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    Louvor incondicional? Será? – John Stott (1921-2011)




    Ganha popularidade em alguns círculos cristãos a estranha noção de que o maior segredo da liberdade e vitória cristãs é o louvor incondicional; de que um marido deve louvar a Deus pelo adultério da esposa, e a esposa, pelo alcoolismo do marido; e que até mesmo as calamidades mais assustadoras da vida devem se tornar motivo de gratidão e louvor.



    Essa sugestão é, na melhor das hipóteses, uma perigosa meia-verdade, e, na pior das hipóteses, algo ridículo ou até mesmo blasfemo. Obviamente, os filhos de Deus aprendem a não argumentar com ele em seu sofrimento, mas a confiar nele e, realmente, ser-lhe grato por sua amorosa providência, por meio da qual ele pode transformar até mesmo um mal em algum propósito bom (e.g., Rm 8.28). Mas isso é louvar a Deus por ele ser Deus, e não louvá-lo pelo mal. 



    Fazer isso seria reagir de forma insensível à dor das pessoas (quando as Escrituras nos dizem que devemos chorar com os que choram) e até mesmo desculpar e encorajar o mal (quando as Escrituras nos dizem que devemos odiá-lo e resistir ao Demônio). Deus abomina o mal, e não podemos louvá-lo nem render-lhe graças por aquilo que ele abomina.