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    A Natureza da Verdadeira Paz – John MacArthur




    O Novo Testamento fala de dois tipos de paz - a paz objetiva referente ao seu relacionamento com Deus e a paz subjetiva referente a sua experiência na vida.

    A pessoa não regenerada não tem paz com Deus. Isso já foi verdade para todos nós. Nós entramos no mundo lutando contra Deus, porque somos parte da rebelião que começou com Adão e Eva. Romanos 5.10 diz que éramos inimigos de Deus, que lutávamos contra Deus e que tudo o que fazíamos militava contra os seus princípios.

    Mas ao receber Jesus Cristo nós deixamos de ser inimigos de Deus - fazemos uma trégua com ele. Nós vimos para o seu lado e as hostilidades se acabam. Jesus Cristo escreveu o tratado de paz com o seu sangue derramado na cruz. Esse tratado, essa ligação, essa aliança declara o fato objetivo de que agora nós estamos em paz com ele.

    Isso é o que Paulo quer dizer em Efésios 6.15, quando ele chama as boas novas de salvação de "preparação do evangelho da paz". O evangelho é aquilo que faz uma pessoa em guerra com Deus ficar em paz com ele. Essa paz é objetiva - ou seja, ela nada tem a ver com o que nós sentimos ou com o que nós pensamos. Ela é um fato consumado.

    Romanos 5.1 diz: "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo". Nós que confiamos em Cristo estamos redimidos e declarados justificados por meio da fé. Nosso pecados são perdoados, cessa a rebelião, a guerra terminou e nós temos paz com Deus. Esse era o maravilhoso propósito de Deus na salvação.

    Colossenses 1.22 diz que Cristo "agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis". Um indivíduo perverso, pecador e vil não pode chegar à presença de um Deus Santo. Alguma coisa tem que fazer aquela pessoa transgressora tornar-se justa antes que possa estar em paz com Deus. E isso foi exatamente o que Cristo fez quando morreu pelo pecado e imputou a sua justiça a todo aquele que crê. Então Paulo diz que nós não somos mais inimigos, mas estamos em paz porque fomos reconciliados.

    E como se Deus estivesse de um lado, e nós estivéssemos do outro, então Cristo preencheu o vazio, tomando a mão de Deus e a mão do homem unindo-as num aperto de mão. Jesus Cristo nos aproximou do Pai pelo seu trabalho na cruz.

    Conquanto Deus e o homem tenham sido inimigos, eles agora estão reconciliados. Isso é o coração da mensagem do evangelho, como Paulo diz em 2 Coríntios 5.18,19: "... tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação".

    Mas Jesus não está falando sobre a paz objetiva em João 14.27. A paz de que ele fala ali, é uma paz experimentada, subjetiva. Ela é a tranquilidade da alma, uma paz estabelecida, positiva que afeta as circunstâncias da vida. E a paz agressiva; em vez de ser vitimada pelos acontecimentos, ela os ataca e os domina avidamente. E um tranquilizante sobrenatural, permanente, positivo, sem efeitos colaterais. Essa paz é a calma do coração após a tempestade do Calvário. É a firme convicção de que aquele que não poupou o seu próprio Filho também nos dará com ele gratuitamente todas as coisas (Rm 8.32).

    Essa é a paz de que Paulo fala em Filipenses 4.7: "... a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus". A paz de Deus não é baseada em circunstâncias como a paz do mundo. Portanto ela nem sempre faz sentido para a mente carnal. Paulo diz que ela excede todo o entendimento. Não parece razoável que uma paz como essa possa existir no meio dos problemas e dificuldades que o cristão atravessa. Mas essa paz é sobrenatural e divina; não pode ser humanamente imaginada.

    A palavra para "guardará" em Filipenses 4.7 não é a palavra que quer dizer "vigiar" ou "manter aprisionado". É uma palavra que muitas vezes é usada em um sentido militar, significando "ficar em um posto e guardar contra a agressão de um inimigo". Quando a paz está de guarda, o cristão está dentro de uma cidadela impenetrável da qual nada pode desalojá-lo. O nome dessa fortaleza é Cristo e cidadela é a paz. A paz de Deus monta guarda e não permite que a preocupação consuma o nosso coração e que pensamentos indignos assaltem a nossa mente.

    Essa é a paz que as pessoas realmente querem. Desejam uma paz que resolva o passado, sem ligações da consciência envenenadas por pecados passados que os prendam e torturem sem cessar. Querem uma paz que dirija o presente, sem desejos insatisfeitos atormentando seu coração. Desejam uma paz que garanta o futuro, sem mau presságio do amanhã desconhecido e tenebroso que os ameace. E essa é exatamente a paz pela qual a culpa do passado é perdoada; pela qual as provações do presente são sobrepujadas; e na qual o nosso destino é eternamente assegurado.