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    Teu coração está envolvido? – Jonathan Edwards (1703-1758)




    O tipo de religião que Deus requer e aceita não consiste em "veleidades" fracas, enfadonhas e inertes, aquelas inclinações débeis e sem nenhuma convicção que nos levam não muito além da indiferença. Deus, em sua Palavra, insiste em que tenhamos forte determinação e espírito ardente e que nosso coração esteja energicamente envolvido na prática religiosa: "Sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor" (Romanos 12.11, ARA).

    "Agora, ó Israel, que é que o SENHOR, o seu Deus, lhe pede, senão que tema o SENHOR, o seu Deus, que ande em todos os seus caminhos, que o ame e que sirva ao SENHOR, O seu Deus, de todo o seu coração e de toda a sua alma" (Deuteronômio 10.12). Esse envolvimento fervoroso e determinado do coração é fruto de uma circuncisão verdadeira do coração que por si só tem a promessa da vida: "O SENHOR, O seu Deus, dará um coração fiel a vocês e aos seus descendentes, para que o amem de todo o coração e de toda a alma e vivam" (Deuteronômio 30.6).

    Sentimento sagrado

    Se não formos sinceros em nossa vida religiosa e se nossos desejos e nossas inclinações não forem exercitados com vigor, não somos nada. A prática religiosa é tão importante que nenhum exercício feito com indiferença será suficiente. Em nenhuma outra circunstância o estado de nosso coração é tão fundamental quanto na prática religiosa, e em nenhum outro lugar a indiferença do coração é tão detestável.

    A verdadeira religião é eficaz. Sua eficácia é atestada, primeiramente, por meio dos exercícios interiores do coração (o qual é a base da religião). Portanto, a verdadeira religião é chamada "o poder da devoção", em comparação com as aparências exteriores, isto é, a mera "forma", "tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder" (2Timóteo 3.5). O Espírito de Deus manifesta um forte e sagrado sentimento na vida dos que têm uma religião sólida e sadia, por isso está escrito que Deus deu ao seu povo espírito de poder, amor e moderação (2Timóteo 1.7).

    Quando recebemos o Espírito de Deus, recebemos o Espírito Santo, que é como "fogo", e com ele a influência santificadora e salvadora de Deus. Quando isso acontece, quando a graça está operando em nós, às vezes o fogo "arde" dentro de nós, como aconteceu com os discípulos de Jesus (Lucas 24.32).

    O exercício da vontade

    A prática religiosa foi comparada à realização de exercícios. Por meio dela, lutamos para ter o coração envolvido em Deus. Metáforas como "correndo a carreira", "lutando com Deus", "perseverando para alcançar o alvo" e "combatendo violentos inimigos" são muitas vezes usadas para descrever os exercícios que praticamos.

    Entretanto, a verdadeira graça possui vários graus. Alguns são novos na fé — "crianças em Cristo" —, e a inclinação deles para se envolver nesses exercícios é fraca. Contudo, cada um de nós que possua o poder de devoção no coração estará inclinado a buscar as coisas de Deus. Seja qual for nossa condição, esse poder nos dará forças suficientes para superar nossas fracas inclinações de modo que esses santos exercícios prevaleçam sobre nossas fraquezas.


    Todo verdadeiro discípulo de Cristo o ama mais que a pai e mãe, irmã e irmão, esposa, marido e filhos, casa e terras — sim, até mesmo mais que a própria vida. Disso se conclui que onde quer que a verdadeira religião se manifeste há uma vontade movendo o cristão aos exercícios espirituais, mas o que dissemos anteriormente precisa ser lembrado: o exercício da vontade não é nada mais que o sentimento da alma.