• Puro conteúdo Reformado!

    ReformedSound

    .

    .

    Eric Clapton e o Cristianismo Narcisista Romântico!





    Em sua Biografia Eric Clapton conta que chegou ao fim de todos os seus recursos e que naquele instante ele instintivamente se voltou para algo além de si mesmo.


    Vivemos numa época que o “espiritual” ou “espiritualidade” vazios de um significado real e que redefine a vida, tem sido exaltado. Não vivemos numa cultura anti experiências “transcendentais”, mas tudo isso flui de tal forma que não toque na minha própria maneira particular de viver  nos meus próprios termos.


    Eric Clapton diz então:


    “Naquele instante, quase como se tivessem vontade própria, minhas pernas cederam e eu caí de joelhos. Na privacidade do meu quarto eu implorei por ajuda – cheguei ao fim dos meus recursos – Eu não tinha noção de quem ou com quem eu estava falando, eu só sabia que tinha chegado ao fim das minhas forças, eu não tinha mais como continuar lutando. Então eu me lembrei de ter ouvido falar sobre rendição, e isso era algo que eu pensei que nunca poderia fazer, meu orgulho não permitiria isso, mas então eu pedi ajuda, mesmo sem ter noção de a quem eu pedia, e, ficando de joelhos, me rendi.


    Em alguns dias eu percebi que alguma coisa tinha acontecido comigo. Um ateu provavelmente diria que foi apenas uma mudança de atitude, e até certo ponto isso é verdade, mas havia muito mais do que isso. Eu tinha encontrado um lugar para ir, um lugar que eu sempre soube que estava lá, mas que eu nunca quis, ou achei ser necessário acreditar. Daquele dia até hoje, eu nunca deixei de orar pela manhã de joelhos, pedir ajuda e, à noite, orar para expressar gratidão pela vida, e acima de tudo, por sobriedade. Eu escolho ajoelhar porque sinto que preciso ser humilde quando oro, e com o meu ego, isso é o máximo que eu posso fazer.”


    Se voltar para algo “além de si mesmo” (algo vago – baseado em percepções subjetivas ) é típico da “espiritualidade” de nossa época – no mundo – É algo que não leva o homem para o Deus real – é uma experiência enclausurada dentro do próprio ego do homem – começa no coração do homem, se firma em suas percepções e termina ali mesmo – no coração do homem. É um paganismo, que embora possa parecer bonito e tocante, nada mais é do que o homem orando e voltando-se para si mesmo como fonte do divino. Infelizmente essa também é toda a experiência na vida de muitos que se dizem cristãos.


    Essa espiritualidade narcisista romântica é toda experiência de grande parte dos que se dizem cristãos – não estão num lugar muito diferente do de Eric Clapton. Podemos colocar o nome de Jesus no meio dela, mas em nada difere da espiritualidade oca, subjetiva e confinada a si mesmo de nossa geração. Por exemplo, a letra de um hino expressa bem essa espiritualidade que agora se tornou “cristã” também:


    “Eu vim para o jardim a sós,
    Quando ainda havia orvalho nas rosas;
    E a voz que ouço em meu ouvido,
    O Filho de Deus revela.
    E Ele anda comigo, e Ele fala comigo,
    E Ele me diz que sou dEle,
    E a alegria que compartilhamos enquanto ficamos ali,
    Ninguém jamais conheceu...”


    O foco central de tal piedade  ( como a de Eric Clapton – apesar de aqui dizer ser com Cristo), é individualista, interior, flui das próprias percepções e é imediata. A pessoa caminha sozinha e experimenta uma alegria, paz, experiência... que “ninguém jamais conheceu”.  Como pode qualquer ortodoxia externa ( A verdade bíblica) dizer para esta pessoa que ela está errada em suas percepções? Ela não precisa, ela sente, ela sabe baseada nisso... ela tem algo que “ninguém jamais percebeu” – Ou seja, ela está dizendo – o meu relacionamento pessoal com Cristo ( como o de Eric Clapton com algum poder que ele não podia nomear ) é MEU. É pessoal e não pode ser julgado por nada a não ser minhas percepções. Não compartilho ele com a igreja, professores, e nem mesmo a Bíblia pode dizer que minha experiência não é real. Nem mesmo a bíblia ( que é externa a mim) pode abalar a minha confiança nas experiências singulares que tenho a sós com Jesus – Como as de Eric Clapton com a força e poder superior que o leva a estar de joelhos.


    É essa “espiritualidade” pessoal, pós-moderna, subjetiva... que tem caracterizado nossa geração. Ele se molda ao homem, ao que ele deseja, ao seu estilo de vida, a sua “moralidade”, ao seu conceito do que é bom... É uma espiritualidade narcisista que demonstra como o homem adora estar no trono e sempre ouve a voz da serpente: “E sereis como deuses”.


    Isso difere da Verdade revelada por Deus como o tudo difere do nada. O que leva o homem a Deus é uma ação de Deus operada pelo Espírito através da Palavra ( Algo externo ao homem – e não nascido em suas percepções caídas de um coração narcisista  fechado em si mesmo) - “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre”. - 1 Pedro 1:23




    Não são percepções, mas mudanças operadas no homem vindas de fora pelo poder regenerador do Espírito pela Palavra da Verdade. Sem espaço para frases vazias e misticismo supersticioso. O Espírito leva o homem a ver a realidade sobre Deus e de si mesmo pela Palavra externa e objetiva. Algo nunca visto antes, e não noções etéreas vagas, são profundamente manifestadas ao coração humano. Sua depravação, seu engano, e como esse coração não é confiável para ser a régua da experiência verdadeira com Deus ou do que é bom -  “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” - Jeremias 17:9 – Ele então é levado a algo que só  o Espírito pela verdade pode produzir – não “bons sentimentos vagos”, mas ao clamor: “Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos.” - Isaías 6:5 – Vê seu próprio pecado indesculpável: “E vendo isto Simão Pedro, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, ausenta-te de mim, que sou um homem pecador”. - Lucas 5:8 - e ele  repudia a si mesmo como uma coisa suja e imunda: “Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos.Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza”. Jó 42:5-6


    A realidade de tudo que Deus é lhe invade não subjetivamente, mas de forma objetiva faz o homem ver o que sempre esteve no centro de seu coração narcisista e que ele era incapaz de ver. Ele passa a ser guiado por um padrão externo:  “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho”. Salmos 119:105.


    Sendo a Palavra lâmpada e luz, o conhecimento próprio e subjetivo de seu coração e suas experiências místicas não o impressionam mais: “Na verdade eu sou o mais bruto dos homens, nem mesmo tenho o conhecimento de homem. Nem aprendi a sabedoria, nem tenho o conhecimento do santo. Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas numa roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome? E qual é o nome de seu filho, se é que o sabes?” -  Provérbios 30:2-4.


    Agora é algo certo – na relação com Deus em Cristo, só a Palavra de Deus se destaca como certa e infalível: “Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele. Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso”. Provérbios 30:5-6 – Não é mais uma experiência subjetiva e mística de “andar com Cristo no jardim ouvindo o que ninguém mais ouviu”. Da Palavra e só dela flui uma visão correta de Deus, e a luz dela somente, tenho uma visão de mim mesmo. Nesse ponto um clamor por misericórdia e graça se torna imperativo, todo mérito se esvai... e começamos a andar no terreno firme e objetivo da Palavra de Deus. Tomo o jugo de ser guiado por Deus não através de sensações subjetivas do meu coração, mas sob o jugo da Verdade revelada:  “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.  Mateus 11:29-30 


    Abraço Suas doutrinas, me submeto a ser governado por seus preceitos... Meus olhos estão fixos nele – tão somente através da Verdade revelada e objetiva de Sua Palavra escrita. Não defino o que é amá-lo, abraço sua definição final:   “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele”. João 14:21 – Tudo que faço flui do respeito à Sua autoridade, por amor a Sua vontade, reverência a Sua sabedoria, zelo por sua honra, fé só na Palavra.


    A visão não flui de passeios “místicos” no jardim – mas por meio da clara revelação do Evangelho: "E todos nós, com rosto descoberto, refletindo a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem de um grau de glória para outro. Para isso vem do Senhor, que é o Espírito " - 2 Coríntios 3:18


    O “cristianismo narcisista romântico” é uma das maiores falsificações da verdadeira relação com Deus em nossos dias. Infelizmente ele tem se tornado uma regra e não exceção.