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    Deus realmente fala conosco? Como? – R. C. Sproul





    Primeiro, deixem-me dizer que sim, há uma interpretação*na qual Deus fala conosco, mas também há uma interpretação na qual Deus não fala conosco. Quando as pessoas me dizem: "O Senhor me disse para fazer algo," eu desejo perguntar a elas: "Com que se parece a voz de Deus?" Você está me dizendo que ouviu uma voz do céu tão audível quanto a voz que falou no batismo de Jesus dizendo: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mt 3.7), ou a voz que falou com Saulo no caminho de Damasco? Houve ocasiões na Bíblia nas quais Deus falou audivelmente ao povo. Mas, mesmo na vida de Jesus, houve apenas três ocasiões registradas no Novo Testamento nas quais Deus falou audivelmente a seu Filho unigênito.


    Nas vidas dos grandes santos, esses incidentes são excessivamente raros. Entretanto, não existe maneira mais fácil de fazer com que as pessoas concordem com aquilo que desejo fazer, nem de afastar qualquer crítica possível, do que prefaciar minhas idéias dizendo: "O Senhor me disse para fazer isso." Em essência, estou afirmando que qualquer um que questionar o que estou dizendo, estará argumentando com o próprio Deus. Creio que temos uma obrigação mútua de não nos acusarmos uns aos outros, mas de fazer uma pergunta com gentileza: "Como você sabe que foi Deus quem falou com você?" Qual é a diferença entre a voz íntima de Deus e indigestão?


    Deus pode falar conosco (e ele fala conosco — desejo enfatizar isso), mas a principal maneira pela qual ele fala com as pessoas é através de sua Palavra escrita. Muitas vezes não desejamos passar por todas as dificuldades de estudar a Palavra, isso dá trabalho. As pessoas podem ir por palpites, intuições, sentimentos e batizar esses sentimentos e intuições como se fossem mandados divinos do céu.


    Lembro-me de uma ocasião muito difícil em meu próprio ministério e em minha vida quando a escola na qual estava trabalhando como professor estava se mudando e eu não desejava ir para onde a escola estava mudando, por isso passei seis meses desempregado.

    A pergunta mais séria de minha vida naquela ocasião era: Deus o que queres que eu faça? Eu estava numa angústia a respeito disso, orando desesperadamente durante horas todos os dias. Eu tinha cinco amigos íntimos, profundamente espirituais e bem intencionados que vieram me contar que Deus lhes havia dito que eu deveria fazer X, Y ou Z. Eu achei isso extraordinário porque as cinco coisas que o Senhor lhes disse para me comunicar me teriam colocado em cinco lugares diferentes. Em cinco cidades diferentes, em cinco trabalhos diferentes. A única coisa de que realmente gostei foram os cinco salários separados, mas não consegui descobrir como poderia estar em cinco lugares ao mesmo tempo. Sem dúvida alguém não tinha a mente de Cristo.


    Portanto, insisto em que os cristãos sejam muito, muito cuidadosos antes de dizer às pessoas: "Deus me disse isso." Você pode dizer: "Creio que talvez o Senhor esteja me guiando nessa direção." Isso seria uma maneira muito mais humilde de afirmar.