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    Deus é justo ao salvar uns e punir outros? –Thomas Watson (1620-1686)



    Há qualquer injustiça da parte de Deus em salvar uns e desprezar outros, sendo que todos são igualmente culpados por natureza? Por que não lida com todos da mesma maneira?

    "Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum" (Rm 9.14). "Perverteria o Todo-poderoso a justiça?" (Jó 8.3).

    a. Deus é soberanamente livre em suas decisões

    Deus não tem de dar justificativas de suas atitudes às suas criaturas. Assim como não se pode dizer para um rei: "Que fazes?" (Ec 8.4), muito menos para Deus. Isto é o suficiente, Deus é o Senhor supremo, tem um poder soberano sobre suas criaturas, portanto não pode fazer injustiça. "Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?" (Rm 9.21). Deus tem liberdade em si para salvar um e não outro, e sua justiça não é culpada ou manchada.

    Se dois homens lhe deverem dinheiro, você pode, sem qualquer injustiça, cobrar de um e esquecer a dívida do outro. Se dois malfeitores são condenados à morte, o rei pode perdoar um e não o outro. Ele não é injusto se deixar um sofrer, porque quebrou a lei, e o outro salvar, usando sua prerrogativa real de perdoar.

    b. O ímpio é totalmente culpado por suas decisões
    Embora uns sejam salvos e outros pereçam, não há injustiça da parte de Deus, pois quem se perde é culpado por isso. "A tua ruína, ó Israel, vem de ti, e só de mim, o teu socorro" (Os 13.9). Deus oferece graça e os pecadores a rejeitam. Deus é obrigado a dar graça? Se um cirurgião tenta curar a ferida de alguém e esse alguém não é curado, o cirurgião é obrigado a curá-lo? "Clamei, e vós recusastes" (Pv 1.24). "Israel não me atendeu" (SI 81.11). Deus não é obrigado a impor suas misericórdias sobre os homens. Se recusarem livremente a oferta da graça, seus pecados devem ser considerados como a causa de sua perdição, não a justiça de Deus.

    Segunda aplicação: veja a diferença entre Deus e grande parte do mundo, que é injusta.

    1.      Em seus tribunais de magistratura pervertem a justiça. "Decretam leis injustas" (Is 10.1). A palavra hebraica que se refere à toga de um juiz significa prevaricação, engano ou injustiça, que geralmente é mais verdade em relação ao juiz que à toga. De que vale uma boa lei sem um bom juiz? A injustiça se apoia em duas coisas: ou não punir onde há falta, ou punir onde não há falta.

    2.      Os homens são injustos em seus negócios. Isto é, eles usam pesos falsos. "Tem nas mãos balança enganosa" (Os 12.7). É triste ter a Bíblia em uma das mãos e pesos falsos em outra. Os homens são injustos em seus negócios na adulteração de produtos, quando grãos ruins são misturados com grãos bons e vendidos como grãos puros: "O teu licor se misturou com água" (Is 1.22). Não posso crer em quem não é bom da primeira vez, que o será na segunda. Quem é filho de Deus não pode ser injusto. Embora Deus não deseje que sejamos onipotentes como ele é, deseja que sejamos tão justos quanto ele.

    Terceira aplicação: imite a Deus na justiça. Que o grande mandamento de Cristo seja observado: "'Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles" (Mt 7.12). Você não quer ser enganado por eles, então não os engane. Antes, sofra o engano, mas não engane. "Por que não sofreis, antes, o dano?" (ICo 6.7). Seja exemplar na justiça. Que a justiça seja um ornamento em você: "Eu me cobria de justiça, e esta me servia de veste" (Jó 29.14). Ela era veste em sua beleza graciosa. E Jó diz que se vestia dela e que estava vestido com justiça. Um juiz veste sua toga e à noite a retira, mas Jó vestiu a justiça de tal maneira que não a tirou até à morte, ficou vestido para sempre. Não devemos tirar essa veste de justiça até que deitemos nosso tabernáculo. Se você tem algo de Deus em você, será como ele. Com cada ação injusta você se nega a ser um cristão, mancha a glória de sua profissão de fé. Gentios se levantarão em juízo contra você. Assim como o Sol pode alterar seu curso, também Deus poderá deixar de fazer justiça.

    Quarta aplicação: se Deus é justo, haverá um dia de julgamento. Agora as coisas estão sem rumo, o pecado é crescente, os santos são enganados, geralmente são lançados em uma causa justa, não encontram justiça aqui, a justiça se transforma em amargura, mas o dia se aproxima quando Deus endireitará todas as coisas. Deus fará justiça a todo homem, coroará o justo e condenará o ímpio: "Porquanto estabeleceu um dia" (At 17.31). Se Deus é um Deus justo, se vingará. Deus deu uma lei aos homens pela qual viveriam e eles a quebraram. Tem de haver um dia para a execução dos ofensores. Uma lei não executada é como uma adaga de madeira, que só serve para ser vista. No último dia, a espada de Deus será desembainhada contra os ofensores, então sua justiça será revelada diante de todo o mundo: "Há de julgar o mundo com justiça" (At 17.31). "Não fará justiça o Juiz de toda a terra?" (Gn 18.25). O ímpio beberá um mar de ira, mas não experimentará um gole de injustiça. Naquele dia toda boca se calará e a justiça de Deus será totalmente executada apesar de todas as reclamações e clamores de homens injustos.

    Quinta aplicação: consolo ao verdadeiro penitente. Como Deus é um Deus justo, perdoará. Se o homem reconhece seu pecado, Deus o poupa. "Se confessarmos os nossos pecados ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados" (1Joo 1.9). Ele não é só misericordioso, mas justo. Por que ele é justo? Porque prometeu perdoar (Pv 28.13). Se o seu coração se separou do pecado, você pode clamar pela misericórdia e justiça de Deus para o perdão de seu pecado. Mostre-lhe sua mão e o selo e não poderá rejeitá-lo.