Em sua Biografia Eric Clapton conta que chegou ao fim de
todos os seus recursos e que naquele instante ele instintivamente se voltou
para algo além de si mesmo.
Vivemos numa época que
o “espiritual” ou “espiritualidade” vazios de um
significado real e que redefine a vida, tem sido exaltado. Não vivemos numa
cultura anti experiências “transcendentais”,
mas tudo isso flui de tal forma que não toque na minha própria maneira
particular de viver nos meus próprios termos.
Eric
Clapton diz então:
“Naquele instante,
quase como se tivessem vontade própria, minhas pernas cederam e eu caí de
joelhos. Na privacidade do meu quarto eu implorei por ajuda – cheguei ao fim
dos meus recursos – Eu não tinha noção
de quem ou com quem eu estava falando, eu só sabia que tinha chegado ao fim
das minhas forças, eu não tinha mais como continuar lutando. Então eu me
lembrei de ter ouvido falar sobre rendição, e isso era algo que eu pensei que
nunca poderia fazer, meu orgulho não permitiria isso, mas então eu pedi ajuda,
mesmo sem ter noção de a quem eu pedia, e, ficando de joelhos, me rendi.
Em alguns dias eu
percebi que alguma coisa tinha acontecido comigo. Um ateu provavelmente diria
que foi apenas uma mudança de atitude, e até certo ponto isso é verdade, mas
havia muito mais do que isso. Eu tinha encontrado um lugar para ir, um lugar
que eu sempre soube que estava lá, mas que eu nunca quis, ou achei ser
necessário acreditar. Daquele dia até hoje, eu nunca deixei de orar pela manhã
de joelhos, pedir ajuda e, à noite, orar para expressar gratidão pela vida, e
acima de tudo, por sobriedade. Eu escolho ajoelhar porque sinto que preciso ser
humilde quando oro, e com o meu ego, isso é o máximo que eu posso fazer.”
Se voltar para algo “além de si mesmo” (algo vago – baseado
em percepções subjetivas ) é típico da “espiritualidade” de nossa época – no mundo
– É algo que não leva o homem para o Deus real – é uma experiência enclausurada
dentro do próprio ego do homem – começa no coração do homem, se firma em suas
percepções e termina ali mesmo – no coração do homem. É um paganismo, que embora
possa parecer bonito e tocante, nada mais é do que o homem orando e voltando-se
para si mesmo como fonte do divino. Infelizmente essa também é toda a
experiência na vida de muitos que se dizem cristãos.
Essa espiritualidade narcisista romântica é
toda experiência de grande parte dos que se dizem cristãos – não estão num
lugar muito diferente do de Eric Clapton.
Podemos colocar o nome de Jesus no meio dela, mas em nada difere da espiritualidade
oca, subjetiva e confinada a si mesmo de nossa geração. Por exemplo, a letra de
um hino expressa bem essa espiritualidade que agora se tornou “cristã” também:
“Eu vim para o jardim a
sós,
Quando ainda havia
orvalho nas rosas;
E a voz que ouço em meu
ouvido,
O Filho de Deus revela.
E Ele anda comigo, e
Ele fala comigo,
E Ele me diz que sou
dEle,
E a alegria que
compartilhamos enquanto ficamos ali,
Ninguém jamais
conheceu...”
O foco central de tal
piedade ( como a de Eric Clapton –
apesar de aqui dizer ser com Cristo), é individualista, interior, flui das
próprias percepções e é imediata. A pessoa caminha sozinha e experimenta uma
alegria, paz, experiência... que “ninguém jamais conheceu”. Como pode qualquer ortodoxia externa ( A verdade
bíblica) dizer para esta pessoa que ela está errada em suas
percepções? Ela não precisa, ela sente, ela sabe baseada nisso... ela tem algo
que “ninguém
jamais percebeu” – Ou seja, ela está dizendo – o meu relacionamento
pessoal com Cristo ( como o de Eric
Clapton com algum poder que ele não podia nomear ) é MEU. É pessoal e não pode ser
julgado por nada a não ser minhas percepções. Não compartilho ele com a igreja,
professores, e nem mesmo a Bíblia pode dizer que minha experiência não é real.
Nem mesmo a bíblia ( que é externa a mim) pode abalar a minha confiança nas
experiências singulares que tenho a sós com Jesus – Como as de Eric Clapton com
a força e poder superior que o leva a estar de joelhos.
É essa “espiritualidade”
pessoal, pós-moderna, subjetiva... que tem caracterizado nossa geração. Ele se
molda ao homem, ao que ele deseja, ao seu estilo de vida, a sua “moralidade”,
ao seu conceito do que é bom... É uma espiritualidade narcisista que demonstra
como o homem adora estar no trono e sempre ouve a voz da serpente: “E sereis como deuses”.
Isso difere da Verdade
revelada por Deus como o tudo difere
do nada. O que leva o homem a Deus é
uma ação de Deus operada pelo Espírito através da Palavra ( Algo externo ao homem – e não nascido em suas percepções caídas de um
coração narcisista fechado em si mesmo)
- “Sendo de novo gerados, não de semente
corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece
para sempre”. - 1 Pedro 1:23
Não são percepções, mas
mudanças operadas no homem vindas de fora pelo poder regenerador do Espírito
pela Palavra da Verdade. Sem espaço para frases vazias e misticismo
supersticioso. O Espírito leva o homem a ver a realidade sobre Deus e de si
mesmo pela Palavra externa e objetiva. Algo nunca visto antes, e não noções
etéreas vagas, são profundamente manifestadas ao coração humano. Sua
depravação, seu engano, e como esse coração não é confiável para ser a régua da
experiência verdadeira com Deus ou do que é bom - “Enganoso
é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” - Jeremias 17:9 – Ele então é levado a
algo que só o Espírito pela verdade pode
produzir – não “bons sentimentos vagos”,
mas ao clamor: “Ai de mim! Pois estou
perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de
impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos.” - Isaías 6:5 – Vê seu próprio pecado
indesculpável: “E vendo isto Simão Pedro,
prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, ausenta-te de mim, que sou um
homem pecador”. - Lucas 5:8 - e ele
repudia a si mesmo como uma coisa suja e
imunda: “Com o ouvir dos meus ouvidos
ouvi, mas agora te vêem os meus olhos.Por isso me abomino e me arrependo no pó
e na cinza”. Jó 42:5-6
A realidade de tudo que
Deus é lhe invade não subjetivamente, mas de forma objetiva faz o homem ver o
que sempre esteve no centro de seu coração narcisista e que ele era incapaz de
ver. Ele passa a ser guiado por um padrão externo: “Lâmpada
para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho”. Salmos 119:105.
Sendo a Palavra lâmpada
e luz, o conhecimento próprio e subjetivo de seu coração e suas experiências
místicas não o impressionam mais: “Na
verdade eu sou o mais bruto dos homens, nem mesmo tenho o conhecimento de
homem. Nem aprendi a sabedoria, nem tenho o conhecimento do santo. Quem subiu
ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas
numa roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome?
E qual é o nome de seu filho, se é que o sabes?” - Provérbios
30:2-4.
Agora é algo certo – na
relação com Deus em Cristo, só a Palavra de Deus se destaca como certa e
infalível: “Toda a Palavra de Deus é
pura; escudo é para os que confiam nele. Nada acrescentes às suas palavras,
para que não te repreenda e sejas achado mentiroso”. Provérbios 30:5-6 – Não é mais uma experiência subjetiva e mística
de “andar com Cristo no jardim ouvindo o que ninguém mais ouviu”. Da Palavra e
só dela flui uma visão correta de Deus, e a luz dela somente, tenho uma visão
de mim mesmo. Nesse ponto um clamor por misericórdia e graça se torna
imperativo, todo mérito se esvai... e começamos a andar no terreno firme e
objetivo da Palavra de Deus. Tomo o jugo de ser guiado por Deus não através de
sensações subjetivas do meu coração, mas sob o jugo da Verdade revelada: “Tomai
sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e
encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu
fardo é leve”. Mateus 11:29-30
Abraço Suas doutrinas,
me submeto a ser governado por seus preceitos... Meus olhos estão fixos nele – tão
somente através da Verdade revelada e objetiva de Sua Palavra escrita. Não
defino o que é amá-lo, abraço sua definição final: “Aquele que tem os meus mandamentos e os
guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o
amarei, e me manifestarei a ele”. João
14:21 – Tudo que faço flui do respeito à Sua autoridade, por amor a Sua
vontade, reverência a Sua sabedoria, zelo por sua honra, fé só na Palavra.
A visão não flui de
passeios “místicos” no jardim – mas por meio da clara revelação do Evangelho: "E todos nós, com rosto descoberto,
refletindo a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem de um grau
de glória para outro. Para isso vem do Senhor, que é o Espírito " - 2 Coríntios 3:18
O “cristianismo
narcisista romântico” é uma das maiores falsificações da verdadeira relação com
Deus em nossos dias. Infelizmente ele tem se tornado uma regra e não exceção.








