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    A Alegria de Cultivar a Santidade – Joel Beek







    Uma vida santa tem de ser uma vida de alegria no Senhor, e não uma rotina árdua e negativa (Ne 8.11). A idéia de que a santidade exige uma disposição melancólica é uma distorção trágica das Escrituras. Pelo contrário, as Escrituras afirmam que aqueles que cultivam a santidade experimentam alegria verdadeira. Jesus disse: "Se guardardes os meus mandamentos, permane¬cereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço. Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo" (Jo 15.10-11). Aqueles que são obedientes — que estão seguindo a santidade como um estilo de vida — saberão que a alegria resultante da comunhão com Deus é uma alegria supre¬ma, contínua e antecipada.

    A ALEGRIA SUPREMA: COMUNHÃO COM DEUS

    Nenhuma alegria é maior do que a alegria da comunhão com Deus. "Na tua presença há plenitude de alegria" (SI 16.11). A verdadeira alegria flui de Deus quando somos capacitados a andar em comunhão com Ele. Quando rompemos nossa comunhão com Deus, por cometermos pecado, precisamos retornar a Ele, como Davi, com oração de arrependimento — "Restitui-me a alegria da tua salvação" (SI 51.12). As palavras que Jesus falou ao ladrão na cruz representam a maior alegria de todo filho de Deus: "Hoje estarás comigo no paraíso" (Lc 23.43).

    A ALEGRIA CONTÍNUA: SEGURANÇA PERMANENTE

    A verdadeira santidade obedece a Deus, e a obediência sempre confia em Deus. Ela crê: "Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8.28) — mesmo quando isso não pode ser visto. A semelhança de fiéis tapeceiros persas que entregam todos os fios coloridos ao seu superior que elabora o padrão do tapete, acima deles, os santos íntimos de Deus são aqueles que lhe entregam até os fios pretos que Ele pede, reconhecendo que o padrão dEle será aperfeiçoado do alto, apesar da bagunça que existe aqui embaixo. Você conhece essa confiança profunda, semelhante à de uma criança, essa confiança envolvida no crer nas palavras de Jesus: "O que eu faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás depois" (Jo 13.7)? Essa alegria contínua e estabilizante excede nosso entendimento. A santidade colhe contentamento jubiloso — "Grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento" (1 Tm 6.6).

    A ALEGRIA ANTECIPADA: RECOMPENSA ETERNA E GRACIOSA

    Jesus era motivado a suportar seus sofrimentos pela antecipação da alegria de sua recompensa (Hb 12.1-2). Os crentes também podem contemplar de antemão a entrada na alegria de seu Senhor, — enquanto seguem a santidade, na força de Cristo, durante toda a sua vida. Pela graça, eles podem antecipar com alegria sua eterna recompensa: "Muito bem, servo bom e fiel... entra no gozo do teu senhor" (Mt 25.21, 23). Como observou John Whitlock: "Eis o caminho do cristão e o seu fim — seu caminho é a santidade, o seu fim, a felicidade".

    A santidade é a recompensa de si mesma, pois a glória eterna é santidade aperfeiçoada. "As almas dos crentes são aperfeiço¬adas em santidade por ocasião da morte" {Breve Catecismo de Westminster, Pergunta 37). Os corpos deles também serão ressuscitados imortais e incorruptíveis, perfeitos em santidade, completos em glorificação (1 Co 15.49, 53). Por fim, o crente será aquilo que desejou ser desde a sua regeneração — perfeitamente santo em um Deus trino. O crente entrará na eterna glória de Jesus Cristo, como um filho de Deus e co-herdeiro com Cristo (Fp 3.20-21; Rm 8.17). O crente será finalmente como Cristo, santo e imaculado (Ef 5.25-27), magnificando e exaltando eternamente a inescrutável bondade da soberana graça de Deus. Na verdade, como disse Calvino: "O pensamento concernente à grande dignidade que Deus nos outorgou deve aguçar nosso desejo por santidade".

    CULTIVANDO A SANTIDADE COMO UMA LUTA CONSTANTE

    Certa vez li sobre um missionário que tinha em seu jardim uma planta que brotava folhas venenosas. Ele também tinha um filhinho inclinado a colocar na boca o que estivesse ao seu alcance. O pai arrancou aquela planta e jogou-a longe. As raízes eram profundas, e logo a planta brotou novamente. Repetidas vezes, o missionário teve de arrancá-la. Não havia outra solução, senão inspecionar o solo todos os dias e arrancar a planta sempre que ela surgia. O pecado interior é como aquela planta: precisa ser arrancado constantemente. Nosso coração precisa de mortificação contínua. Como John Owen nos alerta:

    "Temos de praticar [mortificação] todos os dias, em todos os deveres. O pecado não morrerá, a menos que seja enfraquecido constantemente. Poupe-o, e ele curará suas feridas, recuperando suas forças. Temos de vigiar a todo instante contra as operações deste princípio do pecado — em nossos deveres, em nossa vocação, em nossa conversa, em nosso descanso, em nossas provações, em nossas alegrias, em tudo que fazemos. Se formos negligentes, em qualquer ocasião, sofreremos por causa disso. Todo engano, todo descuido é perigoso".

    Continue a desarraigar o pecado e a cultivar a santidade. Continue a combater o bom combate da fé, sob o comando do maior dos generais, Jesus Cristo; com o melhor dos advogados internos, o Espírito Santo; com as melhores certezas, as promessas de Deus, tendo em vista o melhor dos resultados, a glória eterna.

    Você já está convencido de que cultivar a santidade vale o preço de dizer não ao pecado e sim para Deus? Você conhece a alegria de andar nos caminhos de Deus? A alegria de experimentar o jugo leve e o fardo suave de Jesus? A alegria de não pertencer a si mesmo, e sim ao seu "fiel Salvador Jesus Cristo, que o torna "sinceramente desejoso e disposto a viver para Ele" (Catecismo de Heidelberg, Pergunta 1)? Você é santo? Thomas Brooks apresenta-nos 16 marcas da verdadeira santidade, incluindo o fato de que o crente santo "admira a santidade de Deus... possui santidade difusa, que permeia a mente e o coração, os lábios e a vida, o interior e o exterior... odeia e detesta toda iniqüidade e impiedade... se entristece por sua própria vileza e falta de santidade". É uma lista consternadora, mas bíblica. Sem dúvida, todos nós estamos aquém dessas marcas; contudo, permanece a pergunta: estamos nos esforçando por essas marcas de santidade?

    Talvez você responda: "Quem... é suficiente para estas coisas?" (2 Co 2.16). Eis a resposta imediata de Paulo: "Não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus" (2 Co 3.5). "Você quer ser santo... tem de começar com Cristo... Quer continuar a ser santo? Permaneça em Cristo." "A santidade não é o caminho para Cristo. Cristo é o caminho para a santidade." Sem Cristo, não há santidade. Logo, toda lista de marcas de santidade deve nos condenar ao inferno. Mas, em última análise, a santidade não é uma lista de marcas; é muito mais do que isso — é vida, vida em Jesus Cristo. A santidade nos crentes prova que eles estão unidos a Cristo, pois a obediência santificada é impossível sem Ele. Mas, em Cristo, a santidade permanece no contexto de solagratia (somente pela graça) e sola fide (somente pela fé). "Se observares, SENHOR, iniquidades, quem, Senhor, subsistirá? Contigo, porém, está o perdão, para que te temam" (SI 130.3-4)

    "Uma vez que Cristo só pode ser conhecido pela santificação do Espírito", escreveu Calvino, "concluímos que a fé não pode ser, de modo algum, separada de uma disposição piedosa". Cristo, o Espírito Santo, a Palavra de Deus, santidade, graça e fé são inseparáveis. Faça destas palavras a sua oração: "Senhor, concede-me que cultive a santidade hoje, não motivado por mérito, e sim por gratidão, pela tua graça, mediante a fé em Cristo Jesus. Santifica-me pelo sangue de Cristo, pelo Espírito de Cristo e pela Palavra de Deus". Ore como Robert Murray M'Cheyne: "Senhor, torna-me tão santo quanto um pecador perdoado o pode ser".