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    Raiva, cobiça e desânimo.




    O poder de Deus opera em seus filhos para os transformar de modo que possam amar seus inimigos, resistir aos apelos da ganância que vem de todos os cantos do mundo e se gloria nos sofrimentos da vida.


    Mas o fato é que muitas vezes a condição das pessoas é a de não experimentar esse poder em suas vidas. Muitas vezes a raiva contra os inimigos prevalece, o poder da cobiça flui e o desânimo com os sofrimentos e provações chegam e inundam o coração.

    A questão é: como essas pessoas podem experimentar o poder de Deus tão claramente exposto em Sua Palavra para todas essas circunstâncias?


    Em primeiro lugar não temos nenhum ponto de apoio sem a compreensão da nossa nova identidade em Cristo. Se o homem está em Cristo, pense nas condições que essa salvação trouxe ao olhar  a condição anterior a regeneração:

    - Alienados de Deus: “Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” - Efésios 4:18

    -  Debaixo da ira de Deus: “Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.” - Efésios 2:3

    - Escravizados pelo pecado: “Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” – Romanos 6.17,18

    - Mortos em pecado: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados” - Efésios 2:1


    - Inimigos de Deus: “Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” - Romanos 5:10


    Isso era a condição anterior. Podemos ainda pensar em toda essa condição e sentir a desesperança, o desespero...


    Mas exatamente nessa condição que Deus olhou para nós e mostrou no tempo o amor com que nos escolheu na eternidade. E nos deu seu Dom maior – Jesus Cristo, seu Filho Amado. E nele somos agora:


    - Perdoados por Deus: “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça”  Efésios 1:7


    - Justificados em Cristo: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” - Romanos 5:1


    - Amado por Deus: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” - Gálatas 2:20


    - Adotado por Deus:  “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” - Efésios 1:5


    - Justo aos olhos de Deus: “Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.” - Romanos 5:17


    - Novas criaturas em Cristo: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” - 2 Coríntios 5:17


    - Mortos para o pecado e vivos para Deus: “Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor.” - Romanos 6:11


    Quando temos a visão clara de como estamos em Cristo, nossa desesperança e desespero desaparecem. Estamos totalmente perdoados, o poder do pecado está quebrado... e Deus se regozija em nos fazer o bem e operar todas as coisas para isso.

    É óbvio então que o caminho da obediência passa em primeiro lugar por entender quem somos agora em Cristo. Mas de fato, só entender isso não é suficiente. Muitas pessoas ensinam que basta entender que estamos assim em Cristo e o poder para obedecer vem automaticamente da visão dessa identidade.


    Mas isso não é o que o Novo Testamento diz, ele vai além disso. Ela fala que a transformação vem de contemplar Cristo: “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” - 2 Coríntios 3:18


    Paulo está falando aqui exatamente como somos transformados. E o que ele enfatiza como aquilo que nos transforma? Estar contemplando a glória do Senhor na face de Cristo.


    Mas toda a questão é: Como isso funciona?

    Pensemos na mentira, por exemplo – você cometeu um erro no trabalho. Você sente a pressão e deseja mentir sobre o acontecido para evitar não só o constrangimento, mas uma possível perda de cargo, função... Como então eu posso experimentar a transformação e não me sentir pressionado para a mentira?


    Paulo diz – é por contemplar a glória de Deus na face de Cristo. Ou seja, naquele momento, Cristo está diante de mim com promessas específicas:


    - A minha presença e comunhão irá satisfazê-lo infinitamente mais do que a boa aparência, função... no trabalho – “Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente.” - Salmos 16:11


    - Me obedecendo você terá mais da minha presença transformadora – “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.” - João 14:21


    - Me buscando em primeiro lugar você terá todo recurso necessário para a vida – “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” - Mateus 6:33


    Se eu realmente contemplo Cristo de pé diante de mim, se eu vejo a glória de Deus em sua face... com essas promessas – meu coração vai sendo transformado de glória em glória – eu não quero mentir. Eu quero dizer a verdade, pela razão de que confio que Ele irá me satisfazer mais do que a boa aparência preservada pela mentira, que Ele dará a mim o necessário mesmo que eu perca a minha função ou cargo. Mas o problema aqui é que eu não estou vendo Cristo – e por isso desejo mentir – então como posso vê-lo? Eu poderia ir a minha sala, fechar a porta e orar. Ir a Cristo como estou e confessar que em meu coração cresceu o desejo de mentir por não estar vendo Ele de forma clara como devia. Pedir perdão por isso e para mudar meu coração abrindo cada vez mais os seus olhos. Eu poderia abrir a Bíblia e orar com base sobre as promessas que vimos, até que o Espírito fortalecesse a minha fé para eu ver, sentir e confiar em tudo o que Jesus promete e é para mim, deleitando-me em tudo que ele é. Isso muda tudo. Eu não quero mentir. Eu quero dizer a verdade. E como Paulo diz, tudo isso vem de contemplar e me satisfazer em tudo que Cristo é em comunhão com ele – comunhão que seria quebrada pela mentira – o que definitivamente meu coração não deseja.
    E como minha identidade em Cristo é fundamental nisso? Ela é essencial. Porque quando sou tentado a pecar, não estou vendo Cristo... e a única maneira de vê-lo, é indo a Ele como estou, confiando nesta posição, que Ele me ama, me perdoa e muda o meu coração para mais uma vez vê-lo de maneira clara, o que me firma em suas promessas muito mais desejáveis que os apelos do pecado ao meu novo coração.


    Agora, se eu não entendo quem eu sou, minha identidade em Cristo – se acho que ele está contra mim, irado... se acho que tenho que ganhar o seu amor antes de receber sua ajuda toda-poderosa, eu não vou buscá-lo. Vou simplesmente racionalizar minha fraqueza e justificar minha mentira. Mas se não buscá-lo não vou experimentar o poder do Espírito me capacitando a vê-lo, e não vou ser mudado. O que significa que ainda vou querer mentir por desejar a “recompensa” da mentira – minha reputação, meu cargo... mais do que a comunhão com Cristo.


    Então, a visão correta da minha identidade em Cristo é essencial, mas não suficiente. O que nos transforma diariamente de glória em glória é ver, contemplar a glória de Deus na face de Cristo – isso muda diariamente o coração...


    Contemplar Cristo é que nos muda diariamente, mas se você não entender quem é agora em Cristo, será como se estivesse usando óculos extremamente sujos. O que impede uma visão clara e extremamente necessária. Mas quando se lembra de fato quem você é em Cristo, é como se os óculos fossem limpos. Mas se tudo que fazemos é lembrar quem somos nossos óculos ficarem limpos... será insuficiente, pois com os óculos limpos, temos agora que olhar para Cristo. Óculos limpos só serão úteis se olharmos através deles para Cristo. Então limpar os óculos é essencial, mas não basta – depois disso nos concentramos em contemplar tudo que Deus é para nós em Cristo... a glória de Deus na face de Cristo e então somos transformados de glória em glória.