mas o mesmo é dito a você. “Alma, pegue a concupiscência, que é o filho querido do coração, seu Isaque, e pecado do qual você dependeu a vida toda e do qual tirou e pretendia ganhar o maior prazer. Coloque as mãos sobre ele e o ofereça... derrame todo o seu sangue diante de mim; execute e use a faca sobre o coração dele, e o faça com alegria".

    Isso, normalmente, é mais do que o espírito humano pode suportar ouvir. Nosso desejo, naturalmente, não caminha tão pacientemente para o altar como Isaque fez, nem vai mudo como o Cordeiro que foi levado ao matadouro ( Isaías 53.7). Ao contrário de Isaque e Cristo, nossa carne vai rugindo e gritando, rasgando o coração com seus gritos horríveis. Na verdade, quem pode expressar o conflito, as lutas, as convulsões que o nosso espírito tem de suportar antes que possamos colocar o nosso coração alegremente sobre esta ordem do Senhor? Ou quem pode contar totalmente a esperteza com que tal desejo se defende por si mesmo... tão convincente... tentando mostrar olhos inocentes...?
    Quando o Espírito nos convence do pecado, Satanás sempre tem um contra-argumento: “Você deve poupá-lo por um tempo... por que não tentar fazer isso aos poucos?” Ou tentará corromper a alma fazendo um voto de segredo: “Você pode mantê-lo de forma discreta e com isso manter também uma boa reputação. Ele não será visto em sua companhia pelos outros, ele não será visto em sua companhia para vos envergonha entre seus amigos, conhecidos, irmãos... Você pode fechá-lo no sótão de seu coração... fora da vista de todos... então você sozinho poderá experimentar e ter seus abraços selvagens em seus pensamentos e afetos no mais puro e seguro segredo.”

    Como vimos, a abnegação é uma parte essencial do seguir a Cristo. Há muitos, muitos desejos que devemos negar... Mas Jesus nos motiva a dizer não a esses desejos nos prometendo um desejo melhor – um que vai realmente nos satisfazer: “Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo.” - Mateus 13:44


    C. S. Lewis explica que o desejo verdadeiramente satisfatório é – claramente expresso na Palavra de Deus como o Próprio Deus na pessoa de Jesus:

    “Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?” - Salmos 42:1-2

    "Quem tenho eu no céu senão a ti? e na terra não há quem eu deseje além de ti. A minha carne e o meu coração desfalecem; mas Deus é a fortaleza do meu coração, e a minha porção para sempre.” - Salmos 73:25-26

    “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.” - Filipenses 1:21

    “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo” - Filipenses 3:8

    Ele e somente Ele é o prêmio! Então, quando pecamos, não estamos desejando muito prazer, nós estamos na verdade nos conformando com muito pouco, se é que podemos chamar de prazer na comparação – “O vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura.” - Isaías 55:1-2

    O caminho para vencer o pecado não está na agitação da força da nossa vontade para dizer não – mas em estar completamente motivados e agitados em nossos corações em dizer sim para a alegria toda satisfatória do conhecimento de Cristo: “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo” - Filipenses 3:8

    Em Sua própria experiência Cristo age e nos ensina assim.  A cruz não foi encarada como um fim em si mesma. Hebreus 12.2 é um grande exemplo de olhos focados na recompensa, na recompensa certa que tudo compensa... Cristo suportou a cruz pela alegria que ela acabaria por trazer a ele: “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.” - Hebreus 12:2

    Jesus foi obediente ao plano do Pai, pois ele iria trazer grande glória ao Seu nome. Deus seria glorificado, que por sua vez é o deleite de alegria plena na Trindade, e que os seus eleitos poderiam também se juntar a isso e experimentar essa alegria plena... e Satanás e suas mentiras seriam completamente expostas e derrotadas.

    A frase “desprezando a vergonha” – muitas vezes é esquecida... Cristo se humilhar ao ponto mais baixo, se tornar humano... e ir ao ponto mais baixo dessa humilhação como homem... e provar a fraude que o pecado é e quão mentiroso Satanás é. Devemos pensar na cruz, não conosco no centro... mas pensarmos que ela é tudo e toda sobre Deus e sua fidelidade, santidade e ódio infinito ao pecado... ao amor incomparável de Deus a Sua glória que é “roubada” em cada pecado, e a vindicação do Seu Nome Santo.

    Deus é santo, perfeito, fiel... e isso é motivo de grande alegria. Desfrutar de tudo que Deus é, é nossa alegria eterna... queremos e desejamos isso, mais prazer, e não menos.