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    A Exaltação de Cristo – Thomas Watson (1620—1686)



     "Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome" (Fp 2.9).

    Já falamos da humilhação de Cristo, falaremos agora de sua exaltação. Antes, você viu o sol da justiça no eclipse, agora você o verá saindo do eclipse e brilhando em toda sua glória. "Pelo que também Deus o exaltou", disse Ambrósio, ou seja, "acima de toda a exaltação".

    PERGUNTA 28 do Catecismo de Westminster: No que consiste a exaltação de Cristo?

    RESPOSTA: A exaltação de Cristo consiste em sua ressurreição dos mortos, em sua subida ao céu e no assentar-se à mão direita de Deus Pai.

    1.      Em que sentido Deus exaltou a Cristo?

    Não foi com respeito à sua deidade, pois nela Cristo não pode ser exaltado mais alto do que é. Assim como em sua humilhação, a deidade não foi rebaixada, também em sua exaltação a deidade não é aumentada, mas Cristo é exaltado como Mediador, sua natureza humana é exaltada.

    2.      De quantas maneiras Cristo foi exaltado?

    Ele foi exaltado de cinco maneiras a. Em seus títulos; b. Em seu oficio; c. Em sua ascensão; d. Em sua posição à mão direita de Deus; e e. Ao constituí-lo juiz do mundo. Veremos todas elas:

    a.      Deus exaltou Cristo em seus títulos

    i.       Ele foi exaltado para ser Senhor (At 19.17): "O nome do Senhor Jesus era engrandecido". Ele é Senhor com respeito à sua soberania; pois ele é Senhor sobre os anjos e os homens: "Toda a autoridade me foi dada" (Mt 28.18). Cristo tem três chaves em suas mãos: a chave da morte, para abrir as sepulturas dos homens na ressurreição; a chave do céu, para abrir o reino do céu para quem ele quiser; e a chave do inferno, para trancar o condenado naquela terrível prisão (Ap 1.18).

    Diante do Senhor todo joelho deve se dobrar: "para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho" (Fp 2.10). Nome é colocado aqui em relação à pessoa, ao santo Jesus, ao cetro da divina pessoa todo joelho se dobrará. Dobrar-se é colocado em relação à sujeição. Todos devem se submeter a ele como filhos ou cativos, submeter-se a ele como Senhor ou juiz. "Beijai o Filho" com um beijo de amor e lealdade (SI 2.12). Não devemos somente nos lançar aos braços de Cristo para ser salvos por ele, mas devemos nos lançar aos seus pés para servi-lo.

    ii.      Cristo é exaltado para ser um príncipe. "Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe" (Dn 12.1). Alguns pensam que ele era um anjo criado, mas era o anjo do pacto. Ele é um grande príncipe "O Soberano dos reis da terra" (Ap 1.5). Seguram suas coroas pela imediata consideração com ele. Seu trono está acima das estrelas, ele tem anjos e arcanjos como seus servos. Assim, ele é exaltado em seus títulos de honra.

    b.      Deus exaltou Cristo em seu ofício

    Deus honrou a Cristo para ser o Salvador do mundo. "Deus, porém, com a sua destra, o exaltou a Príncipe e Salvador" (At 5.31). Foi uma grande honra para Moisés ser um salvador temporário, mas o que é ser o Salvador de almas? Cristo é chamado poderosa salvação (Lc 1.69). Ele salva do pecado (Mt 1.21), da ira (lTs 1.10). Salvaréuma flor que pertence somente à sua coroa: "E não há salvação em nenhum outro" (At 4.12). Quão grandiosa foi essa honra para Cristo. Ela fez os céus se encherem de louvores dos santos. Eles cantam aleluias para Cristo, seu Salvador. "E entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação" (Ap 5.9).

    c.       Deus exaltou Cristo em sua ascensão

    Cristo subiu, logo está exaltado. Agostinho diz: "Alguns, como os hermianos, eram da opinião que o corpo de Cristo subiu para a órbita solar". Mas as Escrituras dizem claramente que ele subiu ao céu (Lc 24.51 e Ef 4.10). "Acima de todos os céus", portanto acima do firmamento. Ele subiu na parte mais alta do céu visível, que Paulo chama de terceiro céu. Com respeito à ascensão de Cristo, duas coisas devem ser observadas:

    i.       A maneira de sua ascensão. Quando Cristo subiu, ele abençoou seus discípulos: "Então, os levou para Betânia e, erguendo as mãos, os abençoou. Aconteceu que, enquanto os abençoava, ia se retirando deles, sendo elevado para o céu" (Lc 24.50,51). Ele não deixou casas e terras para seus discípulos, mas sua bênção.

    Ele subiu como um vencedor, triunfantemente: "Subiste às alturas, levaste cativo o cativeiro" (SI 68.18). Ele triunfou sobre o pecado, sobre o inferno e sobre a morte e o seu triunfo é o triunfo do crente. Ele venceu o pecado e o inferno para cada crente.
    ii.      O fruto da ascensão de Cristo. Sua ascensão ao céu causou a descida do Espírito Santo em nossos corações: "Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens" (Ef 4.8). Ao subir às nuvens, com sua carruagem triunfante, ele deu o dom do Espírito a nós, assim como um rei em sua coroação entrega presentes liberalmente aos seus favoritos.

    d. Deus exaltou Cristo quando o recebeu à sua direita

    "De fato, o Senhor Jesus, depois de ter-lhes falado, foi recebido no céu e assentou-se à destra de Deus" (Mc 16.19). "Ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome" (Ef 1.20,21).

    O que significa Cristo se sentar à mão direita de Deus? Deus não tem mão direita ou esquerda, pois é Espírito, não tem partes físicas, mas é uma metáfora tomada da corte real, quando os reis se agradavam de seus favoritos ao colocá-los próximos de si mesmos e ao deixá-los à mão direita. Salomão mandou pôr uma cadeira para sua mãe, e ela se assentou à sua mão direita (lRs 2.19). Assim, Cristo se assentar à direita de Deus significa estar no lugar próximo a Deus, o Pai, em dignidade e em honra. A natureza humana de Cristo, pessoalmente unida à divina, está agora assentada no trono real no céu e é adorada até pelos anjos.

    Pela virtude da união pessoal da natureza humana de Cristo com a divina, há uma comunicação de toda a glória da deidade de Cristo que a sua natureza humana é capaz de dar. Não que a humanidade de Cristo tenha avançado a uma posição igual com a deidade, mas a natureza divina, ao se unir com a humana, a glorificou maravilhosamente, embora não a deificasse. Cristo como mediador está cheio de toda a majestade e toda a honra que ultrapassa toda compreensão das hostes mais altas dos anjos. Em sua humilhação desceu tão baixo que não podia ir mais baixo e em sua exaltação ascendeu a uma altura que não é possível ir mais alto. Em sua foi exaltado acima da sepultura, em sua ascensão ele foi exaltado acima dos céus estrelados e da atmosfera, ao se assentar à mão direita de Deus foi exaltado além dos mais altos céus: "Subiu acima de todos os céus" (Ef 4.10).

    e. Deus exaltou Cristo ao constituí-lo juiz de todo o mundo

    "E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo o julgamento" (Jo 5.22). No dia do julgamento, Cristo será exaltado sobremaneira: "Quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos" (Mc 8.38). Ele vestirá as mesmas roupas bordadas de majestade como o Pai e virá com todos os seus santos anjos (Mt 25.31). Aquele que foi conduzido ao julgamento por um bando de soldados será servido por um regimento de anjos. Cristo julgará seus julgadores, julgará Pilatos que o condenou. Reis deverão deixar seus tronos e vir até esse julgamento. Essa será a mais alta corte de tribunal para julgamento que jamais existiu, onde não haverá mais apelação.