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    O Evangelho é importante ou tem importância Central?




    Apesar de falarmos da importância central do evangelho, na prática, na maioria das vezes, nos nossos cantos de lamento, mostramos que o evangelho não ocupa de forma nenhuma o primeiro lugar.


    A questão é como relacionamos nossas aflições, e como agimos nela de tal maneira que o glória do evangelho seja manifestada. Aqui, não tem espaço nem para discutirmos se nossas aflições são grandes demais, ou constantes demais, ou sem interrupção... elas acabam por mostrar o que está em primeiro lugar em nossas vidas apesar dos discursos bonitos que possamos estar fazendo sobre o lugar que o evangelho ocupa em nossa vida.


    Paulo diz assim em Filipenses 1.12-18


    “E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho; De maneira que as minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana, e por todos os demais lugares; E muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor. Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa vontade; Uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões. Mas outros, por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho. Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda”.

     
    Esta lendo esses dias sobre um missionário chamado Martin Burnham, que foi morto a tiros. Ele e sua esposa, Gracie, foram sequestrados por Abu Shyyah, um grupo islâmico ligado a terroristas da Al-Qaeda, do já morto Osama bin Laden. O casal tinha saído de férias para celebrar seu aniversário de 18 anos de casamento em um resort numa ilha nos Filipinas e foram sequestrados por esses criminosos.


    Seus três filhos, Jeff 15 anos, Mindy de 12 anos e Zac de 11 anos, ficaram na espera angustiante da volta dos pais aos EUA por um ano, apoiados pela família e pela pequena igreja em Rose Hill, Kansas.


    Eles constantemente oraram por proteção e liberação de seus pais. Toda a igreja orou constantemente para que os missionários fossem mantidos seguros. Milhares ajudaram com recursos financeiros e juntaram os $300 mil dólares exigidos como resgate... Gracie sobreviveu ao horror do sequestro, mas não seu marido, Martin.


    Deus permitiu que seu marido fosse morto. Por quê? Por que uma cristã como Gracie se torna viúva de forma tão traumática com 40 anos de idade? Por que três crianças têm de crescer sem um pai? Por que as pessoas nas Filipinas que precisam tanto ouvir de Cristo perderam o privilégio do ministério de Martin por causa de um assassinato inútil? Por que o resgate de $ 300 mil dólares que foi pago não conseguiu a libertação de Martin? Muitas vezes levantamos pilhas de “por quês” – Desejando entender o conhecimento de Deus e sua sabedoria por baixo de todas as coisas.


    Paulo fez algo diferente em situação desesperadora. Paulo faz ma referência de passagem em nosso texto – “o que aconteceu comigo” – ( verso 12 ) – Ele não fala como se isso o houvesse devorado. A viagem a Roma, tão sonhada de forma diferente... que podemos imaginar seria fundamental... o maior missionário da história, pregador... na capital do mundo... não foi feita como tanto ele planejara, mas em cadeias. A viagem que deveria ter levado semanas, levou muitos meses. Ele quase se afogou no caminho... sofrimento, sofrimento...


    Ele então, estando em Roma, passou anos na prisão. Na verdade, alguém já disse, que como cristão, depois que se tornou cristão – o que é verdade – Paulo passou mais anos na prisão do que fora dela. Foi uma looonnga jornada para Paulo estar agora na prisão de novo sentado escrevendo esta carta. Alguns anos antes ele foi avisado o que o esperava: “E agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer, Senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações.” - Atos 20:22-23


    Logo tudo aconteceu. Embora Paulo de forma nenhuma tenha precipitado a hostilidade não querendo ofender os escrúpulos dos judeus (Atos 21.26) – uma acusação completamente falsa foi colocada sobre ele: “Clamando: Homens israelitas, acudi; este é o homem que por todas as partes ensina a todos contra o povo e contra a lei, e contra este lugar; e, demais disto, introduziu também no templo os gregos, e profanou este santo lugar.” - Atos 21:28 – Nós não temos a idéia e o temor que deve despertar quando uma multidão decide nos linchar... mas essa foi a situação. Ele acabou numa prisão romana, depois de com muita dificuldade escapar do linchamento da multidão por ser cidadão romano:


    "Tira da terra um tal homem, porque não convém que viva. E, clamando eles, e arrojando de si as vestes, e lançando pó para o ar, O tribuno mandou que o levassem para a fortaleza, dizendo que o examinassem com açoites, para saber por que causa assim clamavam contra ele. E, quando o estavam atando com correias, disse Paulo ao centurião que ali estava: É-vos lícito açoitar um romano, sem ser condenado? E, ouvindo isto, o centurião foi, e anunciou ao tribuno, dizendo: Vê o que vais fazer, porque este homem é romano. E, vindo o tribuno, disse-lhe: Dize-me, és tu romano? E ele disse: Sim. E respondeu o tribuno: Eu com grande soma de dinheiro alcancei este direito de cidadão. Paulo disse: Mas eu o sou de nascimento. E logo dele se apartaram os que o haviam de examinar; e até o tribuno teve temor, quando soube que era romano, visto que o tinha ligado". - Atos 22:22-29

    Apesar de seu caso ser um absurdo segundo as leis dos seus dias, tudo estava do lado dele, ele foi esquecido e ficou anos esperando e esperando... numa cadeia. Ele foi objeto de insulto e vergonha (Atos 23.2), deturpação maliciosa (24.5; 25.6) – injustiça e trama para assassiná-lo (23.12; 25.1) – Ele foi mantido preso devido ao desejo dos políticos por popularidade e agradar a multidão (24.27) – por causa de dinheiro (24.26) – ou por causa da fachada do legalismo vigente (26.32). 

    Ah! O dolo e negligência, a difamação que cercava e cercou sua pessoa... toda a posição e nome que esse homem há tinha tido na vida agora estava no lixo.

    Como Paulo chama tudo isso? Paulo chama tudo isso apenas de “o que aconteceu comigo...”

    Ele era tinha uma personalidade dinâmica, enérgica, criativa... estava sempre pronto para em todo lugar proclamar a Verdade de maneira apaixonada... Como é frustrante para um homem tão talentoso ser preso tantas vezes sofrer de todas as formas possíveis, ser humilhado publicamente várias vezes sendo açoitado...anos e anos em celas. Quantas necessidades poderiam ser supridas se todos esses anos ele estivesse solto?
    Planos? Ele havia planejado pregar em Roma, mas não chegar lá preso em grilhões. Ele havia planejado levar o evangelho para o outro lado do Mediterrâneo até a distante Espanha. No caminha para a Espanha ser evangelizada, ele planejava passar um bom tempo com a igreja de Roma e compartilhar com eles a verdade de Deus.


    TODOS esses planos fracassaram. Em vez disso, Deus lhe deu uma cela fria, uma cama de palha, uma má alimentação, preso a soldados lascivos de plantão... Por quê? Não podemos na maioria das vezes ter uma ideia clara das razões pelas quais Deus está lidando conosco de determinada maneira em cada caminho particular da vida. Mas esse homem, Paulo, foi o homem mais usado por Deus na história humana. Em um livro famoso do puritano John Flavel, ele nos lembra sobre “O Mistério da Providência” – Neste fascinante texto, Paulo nos dá uma séria de razões para os seus sofrimentos, e tanto a sua atitude como os princípios que estabelece, são de ajuda singular para chegarmos  em um acordo com todos os nossos problemas, para manifestarmos a glória de Deus e mostrarmos como o evangelho ocupa o primeiro lugar e não nós mesmos, em nossa peregrinação terrena curta e incerta. Pensemos em todos os grupos, nações, pessoas individuais... que foram afetados pelas prisões de Paulo. Começando por exemplo com esta pequena igreja dos Filipenses até a nossa própria vida.


    Vamos olhar esses princípios nos próximos posts...

    Até lá!!