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    O que é santificação? – Thomas Watson (1620-1686)



    E um princípio da obra da graça salvadora pela qual o coração se torna santo e é feito segundo o coração de Deus. Uma pessoa santificada não somente carrega o nome de Deus, mas sua imagem restaurada em Cristo.

    Ao falar sobre a natureza da santificação, apontarei as sete posições seguintes:

    a.      A santificação é algo sobrenatural, pois é aplicada divinamente

    Somos naturalmente contaminados e para nos purificar Deus decide agir: "Pois eu, o SENHOR que vos santifico" (Lv 21.8). Ervas daninhas crescem sozinhas, flores são plantadas. A santificação é uma flor plantada pelo Espírito, portanto é chamada "santificação do Espírito" (IPe 1.2).

    b.      A santificação é algo intrínseco porque se localiza no coração

    É chamado "o homem interior do coração" (IPe 3.4). O orvalho umedece a folha, a seiva está oculta na raiz, assim é a religião de alguns que consiste somente de coisas externas, mas a santificação está profundamente enraizada na alma: "Eis que te comprazes na verdade no íntimo e no recôndito me fazes conhecer a sabedoria" (SI 51.6).

    c.       A santificação é algo extensivo, pois se espalha pelo homem todo

    "O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo" (lTs 5.23). A corrupção original contaminou todas as faculdades do homem: "sua cabeça inteira está doente e todo seu coração sofre", nele não há nada de bom, então, visto que todo o sangue está corrompido, a santificação atinge a alma toda. Depois da queda, houve ignorância na mente, mas na santificação somos "luz no Senhor" (Ef 5.8). Depois da queda, a vontade foi depravada, não houve mais força para fazer o bem, ao contrário, houve obstinação para o mal. Na santificação, há uma graciosa flexibilidade na vontade, a qual se torna um símbolo e se amolda à vontade de Deus. Depois da queda, as afeições foram redirecionadas a coisas erradas, na santificação, tudo é posto em ordem e harmonia: sofre-se por causa do pecado, ama-se a Deus, se alegra com o céu. Logo, a santificação se espalha tanto quanto a corrupção original, ela toma a alma toda: "o Deus da paz o santifique inteiramente". Não se torna uma pessoa santificada que seja boa em algumas áreas, mas alguém totalmente santificado. Portanto, nas Escrituras, a graça é chamada de "novo homem", não apenas um novo olho ou uma nova língua, mas um "novo homem" (Cl 3.10). Um bom cristão, ainda que pareça santificado apenas em algumas partes, é santificado integralmente.

    d.      A santificação é algo intenso e ardente

    Suas qualidades ardem dentro do crente: "Fervorosos de espírito" (Rm 12.11). A santificação não é algo morto, mas inflamado com zelo. Nós chamamos a água de quente quando está no terceiro ou quarto grau, assim é aquele cuja fé é aquecida em alguns graus e seu coração ferve no amor de Deus.
    e.      A santificação é algo belo

    A nossa santificação faz Deus e os anjos se encantarem conosco: "Com santos ornamentos" (SI 110.3). Como o Sol é para o mundo, assim é a santificação para a alma, bela e brilhante aos olhos de Deus. O que faz Deus alegre deveria nos fazer também. A santidade é a jóia mais brilhante da divindade: "Quem é como tu, glorificado em santidade?" (Êx 15.11). A santificação é o primeiro fruto do Espírito, é o céu começando na alma. A santificação e a glória diferem somente em grau: a santificação é a glória em forma de semente e a glória é a santificação em forma de flor. A santidade é a base da felicidade.

    f.      A santificação é algo durável

    "O que permanece nele é a divina semente" (1 Jo 3.9). Quem é verdadeiramente santificado não pode cair desse estado. De fato, a santidade de aparência pode ser perdida, as cores podem desbotar, a santificação pode sofrer um eclipse: "abandonaste o teu primeiro amor" (Ap 2.4). A verdadeira santificação é um desabrochar da eternidade: "A unção que dele recebestes permanece em vós" (1 Jo 2.27). Aquele que é verdadeiramente santificado não pode mais cair, assim como os anjos que estão fixos em suas órbitas celestiais.

    g. A santificação é algo progressivo

    Ela vai crescendo e crescendo, é comparável a uma semente que cresce: primeiro aparece a espiga, depois os caroços, então o milho maduro na espiga. Aqueles que já estão santificados podem ser ainda mais santificados (2Co 7.1). A justificação não admite graus, um crente não pode ser mais eleito ou mais justificado do que já é, mas pode ser mais santificado do que é. A santificação ainda está se desenvolvendo, como o sol da manhã que vai brilhando mais e mais até o meio-dia. O conhecimento vai aumentando, a fé também (Cl 1.10; 2Co 10.15). Um cristão está continuamente crescendo em sua estatura espiritual. Não acontece conosco o que aconteceu com Cristo, que recebeu o Espírito sem medida, pois Cristo não poderia ser mais santo do que ele era. Nós recebemos do Espírito somente em medidas que podem gradativamente ir aumentando nossa graça. Como Apeles89 que, mesmo após terminar de desenhar seu quadro, teve seu trabalho aperfeiçoado e corrigido. A imagem de Deus é desenhada imperfeitamente em nós, portanto ainda a remendamos ou corrigimos para desenhá-la com cores mais vivas. A santificação é progressiva. Se ela não cresce é porque não está viva. Assim se vê a natureza da santificação.