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    Prova da Vida Cristã Genuína – J. I. Packer



    Por que precisamos ser salvos?

    Por quê? Porque somos pecadores! E, como tal, estamos perdidos! Essa verdade já foi mencionada anteriormente, mas agora precisamos ampliá-la.

    Somos pecadores: Praticamos o pecado, porque a nossa natureza é pecaminosa. O pecado é uma realidade universal que transcende culturas, e uma infecção da qual nenhum ser humano, em lugar e tempo algum, está isento. Como podemos defini-lo? Formalmente, é o que a resposta n° 14 do Catecismo Menor de Westminster diz: "Qualquer falta de conformidade ou transgressão da lei de Deus".

    No entanto, o pecado também é uma energia, uma obsessão, uma reação alérgica à lei de Deus, uma síndrome irracional anti-Deus em nosso sistema espiritual que nos leva à exaltação do nosso ego e endurece o nosso coração para que não prestemos devoção e obediência ao nosso Criador. O orgulho, a ingratidão e o satisfazer-se a si mesmo são suas expressões básicas que, em algumas ocasiões, leva ao comportamento anti-social e à constante manifestação, mesmo nas pessoas mais honráveis e agradáveis, de uma falta de amor por Deus no nível motivacional. A prática religiosa da humanidade sem regeneração, independente de sua forma, pode ser, e muitas vezes é, consciente e diligente. No entanto, na análise, ela sempre prova buscar e explorar a figura de Deus, em vez de negar-se a si mesma e glorificar a Deus, em seu propósito.

    Tanto o Antigo Testamento no hebraico como o Novo Testamento no grego têm uma grande variedade de palavras usadas para definir o pecado que descreve sua não-conformidade com Deus de várias formas diferentes:

    •        como rebelião contra o nosso justo dono e Senhor;

    •        como transgressão dos limites determinados por ele;

    •        como falha em deixar de alcançar o alvo estabelecido por ele;

    •        como quebra da lei ordenada por ele;

    •        como macular-se (sujar-se, corromper-se) aos olhos dele, tornando-se, assim, indigno de sua companhia; como decidir-se por abraçar a loucura, fechando os ouvidos para sua sabedoria e

    • como achar-se culpado diante de seu trono no juízo.

    A Bíblia, como espelho do autoconhecimento, projeta a nossa imagem quando brincamos de Deus, fazendo de nós mesmos, nossos desejos e sucessos, o centro de todas as coisas; quando lutamos contra Deus, recusando-nos a nos sujeitar a ele e desafiando sua vontade revelada; e quando odiámos Deus em nosso coração pelas queixas que ele faz sobre a nossa vida. "Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus" (Rm 8.6-8).

    Perdidos Pecadores

    Como pecadores, estamos perdidos no mesmo caminho da ovelha desgarrada: distante de nossa verdadeira casa e sem contato com o nosso verdadeiro mestre. Não temos o que esperar para salvar-nos da miséria sem fim. Nada merecemos, senão a exclusão da presença do Deus vivo, a quem já excluímos da nossa vida. Talvez fizemos isto ao longo de nossa busca por prazer e proveito, posição e bens, e talvez até por nos escondermos atrás de uma cortina de fumaça de religiosidade. De qualquer forma fizemos isto, e nada mais justo que a justiça de Deus para nos excluir de sua vida, do modo que o excluímos da nossa. Criados por Deus e para Deus, e pelo fato de termos feito isso nível mais profundo, não podemos encontrar alegria em um relacionamento de amor com Deus, estamos, conseqüentemente, sem "esperança e sem Deus no mundo" (Ef 2.12). Esta é a situação universal da raça humana. Todo cristão sabe, em seu coração, que em qualquer pessoa, cuja natureza decaída segue o seu curso normal, existe um estado de perdição e desesperança. Por isso, ele se gloria na "graça maravilhosa (...) que salvou um pecador como eu".
    Todos os pecadores sabem que estão nesta condição? Sim e não. A distinção, importante ao longo de toda teologia, entre a ordem do ser e a ordem do saber aplica-se aqui (ou melhor, a distinção, para aqueles que gostam de termos técnicos, entre as dimensões ontológica e epistemológica). O domínio para lidar com a morte decorrente do pecado que está sobre nós é uma realidade desde o nosso nascimento. Ele só é discernido quando a luz de Deus resplandece em nosso coração, expondo nossa falta de amor pelo Criador e a desobediência à sua Palavra.

    Esta luz nos mostra o quanto a nossa verdadeira motivação está centrada em nós, e com que freqüência deixamos de fazer o que deveria ser feito para fazer, ao contrário, o que não deveria ser feito. Contudo, essa exposição é dolorosa e, por isso, fugimos dela. Nossa primeira reação ao que a luz nos mostra sobre a maldade de nosso próprio interior é semelhante à primeira reação comum ao diagnóstico de um câncer já em estágio terminal, a saber, a negação.

    Todos têm, no entanto, um certo conhecimento rudimentar de Deus a partir do qual estas coisas podem ser aprendidas. Em Romanos 1.18-32, o apóstolo Paulo afirma que todos os homens "têm conhecimento de Deus" - eles estavam (e ainda estão) conscientes até certo ponto da existência e das exigências divinas, por meio da auto-revelação universal de Deus via a criação da mente e da consciência de todos. Portanto, a raça humana, como um todo, "não tem justificativa" para abraçar a idolatria e a imoralidade. Toda a incredulidade do mundo não- e pós-cristão é, na verdade, uma evidência da impiedade humana e de suas manifestações anti-Deus no mundo do Criador. É o pecado contra a luz e, no fundo, as pessoas sabem disso, embora muitas estejam tão desajustadas consigo mesmas que, se questionadas, afirmariam o contrário.

    Aqueles, no entanto, que foram instruídos na lei de Deus e no Evangelho, como descrito na Bíblia, normalmente têm uma consciência mais viva de seu estado pecaminoso, e de seus pecados particulares, porque a luz divina que brilha neles e que vem das Escrituras para expor-lhes é mais intensa. Esta é uma das razões (e existem outras) por que o cristão convertido, normalmente, experimenta uma convicção mais profunda do pecado após sua conversão do que a que tinha antes de converter-se, e por que uma dimensão de crescimento espiritual, como logo veremos, se caracteriza por um crescimento interior que conduz a uma humildade maior e um arrependimento profundo. Embora não se fale muito sobre isso nos dias de hoje, o profundo sentimento de pecaminosidade de uma pessoa continua sendo um das maiores provas da vida cristã genuína.