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    A santificação sacrificada no altar da “missão”




    A igreja existe para o mundo?


    Há uma estranha visão de igreja em nossos dias que diz: A igreja não está aqui para você que é ovelha, a igreja está aqui por causa do mundo!” 


    Quando o crescimento, quando atrair pessoas vira o alvo da razão de ser da igreja... fatalmente o terrível erro de sacrificar a santificação no altar da missão será uma realidade inexorável. Ao se tornar obcecados em conseguir pessoas, negligenciamos o rebanho de Deus, ou apenas o treinamos para conseguir mais pessoas.


    E este não é um problema isolado na ideia geral dos “plantadores de igreja” de nossos dias, apesar, é óbvio, não ser um objetivo declarado a ideia de que a santificação esteja sendo sacrificada no altar da missão e que a acomodação ao mundo, a cultura... seja o que de fato é o carro-chefe em atrair o mundo para a “igreja”. Santificação certamente não é a prioridade corrente...


    Agora, se imaginamos e edificamos uma “igreja” que não é para os crentes, não estamos plantando uma igreja. Pode ser algo impressionante, com crescimento exponencial, uma fábrica de atrair gente, mas não é uma igreja. Uma igreja que não existe para os crentes não é uma igreja. 


    A igreja existe para os crentes, porque a igreja é o contexto primário para o uso dos dons espirituais para a edificação mútua: “Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria.” - Romanos 12:4-8  - “Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém.” - 1 Pedro 4:10-11


    A igreja existe para os crentes, porque os homens que de fato foram regenerados, estão sob a responsabilidade dela para crescerem em semelhança a Cristo através da Verdade, e não para ser um vírus que simplesmente se multiplica e se multiplica... “Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” - Mateus 28:20 


    Grande parte das instruções de Paulo para a igreja não falam nada sobre crescer, e crescer, e crescer... mas apontam para o objetivo centrado na conformação com a mente de Deus. Não em se tornar como o mundo, mas em ter uma mente que é completamente oposta a mente do mundo: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” - Romanos 12:2 – Este é um propósito básico da igreja para com aqueles que foram regenerados pela ação soberana do Espírito. E ele exige profundo compromisso no relacionamento com outros salvos para o propósito do desenvolvimento da salvação comum.


    Um evangelho que não conduz ao auto-exame regular (pois é óbvio que isso não pode estar no centro de uma igreja que é para o mundo e não para os redimidos ), reorientará as pessoas para um evangelho-social. Ou seja, o “evangelho” tem se transformado em algo para “exibir”, em vez de ser uma boa notícia para homens mortos em delitos e pecados, filhos da ira... que por Cristo são reconciliados com Deus apesar de sua total indignidade, sendo por isso, uma manifestação da graça e misericórdia soberana de Deus... não sendo mais uma boa notícia de que esses redimidos estão sendo progressivamente transformados através da mortificação do pecado. É uma mudança sutil, mais real – pois a ênfase está no que podemos “exibir” ao mundo. Somos bons, somos legais... o propósito do evangelho não está centralizado naquilo que o mundo acha ser “humanitário”, naquilo que o mundo pensa ser a necessidade do homem, já que o mundo não busca Deus e não tem nenhum interesse em suas reivindicações.


    É fato que o poder do evangelho não se restringe a justificação, e que a justificação possibilita a completa transformação para nos tornarmos completos em Cristo, em santificação progressiva, sem a qual ninguém verá a Deus: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” - Hebreus 12:14 – Ou seja, queremos que a pessoas examinem-se como igreja para verem se estão de fato na fé, já que muitas coisas enfatizados como essenciais hoje na igreja, podem plenamente, por não estarem centralizadas no cerne do evangelho, serem vividas por pessoas que não tem o Espírito de Cristo. Um evangelho em que o homem pode viver por si mesmo com nasceu em Adão. Fazendo isso, não estamos ajudando as pessoas a garantir que elas verão o Senhor, mas simplesmente crentes num evangelho-social.


    O foco do “tudo sobre missão” – ao pensar nas categorias do mundo, e como trazer o mundo... não pode estar focado na maturidade dos santos  - a igreja nem existe para eles, mas para o mundo. Almas nascem de novo e crescem. Ovelhas precisam de pastores para crescer na se semelhança com Cristo ( não para a ideia de sucesso que as vê como máquinas multiplicadoras) e não somente de pessoas que abrem a porta para elas entrarem aos montes.


    O propósito é equipar os santos para que eles “não sejam mais jogados para todo lado pelas ondas do mar e levados ao redor por todo vento de doutrina”  - com o propósito que eles “cresçam em todos os aspectos nele, que é a cabeça”  - “Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.” - Efésios 4:14-16


    Paulo não só trabalhou para evangelizar os perdidos, mas se concentrou para mover os regenerados para sua conclusão do propósito redentivo em Cristo: “Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória; A quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo; E para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que opera em mim poderosamente” - Colossenses 1:27-29 – A igreja apresenta o evangelho em todos os seus termos e deseja o cumprimento nos santos dos propósitos pelos quais o homem é salvo. Pois a igreja não é sinônimo de “cruzada-evangelística”, mas na missiolatria é, mesmo quando negado.


    Se a missão e o sucesso nela é o foco central, irá haver crescimento, mas de fato, ele é irrelevante. A falta de ênfase na santificação (pois essa certamente não é uma boa estratégia “missional”) – está produzindo uma imatura ênfase na liberdade cultural, o que torna todo “sucesso” em algo bobo e irrelevante, já que a cultura molda a “igreja” e não a igreja muda a cultura. Os ídolos do coração e da cultura não podem ser combatidos e mortos, mas acabam apenas “cristianizados”. 


    A vida e missão mais eficaz não é elaborar culturalmente a mais “relevante” técnica de extensão, mas sim quando os que agora são igreja, de fato tenham sido  transformados em luz e sal - esses se tornam relevantes para o mundo. É a santificação que transforma um povo ( pois isso é ser luz e sal) e os equipa melhor para evangelização e não a metodologia cultural para atrair o mundo. Pois o mundo não necessita de estratégias culturais interessantes, mais de luz para suas trevas, e sal para sua podridão. Sem isso, tudo que chamamos conversão é mera superficialidade – o mundo inteiro estará exatamente como sempre foi, mas se dirá “convertido”.



    As cartas de Paulo a Timóteo ( um jovem pastor ) – descrevem a vontade de Deus para o ministério. Certamente Paulo aponta a Tímóteo em direção a proclamação do evangelho ao mundo, a missão (1 Tm 2.1-8 ) – “Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério.” - 2 Timóteo 4:5 – mas a maior parte do encargo pastoral indicado por ele a Timóteo é:

    Defender a sã doutrina – ( 1 Timóteo 1:3-5 , 18-19 ; 4 :1-6 ).


    Formar líderes que façam o mesmo - ( 1 Timóteo 3:1-13 , 5:17-22 , 2 Timóteo 2:2 ).


    A devoção rigorosa à santidade pessoal e a resistência numa sociedade e cultura consagrad a mentira e ao engano do pecado - ( 1 Timóteo 1:18-19 , 4: 6-12 , 15-16 , 6:11-16 , 2 Timóteo 1:06 , 2:01 , 3-13 , 20-22 , 04:05 ).


    O cuidado com o rebanho de Deus - ( 1 Tm 5:1-16 ).

    Um trabalho árduo em ensinar fielmente a Verdade tão ofensiva ao homem natural ( 1 Tm 4:11 , 13-14 , 2 Tm 2:15 , 24-26 , 4:1-2)...

    Equipando a igreja para a maratona de resistência na vida centrada em Deus e na Verdade, que não é negociável para a igreja.


    Pastores não irão dar conta do mundo a Deus, mas hão de dar conta das almas que estão sob o seu cuidado, o rebanho de Deus: “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.” - Hebreus 13:17 – O rebanho é a prioridade de um pastor.


    Muito do “fervor missional” está fixado no mesmo DNA de Charles Finney e no pragmatismo reinante no coração natural. Por isso ele está disposto a sacrificar coisas centrais no altar da “missão” – Um zelo por mais pessoas que é fruto de um orgulhoso e indomável desejo de ser um sucesso, da admiração dos outros e da auto-admiração pelos bancos cada vez mais cheios. Esse “zelo” na verdade muitas vezes é apenas uma capa que encobre a missiolatria: a adoração de mais e mais, de números crescendo... uma maneira secreta de auto-afirmação. Mas o que devia ser nossa afirmação é a obra completa de Cristo. Ele é o centro, ele deve ser o objetivo da vida, da igreja, do ministério...


    “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo.” - 2 Coríntios 4:4-6