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    El Dorado Canyon - Nosso adultério!




    Em um clássico do cinema – “Lawrence da Arábia” de 1962 – Arthur Kennedy diz: “Você respondeu sem dizer nada. Isso é política.” – É isso que somos quando somos vagos sobre a Verdade para o mundo não ficar ofendido.


    Mas para que fomos chamados? Isso me faz lembrar um fato histórico recente –  Em 5 de abril de 1986, um ataque terrorista foi lançado na La Belle, discoteca em Berlim Ocidental, na Alemanha, um local de entretenimento que era popular entre os soldados dos Estados Unidos. Uma bomba colocada debaixo de uma mesa perto de cabine do disk jockey explodiu ás 01:45 matando três pessoas e ferindo cerca de 230 pessoas, incluindo 79 soldados americanos.


    Logo foi determinado, para além de qualquer dúvida, que a Líbia tinha sido a responsável pelo ataque.


    Depois de vários dias de negociações diplomáticas com parceiros europeus e árabes, o presidente Ronald Reagan concluiu que um ataque aéreo de retaliação seria necessário – que foi nomeada como Operação El Dorado Canyon.

    No entanto, foi negado aos Estados Unidos voar sobre o território  da França, Espanha e Itália, bem como o uso de bases aéreas da Europa continental. Isso exigiria que os caças voassem em torno da França, Espanha e através do Estreito de Gibraltar, somando milhares de quilômetros em cada sentido e exigindo múltiplos reabastecimentos no ar.


    Assim, os Estados Unidos precisavam de permissão da Inglaterra para lançar seus caças a partir de bases aéreas localizadas no Reino Unido.


    Em seu  gabinete na Casa Branca, o presidente Reagan chamou a primeira-ministra Margaret Thatcher numa ligação no viva-voz. Depois de explicar os fatos, o presidente Reagan disse: "Senhora Primeira-Ministra, os Estados Unidos precisam da sua permissão para lançar nossos combatentes das bases em seu país. Com o devido respeito, a Sra. Thatcher, solicitamos essa permissão."


    Margaret Thatcher respondeu: "Eu entendo, Sr. Presidente. Meu gabinete está presente, e todos ouviram o seu pedido. É apropriado que eu pergunte o pensamento de cada um." Começou então a consulta de cada um de seu gabinete. "O que você diria Lord W_____?" Não, ele trovejou em resposta. "O que você diria Lord H_____?" Não, foi a resposta. "O que você diria Mr. B_____?" Não.


    E assim por diante ao redor da sala. Cada resposta simples do gabinete foi: "Não."


    Ao final da votação, e depois de uma breve pausa, a Sra. Thatcher disse: "Sr.  Presidente. Permissão concedida. "


    Meu objetivo ao citar esse incidente histórico é simplesmente esta: A despeito de concordarmos ou não com Margaret Thatcher e suas políticas, não pode haver dúvida de que ela era uma mulher muito corajosa.


    Ela não tinha medo de levar seu país na contramão da opinião pública e até mesmo contrariamente ao conselho dos membros do seu gabinete. Para ela, a coragem era simplesmente a extensão de sua consciência, coragem foi a exibição de suas convicções íntimas. Nenhuma quantidade de oposição poderia convencê-la. Nenhum clamor público poderia induzi-la a um compromisso sobre o que ela acreditava ser o certo e o errado.


    Se alguma vez houve um momento na história da igreja que exigiu coragem teológica, esse momento  é agora. É muito fácil sermos covardes aqui, mesmo não se comprometendo com heresias óbvias.


    Como citei tempos atrás, grande parte dos falsos profetas de Israel não pregavam mentiras sobre Deus, simplesmente se calavam e omitiam o que os deixariam mal com os homens. Martinho Lutero fala sobre isso de maneira contundente.


    Martinho Lutero disse:


    “Se eu professar com a voz mais alta e mais clara expondo cada porção da Palavra de Deus, exceto precisamente aquele pequeno ponto que o mundo e o diabo estão naquele momento atacando, eu não estou confessando a Cristo... apesar de estar ousadamente professando verdades sobre Ele. Onde a batalha se enfurece, é lá que a lealdade do soldado é provada, é ser constante em toda a frente de batalha... é uma completa desgraça se ele recua nesse ponto específico que o inimigo está atacando furiosamente...”

    Como é fácil agirmos assim, professarmos apenas doutrinas que não nos deixem expostos a fúria da nossa cultura, geração... mas se ali, como disse Lutero, naquele pequeno ponto que o mundo e o diabo estão atacando furiosamente, recuarmos com medo... somos totalmente desleais e mostramos que nossa verdadeira lealdade está com o mundo e nossa cultura.


    O amor do mundo nos faz pessoas adúlteras – “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”. Tiago 4:4


    E repito: Esqueça a idéia de poder abraçar a Verdade menos a parte que nossa cultura mais despreza, ataca... Que o eco das palavras de Lutero possam estar em nossos ouvidos ou nos levantarmos a cada manhã, ao subirmos no púlpito, ao andarmos no meio da multidão...


    Os tempos apenas se repetem. O apóstolo Paulo enfrentou situação muito semelhante em seus dias. Em 2 Coríntios 3:17 , Paulo falou daqueles que eram "vendedores ambulantes da palavra de Deus." Com isso, ele  tem em mente alguém que dilui a força total do evangelho, eliminando (ou pelo menos minimizando) os seus elementos ofensivos, ou alterando certos pontos teológicos, de modo que o "produto" acabado será mais atraente para o público. O objetivo era, obviamente,  causar a menor ofensa possível e, assim, “ganhar” uma quantidade de adeptos tão grande quanto possível, e, especialmente, o dinheiro que vem com ele.


    Em 2 Coríntios 4:2 Paulo retorna a esse tema, mas com uma ênfase um pouco diferente. Aqui, ao descrever seu ministério pessoal, ele declara que ele se recusa "a mexer com a palavra de Deus", - “Antes, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam, não andando com astúcia nem falsificando a palavra de Deus” - 2 Coríntios 4:2 - mas em vez disso está comprometido com "a manifestação da verdade."


    A exortação para nós hoje é a mesma que a de Paulo. Sem nenhuma pretensão de ser original. Simplesmente é dito a nós, não interfira com a palavra de Deus, mas comprometa-se com a declaração aberta da verdade.


    Então, por que as pessoas "mexer" com a Palavra de Deus e por que é tão crucial que você se distanciar dessa prática destrutiva, desonrosa para Deus e fatal?


    Algumas pessoas "mexer" com a palavra de Deus, a fim de obter poder ou influência na igreja e no mundo, ou, talvez, para expandir sua base de poder. Para outros, é a maneira mais eficaz de aumentar a sua popularidade. Há sempre alguns que querem evitar a controvérsia e o desconforto que muitas vezes pregar a verdade cria. Com certeza  há mais do que apenas alguns que o fazem por causa da aversão pessoal para as duras verdades das Escrituras. Outros ainda vivem em constante medo de abraçar certas doutrinas bíblicas com medo de que isso certamente trará desprezo, desdém e zombaria daqueles cujo respeito e aceitação prezamos. Também pode haver qualquer número de agendas pessoais que exigem que a verdade de Deus seja tratada como uma espécie de nariz de cera a ser moldado, torcido e manipulado para conseguir o fim em vista.

    Mas, em muitos casos, as pessoas mexem e torcem  a Palavra de Deus simplesmente porque são covardes !


    Seria uma ingenuidade deliberada negar que isso está acontecendo em grande escala em nossos tempos. O tempo presente não é favorável a que os cristãos flertem com o espírito da época. Não podemos ser apáticos quanto à verdade que Deus nos confiou. Nosso dever é guarda-la, proclamá-la e transmiti-la à geração seguinte (1 Timóteo 6.20-21).


    Nós, que amamos a Cristo e cremos na verdade, precisamos ter plena consciência da realidade da batalha que ruge em nosso redor. Devemos cumprir nosso papel nesta peleja que já dura muitas eras.


    A pior estratégia para pregar o evangelho num clima como vivemos hoje é os cristãos imitarem a incerteza ou ecoarem o cinismo da perspectiva pós-moderna — e arrastarem a Bíblia e o evangelho para dentro dessa perspectiva. Em vez disso, precisamos afirmar, de modo contrário ao espírito desta época, que Deus falou com a maior clareza e autoridade, de modo definitivo, através de seu Filho - Hebreus 1.1-2. E temos, nas Escrituras, o registro infalível dessa mensagem: “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” - 2 Pedro 1:19-21


    O fim de tudo isso será trágico, pois agir assim não é de forma alguma um erro periférico, mas um erro fatal. Como Meryl Streep disse num filme de 2008 – “Doubt”“Cada escolha fácil terá sua consequência amanhã”


    “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” - Gálatas 6:7