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    Quão nocivo o pecado é? – Thomas Watson (1620-1686)




    Deus fez este mundo cheio de beleza e de glória, tudo muito bom? Então, que coisa nociva é o pecado, que colocou em desordem toda a criação. O pecado eclipsou a beleza, deixou amarga a doçura e arrumou a harmonia do mundo. Como esse fel é amargo, pois uma gota pôde tornar amargo um mar inteiro. O pecado trouxe tormento e tornou vão o mundo, sim, uma maldição. Deus amaldiçoou a terra por causa do homem (Gn 3). Houve muitos frutos da maldição, veja alguns:

    i. A fadiga no sustento. "Em fadigas obterás dela [da terra] o sustento" (v. 17). "Em fadigas" deve ser entendido em todos os problemas e cuidados desta vida.

    ii. A pena no trabalho. "No suor do rosto comerás o teu pão" (v. 19). Na inocência, Adão cultivava a terra, pois não devia viver ociosamente; porém, era mais um prazer que um trabalho. Esse arado era sem labuta. O sustento com fadiga e o suor da fronte vieram após o pecado.

    iii. A desordem na natureza. "Ela [a terra] produzirá também cardos e abrolhos" (v. 18). Durante o período da inocência a terra produzia cardos, qual motivo de após a queda serem considerados uma punição? É provável que a terra produzisse cardos, porque quando Deus terminou a criação não produziu outras espécies ou outros tipos de coisa. Porém, o significado é que, agora, depois do pecado, a terra produziria cardos de maneira mais abundante e, também, que eles seriam danosos e sufocariam o trigo, pois a qualidade de serem nocivos não estava neles antes. Desde a queda, todos os confortos desta vida têm um espinho e um cardo neles.

    iv. A expulsão do paraíso. O quarto fruto da maldição foi a expulsão do homem do paraíso. "E, expulso o homem..." (v. 24). No princípio, Deus colocou o homem no paraíso como numa casa recém-decorada, como um rei em seu palácio. "Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra" (Gn 1.28). O fato de Deus expulsar Adão do paraíso significou seu destronamento e o seu banimento significou que ele devia procurar um paraíso celestial e ainda melhor.

    v. A maldição da morte. Um quinto fruto da maldição foi a morte. "Ao pó tornarás" (v. 19). A morte não era natural para Adão, mas veio após o pecado. Josefo61 é de opinião que o homem devia morrer, embora devesse ter um longo período de anos acrescentado à sua vida; porém, é inquestionável que a morte cresceu da raiz do pecado, como diz o apóstolo: "e pelo pecado, a morte" (Rm 5.12).

    Portanto, veja que coisa amaldiçoada é o pecado, que trouxe tantas maldições sobre a criação. Se não odiarmos o pecado por sua deformidade, então odiemo-lo por causa das maldições que traz.

    Deus fez este mundo glorioso? Ele fez tudo bom? Havia na criatura tanta beleza e doçura? Então, quanta doçura há em Deus? "A causa é sempre mais nobre que o efeito." Pense por si só: há muita excelência em casa e em propriedades? Então, quanto mais há em Deus, que as fez. Há beleza numa rosa? Quanta beleza, então, há em Cristo, a Rosa de Sarom. O azeite dá brilho ao rosto? (SI 104.15) Como, então, não deve brilhar o semblante de Deus. O vinho alegra o coração? Quanta virtude há no verdadeiro vinho. O fruto do jardim é doce? Como são deliciosos os frutos do Espírito. Uma mina de ouro é preciosa? Quão precioso é aquele que fundou a mina. Quão precioso é Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros? (Cl 2.3). Deveríamos ascender da criatura para o Criador. Se há algum conforto aqui neste mundo, quanto mais há em Deus, que fez todas essas coisas. Como é irracional que tenhamos mais prazer no mundo que naquele que o fez. Os nossos corações deveriam estar assentados em Deus e deveríamos estar com ele, em quem há infinitamente mais doçura que em qualquer outra criatura!