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    Orando por seus executores – John Stott (1921-2011)





    Jesus disse: "Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o
    que estão fazendo".

    Lucas 23.34


    As três primeiras palavras da cruz retratam Jesus, o exemplo. Elas expressam o amor que ele demonstrava pelos outros. "Não chorem por mim", ele havia dito antes (v. 28). Também não chorou por si mesmo. Ele não se entregou à auto-piedade por causa de sua dor e solidão, nem por causa da flagrante injustiça que estava sendo cometida contra ele.


    Na verdade, ele não pensava em si mesmo, apenas nos outros. Nada lhe restara para que fosse doado; até mesmo suas vestes lhe haviam sido tiradas. Mas ele ainda era capaz de dar às pessoas o seu amor. A cruz é a referência da auto-doação — na cruz ele mostrou seu interesse pelos homens que o crucificavam, pela mãe que o carregara no ventre e pelo ladrão arrependido que estava morrendo ao seu lado.

    A primeira palavra de Jesus foi uma oração pelo perdão de seus executo¬res. Pensemos no quanto isso é extraordinário. Seus sofrimentos físicos e emocionais já haviam sido quase insuportáveis. Ele havia sido despido e colocado sobre o madeiro, e as mãos ásperas dos soldados haviam manejado os martelos desajeitadamente. Será que agora ele iria pensar nele? Reclamaria de Deus como Jó o fez, ou imploraria vingança, ou demonstraria um pouco de auto-piedade? Não. 


    Ele só pensa nos outros. Ele bem poderia ter gritado de dor, mas sua primeira palavra é uma oração por seus inimigos. Os dois criminosos ao seu lado praguejam e falam mal. Jesus não. Ele põe em prática aquilo que pregou no Sermão do Monte: "Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, abençoem os que os amaldiçoam, orem por aqueles que os maltratam" (Lc 6.27-28).

    Por quem, afinal, Jesus estava orando? Sem dúvida, em particular pelos líderes judaicos que haviam rejeitado o Messias. Em resposta à sua oração, eles tiveram um adiamento.de quarenta anos, tempo em que milhares se arrependeram e creram em Jesus. Somente no ano 70 depois de Cristo o juízo de Deus caiu sobre a nação, quando Jerusalém foi tomada e o seu templo, destruído.

    Para saber mais: Mateus 18.21-35

    Então Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?
    Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.
    Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos;
    E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos;
    E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse.
    Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.
    Então o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida.
    Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves.
    Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei.
    Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida.
    Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara.
    Então o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste.
    Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?
    E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia.
    Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas.

    Mateus 18:21-35