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    O Espírito que Dá Vida - Octavius Winslow (1808–1878)




    “O espírito é o que vivifica.” João 6.63

    Ao explicar a obra de Deus, você perceberá que começamos pelo primeiro ato gracioso e divino do Espírito — o sopro de vida espiritual na alma. Esta ação deve ser considerada como uma ação que precede todas as outras. A obra do Espírito como vivificador sempre deve preceder sua obra como santificador e consolador.

    Se O buscamos em qualquer de suas funções, antes de O recebermos como o Autor da vida divina na alma, invertemos sua própria ordem e nos revestimos de desapontamento.  Iniciaremos a discussão deste assunto com a maior presteza, fundamentados na convicção de que as opiniões atuais acerca da doutrina da regeneração, defendidas e pregadas por muitos, não somente são muito diferentes dos antigos padrões de verdade doutrinária, mas também, o que é mais sério e profundamente lamentável, é que essas opiniões são do tipo que a Palavra de Deus repudia claramente e sobre as quais jaz tremenda escuridão.

    A regeneração, conforme ensinada por muitos nos dias de hoje, difere muito da doutrina pregada nos dias dos apóstolos e dos reformadores. Nos escritos e nos discursos deles, a base era lançada ampla e profundamente sobre a depravação original e total do homem. Na atualidade, esta doutrina é muito modificada por várias pessoas, quando não é absolutamente negada. Nos dias da igreja primitiva, a completa incapacidade da criatura e a absoluta e indispensável necessidade da ação do Espírito Santo na regeneração da alma eram distinta e rigidamente estabelecidas.

    Opiniões opostas a estas, subversivas da doutrina bíblica da regeneração e destruidoras dos melhores interesses da alma, são zelosa e amplamente divulgadas hoje. Sem dúvida, isto é motivo para profunda humilhação perante Deus. Que Ele restaure em seus ministros e em seu povo uma linguagem pura e, de forma amável, renove as verdades preciosas que humilham a alma e honram a Cristo, as verdades que uma vez foram a proteção e a glória de nossa nação.

    Propomos... uma descrição simples e bíblica da doutrina da regeneração, a obra do Espírito Santo em produzi-la e alguns dos efeitos verificados na vida de um crente. Que a unção daquele que é Santo venha sobre o leitor e que a verdade limpe, santifique e conforte o coração.

    A regeneração é uma obra autônoma e distinta de todas as outras ações do Espírito Divino. Ela deve ser cuidadosamente diferenciada da conversão,(1) da adoção,(2) da justificação(3) e da santificação;(4 ) e tem de ser entendida como a base e a fonte destas. Por exemplo, não pode haver conversão sem um fundamento de vida na alma, pois a conversão é o exercício de um poder espiritual inserido no homem. Não há senso de adoção à parte de uma natureza renovada, pois a adoção concede apenas o privilégio, e não a natureza, de ser filho. Não existe o reconfortante senso de aceitação no Amado, enquanto a mente não passa da morte para a vida; também não existe o menor progresso numa conformidade da vontade e das afeições à imagem de Deus, se falta na alma a raiz de santidade. A fé é uma graça purificadora, mas ela se encontra apenas no coração criado de novo em Cristo Jesus. É necessário existir uma renovação espiritual do homem, por completo, antes que a alma passe ao estado de adotada, justificada e santificada.
    Leitor, medite seriamente sobre esta verdade solene.

    Octavius Winslow - (1808-1878). Pastor, ordenado em 1833, em New York. Posteriormente, se mudou para a Inglaterra, onde se tornou um dos mais valiosos pastores do século XIX. Pregou na inauguração do Tabernáculo Metropolitano, de C. H. Spurgeon, em 1861. Foi autor de mais de quarenta livros, nos quais promovia o conhecimento experiencial das verdades de Deus. Foi sepultado no cemitério Abbey, em Bath, na Inglaterra.

    Notas:
    1. Conversão – o ato de voltar do pecado e dos interesses próprios para Deus, mediante a fé em Jesus Cristo, como resultado de alguma forma de proclamação cristã das Sagradas Escrituras.

    2. Adoção – O que é adoção? A adoção é o ato da livre graça de Deus (1Jo 3.1) pelo qual somos recebidos no número dos salvos e temos o direito a todos os privilégios dos filhos de Deus (Jo 1.12; Rm 8.17). (Catecismo de C. H. Spurgeon, pergunta 33.)

    3. Justificação – O que é justificação? A justificação é o ato da graça gratuita de Deus pelo qual Ele perdoa todos os nossos pecados (Rm 3:24) e nos aceita como justos aos seus olhos (2 Co 5.21), tão-somente pela justiça de Cristo imputada a nós (Rm 5.19), e recebida unicamente pela fé (Gl 2.16; Fp 3.9). (Catecismo de C. H. Spurgeon, pergunta 32.)

    4. Santificação – O que é santificação? A santificação é a obra do Espírito de Deus (2 Ts 2.13), pela qual somos renovados no novo homem, conforme à imagem de Deus (Ef 4.24), e somos mais e mais capacitados a morrer para o pecado e a viver para a justiça (Rm 6.10). (O Catecismo de C. H. Spurgeon, pergunta 34.)