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    John Bunyan – Fure-o em Qualquer Parte ... O Sangue Dele é Biblino





    Os Sofrimentos de Bunyan Aprofundaram Nele a Confiança na Bíblia como Palavra de Deus, e Uma Paixão pela Exposição Bíblica Como a Chave da Perseverança.

    Se "viver em Deus, que é invisível", é a chave para o sofrer da forma correta, qual é a chave do "viver em Deus"? A resposta de Bunyan é: lance mão de Cristo pela Palavra de Deus, a Bíblia. Obviamente, ele não exclui a oração, com isto. Na verdade, ele pleiteava com seu povo que orasse por ele, e confessava sua total dependência em Deus, pela oração:
    Cristãos, orem por mim ao nosso Deus com muita seriedade, fervor e freqüentemente, todas as vezes em que baterem na porta do nosso Pai; pois eu, de fato, preciso muito das vossas orações, pois meu trabalho é grande, meu coração é vil, o diabo fica vigiando e o mundo gostaria de dizer alegremente, Aha, aha, é assim que queremos! Quanto a mim, preservar-me não posso, confiar em mim, não ouso; se Deus não me ajudar, estou certo de que não vai demorar muito para que meu coração me engane, e o mundo tome vantagem sobre mim.

    A Prisão Como Uma Entrada para a Palavra de Deus

    Mas o que mais precisamos ouvir de Bunyan é como seus sofrimentos o levaram à Palavra e a abriram para ele. A prisão acabou sendo, para Bunyan, um santo lugar de comunhão com Deus, porque seu sofrimento lhe deu acesso à Palavra e à mais profunda comunhão com Cristo que ele já havia experimentado. Martinho Lutero disse a mesma coisa, e até mesmo transformou isto numa regra: o sofrimento é essencial para conhecermos a Palavra de Deus como devemos. Ele baseou-se no Salmo 119.71, "Foi bom para mim ter sido castigado, para que aprendesse os teus decretos". Lutero tinha seu próprio jeito escandaloso de dizer isto:
    Logo que a Palavra de Deus se torna conhecida através de você, o diabo começará a afligi-lo; ele fará de você um verdadeiro doutor [teólogo ou professor], e o ensinará, pelas tentações dele, a buscar e amar a Palavra de Deus. Quanto a mim ... devo muitos agradecimentos aos papistas por me terem batido, pressionado e assustado tanto, através da ira do diabo, que acabaram por fazer de mim um teólogo razoavelmente bom, empurrando-me para um alvo que eu jamais teria alcançado.

    Bunyan fez a mesma descoberta, como também muitos outros fizeram.

    Eu nunca tinha experimentado, em toda a minha vida, tal abertura na Palavra de Deus, como a que agora eu tinha na prisão. Aquelas passagens das Escrituras, nas quais anteriormente não via nada, agora brilhavam sobre mim, neste lugar e nesta situação. Jesus Cristo, igualmente, nunca tinha sido tão real e evidente como agora. Aqui eu o tenho, de fato, visto e sentido.... Aqui, neste lugar, eu tenho tido doces visões do perdão dos meus pecados e de estar com Jesus, em outro mundo.... Eu tenho visto aqui o que, estou certo, jamais serei capaz de expressar, enquanto neste mundo.... Eu nunca havia compreendido o que significava Deus ficar ao meu lado, em todo o tempo, a cada oferta de Satanás para me afligir, como tenho descoberto que Ele faz, desde que cheguei aqui.

    "No Bolso do Meu Peito Eu Tenho Uma Chave"

    Bunyan estimava, especialmente, as promessas de Deus como a chave para abrir as portas do céu. "Eu lhe digo, amigo, existem algumas promessas do Senhor que têm me ajudado a apoderar-me de Jesus Cristo tão completamente, que eu não as deixaria fora da Bíblia nem por todo o ouro e prata que se pudesse empilhar, até às estrelas, entre York e Londres".
    Uma das cenas mais grandiosas do Peregrino é quando Cristão se lembra, no calabouço do Castelo da Dúvida, que tem uma chave para a porta. É muito significativo, não somente o que a chave representa, mas onde ela se encontra:

    "Que tolo eu tenho sido, ficar assim numa masmorra fedorenta, quando posso sair andando livre. No bolso do meu peito eu tenho uma chave chamada Promessa, a qual - disto estou plenamente convencido - abrirá qualquer fechadura do Castelo da Dúvida". "Então", disse Esperança, "isto é uma boa notícia. Meu bom irmão, tire-a do bolso do seu peito e tente".

    Então, Cristão tomou a chave do bolso do seu peito e começou a abrir a fechadura da porta da masmorra; e quando ele virou a chave, o ferrolho soltou-se, e a porta abriu-se com facilidade, e Cristão e Esperança saíram imediatamente.

    Três vezes Bunyan diz que a chave estava no "bolso do peito" de Cristão, ou, simplesmente, em seu "peito". Eu entendo que Bunyan queria se referir ao fato de que Cristão tinha escondido as promessas de Deus no coração, através da memorização e que, agora, elas estavam acessíveis na prisão (apesar de não ter uma Bíblia disponível), exatamente por este motivo. Foi assim que a Palavra de Deus sustentou e fortaleceu a Bunyan.

    "Fure-o em Qualquer Parte ... O Sangue Dele é Biblino,"

    Tudo que Bunyan escreveu estava saturado com a Bíblia. Ele lia atentamente sua Bíblia em inglês, que era o único livro que tinha na maior parte do tempo. É por este motivo que ele poderia dizer de seus escritos, "Para escrever estas coisas, não andei pescando no aquário de outros homens; minha Bíblia e minha Concordância são a minha livraria, em meus escritos". O grande pregador de Londres, Charles Spurgeon, que lia 0 Peregrino todo ano, expressa desta forma este ponto:

    Ele havia estudado a nossa Bíblia [King James] ... até que todo o seu ser ficasse saturado com a Escritura; e apesar de seus escritos serem charmosamente cheios de poesia, ele nos deu seu 0 Peregrino — o mais doce de todas as suas prosas poéticas — de tal forma a nos fazer sentir continuamente, "Ora, este homem é uma Bíblia viva!" Fure-o em qualquer parte; e você verá que seu sangue é biblino, a própria essência da Bíblia flui dele. Ele não consegue falar sem citar um texto, pois sua alma está cheia da Palavra de Deus.

    Bunyan reverenciava a Palavra de Deus e tremia diante da perspectiva de desonrá-la. "Prefiro morrer ... com os filisteus (Jz 16.30) a corromper a bendita palavra de Deus". Afinal, este é o motivo pelo qual Bunyan ainda está entre nós, em vez de desaparecer no nevoeiro da história. Ele está entre nós e nos ministra, porque ele reverenciou a Palavra de Deus, e era tão permeado dela que seu sangue é "biblino" — a essência da Bíblia flui dele.

    E é isto que ele tem para nos mostrar: que "viver em Deus, que é invisível", é viver em dependência da Palavra de Deus. Servir e sofrer enraizado em Deus é servir e sofrer saturado com a Palavra de Deus. É assim que devemos viver, é assim que devemos sofrer. E se somos chamados para sermos líderes entre o povo de Deus, é assim que devemos ajudar o nosso povo a chegar sãos e salvos à Cidade Celestial. Iremos rogar-lhes com a Palavra. Iremos dizer-lhes o que Bunyan disse ao seu povo — e digo o mesmo a você, querido leitor:

    Deus espalhou flores do seu jardim no caminho todo, desde a porta do inferno, onde você estava, até a porta do céu, aonde você vai. Veja como as promessas, convites, chamadas e encorajamentos, como lírios, estão ao seu redor! Cuide para não pisá-las debaixo de seus pés.

    John Piper