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    Sejamos como Cristo – Thomas Watson (1620-1686)



    Sejamos como Cristo em relação a sua disposição

    Ele tinha uma disposição muito agradável - Cristo é "o deleite da humanidade", muito acima de Tito Vespasiano. Cristo convida pecadores a virem até ele. Ele tem entranhas para sentir misericórdia de nós, alimentos para nos alimentar, asas para nos cobrir. Ele nunca feriria nosso coração, mas só usaria misericórdia. Cristo foi feito a nossa semelhança? Então, sejamos como ele em doçura de disposição; não sejamos de um espírito moroso.

    O seguinte foi dito de Nabal: "Ele é filho de Belial, e não há quem lhe possa falar" (ISm 25.17). Alguns são tão bárbaros como se fossem amigos de avestruz, são cheios de ira e respiram nada mais que vingança, ou são como aqueles homens no evangelho: "Endemoninhados, saindo dentre os sepulcros, e a tal ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho" (Mt 8.28).

    Sejamos como Cristo na mansidão e na doçura. Oremos por nossos inimigos e os vençamos pelo amor. A bondade de Davi derreteu o coração de Saul (ISm 24.16). Um coração congelado será derretido com o fogo do amor.

    Sejamos como Cristo na graça. Ele foi como nós na carne, sejamos como ele na graça. Devemos nos esforçar para ser como Cristo em humildade: "A si mesmo se humilhou" (Fp 2.8). Ele abandonou as vestimentas reluzentes de sua glória para ser vestido com os trapos de nossa humanidade. Que humildade maravilhosa. Sejamos como Cristo nessa graça. "Humilhação", diz Bernardo, "é um desprezo da própria excelência", um tipo de auto-aniquilação.

    Essa é a glória de um cristão. Aos olhos de Deus, nunca somos tão atraentes, a não ser quando somos sujos aos nossos próprios olhos. Sejamos assim como Cristo. A religião verdadeira é imitar a Cristo. De fato, é maravilhoso ser humilde, olhar dentro de nós, para baixo de nós, acima de nós.

    Quando olhamos dentro de nós, vemos nossos pecados como que no espelho da consciência: luxúria, inveja e paixões. Nossos pecados são como vermes rastejando para dentro de nossas almas: "Quantas culpas e pecados tenho eu?" (Jó 13.23). Nossos pecados são como a areia do mar, como as rochas do mar são pesados. Agostinho declara: "O meu coração, que é o templo de Deus, está poluído com o pecado".

    Quando olhamos ao nosso redor, vemos algo que pode nos tornar humildes. Vemos outros cristãos se sobressaindo em relação a nós com seus dons e graças, assim como o Sol se destaca em relação às estrelas. Outras pessoas são agraciadas com frutos, talvez tenhamos aqui e ali uma frutinha crescendo que manifeste adequadamente o que somos (Is 17.6).

    Quando olhamos abaixo de nós, vemos alguma coisa que pode nos fazer humildes. Podemos ver a terra de onde viemos. A terra é o elemento mais vil que há: Eram mais vis que a terra (Jó 30.8).83 Você que mostra sua insígnia e refulge seu brasão, olhe bem qual é a sua origem. Você é formado somente por cinzas ambulantes. Por que você é tão orgulhoso? O que foi Adão? O filho do pó da terra. E o que é o pó? O filho do nada.

    Quando olhamos acima de nós, também vemos algo que pode nos fazer humildes. Olhando para o céu se vê Deus resistindo ao orgulhoso. Deus persegue o orgulhoso para se vingar. O homem orgulhoso é o alvo no qual Deus atira e nunca erra. Deus lançou o orgulhoso Lúcifer para fora do céu. Ele tirou o orgulhoso Nabucodonosor de seu trono e o fez comer grama (Dn 4.25). Sejamos como Cristo na humildade.