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    A eficácia infalível da vontade de Deus – John Frame





    As criaturas podem frustrar a vontade decretatória de Deus? Quanto a isso, a Escritura é totalmente clara e unânime. Em termos simples, o poder de Deus sempre executa os seus propósitos. Deus não pretende fazer acontecer tudo o que ele valoriza, mas nunca falha no que pretende fazer. E verdade que as criaturas podem se opor a ele, mas elas não prevalecerão.

    Devemos lembrar que Deus decreta não somente o fim da História, mas também os acontecimentos em cada momento da História. Pelos seus próprios motivos, ele escolheu retardar o cumprimento de suas intenções para o fim do mundo e decidiu cumprir essas intenções mediante uma sequência de acontecimentos históricos complicados. Nessa sequência, os seus propósitos aparentam, por vezes, sofrer derrota e, em outras vezes, atingir os seus objetivos. Contudo, cada derrota aparente, na verdade, torna a sua vitória final mais gloriosa. A cruz de Jesus é claramente o exemplo maior desse princípio. Portanto, Deus planeja não somente o seu triunfo final, como também a sua aparente derrota na História. Ele planejou que a História fosse exatamente como ela é. Sendo assim, todos os seus decretos, tanto na História como na consumação da História, hão de ocorrer.

    Assim sendo, repetidamente a Escritura afirma que os propósitos de Deus prevalecerão. E eles prevalecem não somente no final da História e também não somente no seu esquema mais extenso, como também prevalecem ao longo da História em todas as situações específicas. Nada é muito difícil para Deus (Jr 32.27); nada parece ser maravilhoso demais para ele (Zc 8.6); para ele nada é impossível (Gn 18.14; Mt 19.26; Lc 1.37). Portanto, os seus desígnios sempre prevalecerão. Contra a Assíria, ele diz:

    Como pensei, assim sucederá, e, como determinei, assim se efetuará.
    Quebrantarei a Assíria...
    Este é o desígnio que se formou concernente a toda a terra; e esta é a mão que está estendida sobre todas as nações.
    Porque o SENHOR dos Exércitos o determinou; quem, pois, o invalidará?
    A sua mão está estendida; quem, pois, a fará voltar atrás?
    (Is 14.24-27; cf. Jó 42.2; Jr 23.20)

    Quando Deus expressa o seu desejo eterno por meio de palavras, ditas pelos seus profetas, essas profecias ocorrerão sem falta (Dt 18.21,22; Is 31.2)7 Deus, de vez em quando, coloca sua palavra como seu agente ativo, que inevitavelmente cumprirá sua determinação:

    [Como a chuva molha a terra] assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei. (Is 55.11; cf. Zc 1.6)

    Assim, o mestre sábio nos ensina:

    Não há sabedoria, nem inteligência, nem mesmo conselho contra o SENHOR. (Pv 21.30; cf. 16.9; 19.21)

    As Escrituras falam muitas vezes dos propósitos de Deus em termos de "o que o agrada" ou "sua boa vontade". A vontade de Deus certamente se realizará:
    Digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade. (Is 46.10)

    Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes? (Dn 4.35)

    Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. (Mt 11.25,26)

    Em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade. (Ef 1.4,5; cf. v. 9)

    Para ilustrar a eficácia do propósito de Deus na nossa vida, as Escrituras usam a imagem do oleiro e do barro (Is 29.16; 45.9; 64.8; Jr 18.1-10; Rm 9.19-24). Deus lida com as pessoas com a mesma facilidade com que o oleiro molda o barro, fazendo um vaso para um propósito e outro vaso para outro propósito. Seu propósito prevalecerá e o barro não tem direito algum de reclamar do oleiro quanto a isso. Sanders concorda que, nessas passagens, o barro não tem direito algum de reclamar do oleiro, mas ele acredita que o oleiro rejeita algumas peças de barro não por causa do seu propósito soberano, mas porque "essa peça de barro rejeitou o projeto divino". Então, ele diz que "a metáfora do oleiro com o barro deve ser compreendida com base no relacionamento de reciprocidade que Deus estabeleceu de modo soberano. Isso não deve ser compreendido como um ensinamento do controle divino sobre todas as coisas". Contudo, o poder total do oleiro sobre o barro está implícito na própria metáfora e explícito em Romanos 9.19-21, em que há a iniciativa do oleiro "para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra". Em Romanos 9, é muito claro, tanto no nível de metáfora, quanto no nível da História - o relacionamento entre judeus e cristãos -, que o próprio Deus é a última fonte da distinção.


    A eficácia geral do propósito de Deus forma o pano de fundo da doutrina reformada que conhecemos como "graça irresistível". Como mencionamos anteriormente, os pecadores resistem aos propósitos de Deus; este é, sem dúvida. um tema significativo na Escritura (Is 65.12; Mt 23.37-39; Lc 7.30; At 7.51; Ef 4.30; lTs 5.19; Hb 4.2; 12.25). Porém, o ponto principal dessa doutrina é que a resistência deles não subsiste contra o Senhor. Quando Deus determina levar alguém à fé em Cristo, ele não falhará, mesmo que, por razões próprias, ele escolha lutar com essa pessoa por um longo período de tempo antes de alcançar o seu propósito.


    Portanto, as Escrituras ensinam de modo consistente que quando Deus elege, chama e regenera alguém em Cristo, pelo Espírito, essa obra alcança os seus propósitos salvíficos. Quando Deus dá a seu povo um coração novo, é certo que eles "andarão nos meus estatutos, e guardarão os meus juízos" (Ez 11.20; cf. 36.26,27). Quando Deus dá vida nova (Jo 5.21), não podemos devolvê-la. Jesus disse: "Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim" (Jo 6.37). Se Deus pré-conhece (i.é., favorece) alguém, ele certamente o predestinará a ser conforme a semelhança de Cristo, a ser chamado, a ser justificado e a ser glorificado no céu (Rm 8.29,30). Deus "tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz" (Rm 9.18, referindo-se a Êx 33.19). O salmista diz:

    Bem-aventurado aquele a quem escolhes e aproximas de ti, para que assista nos teus átrios; ficaremos satisfeitos com a bondade de tua casa — o teu santo templo. (SI 65.4)


    Paulo acrescenta: "Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo" (lTs 5.9).

    Como a sua palavra, portanto, a graça de Deus nunca retornará para ele vazia. Podemos resumir o ensino bíblico sobre a eficácia do reinado de Deus nas seguintes passagens, que falam por si mesmas: O conselho do SENHOR dura para sempre; os desígnios do seu coração, por todas as gerações. (SI 33.11)

    No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada. (SI 115.3)

    Tudo quanto aprouve ao SENHOR, ele o fez, nos céus e na terra, no mar e em todos os abismos. (SI 135.6)

    Eu anunciei salvação, realizei-a e a fiz ouvir; deus estranho não houve entre vós, pois vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR; eu sou Deus. Ainda antes que houvesse dia, eu era; e nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá? (Is 43.12,13; cf.Dt 32.39)

    Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá. (Ap 3.7)