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    Cristo intercede pelos Eleitos – R. C. Sproul




    A expiação é a principal obra de Cristo como nosso grande sumo-sacerdote, mas não é sua única tarefa sacerdotal. Ele também vive como nosso intercessor com o Pai. Sua intercessão é outro meio ao fim ou propósito da redenção dos eleitos. Cristo não só morre por suas ovelhas, mas também ora por elas. Sua obra especial de intercessão é clara em seu propósito. Em sua oração sacerdotal Jesus diz:

    Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra. Agora, eles reconhecem que todas as coisas que me tens dado provêm de ti; porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste. É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus; ora, todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e, neles, eu sou glorificado. Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós. Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura.
    João 17.6-12

    Jesus intercede aqui a favor daqueles que o Pai lhe tem dado. É abundantemente claro que isto não inclui toda a humanidade. O Pai deu a Cristo um número limitado de pessoas. São aquelas por quem Cristo ora. São também aquelas por quem Cristo morreu. Jesus não ora pelo mundo inteiro. Ele diz isto direta e claramente. Ele ora especificamente por aqueles dados a ele, os eleitos.

    Antes, também no Evangelho de João, Jesus diz: "Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6.37-39). Não há incerteza aqui. A obra de redenção realizada por Cristo como nossa segurança não é mera possibilidade ou potencialidade. E uma certeza.

    Que Cristo não ora pelo mundo inteiro e não morre pelo mundo inteiro é disputado por semipelagianos de todos os tipos. O texto mais im¬portante ao qual apelam é encontrado na Primeira Epístola de João: "... Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro" (Uo 2.1,2). Na superfície esse texto parece demolir a expiação limitada, dizendo explicitamente que Cristo é a propiciação dos pecados para o "mundo inteiro". O mundo inteiro é colocado em contraste com "nossos". Devemos perguntar: o que significam aqui nossos e o mundo inteiro?

    Nossos poderia se referir a cristãos como distinguidos de não-cris-tãos, crentes como opostos a não-crentes. Se essa interpretação é correta, então Cristo é uma propiciação não só para crentes cristãos, mas para todas as pessoas no mundo inteiro.

    Por outro lado nossos poderia se referir especificamente a crentes judeus. Uma das perguntas centrais do primeiro período formativo da igreja era esta: quem é para ser incluído na comunidade do Novo Pacto? O Novo Testamento trabalha o ponto que o corpo de Cristo inclui não só judeus étnicos, mas também samaritanos e gentios. A igreja é composta de pessoas de toda tribo e não de pessoas atraídas de todo o mundo, não meramente o mundo de Israel.

    Ampla evidência indica que o termo mundo no Novo Testamento muitas vezes não se refere nem ao globo inteiro nem a todas as pessoas que vivem sobre a terra. Por exemplo, nós lemos em Lucas: Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando todo o mundo para recensear-se (Lc 2.1). Sabemos que esse censo não incluía os habitantes da China ou América do Sul, portanto "todo o mundo" não se refere a todas as pessoas no mundo inteiro. O uso de mundo dessa maneira é de uso amplo na Escritura.

    Semipelagianos também apelam a 2Coríntios, em que Paulo diz que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação (2Co 5.19). Paulo fala do "reconciliar o mundo" de Cristo para com Deus no modo indicativo do verbo. Momentos depois ele muda do indicativo ao imperativo. "Rogamos que vos reconcilieis com Deus" (2Co 5.20). Será esta simplesmente uma ordem para sermos o que já somos?

    Para dizer a verdade, a propiciação de Cristo na cruz é ilimitada em sua suficiência ou valor. Neste sentido Cristo faz uma expiação pelo mundo todo. Mas a eficácia dessa expiação não se aplica ao mundo inteiro, nem o seu projeto final faz isso.

    O propósito supremo da expiação se encontra no supremo propósito ou vontade de Deus. Esse propósito ou intento não inclui a raça humana inteira. Se incluísse, a raça humana inteira certamente seria redimida.