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    A Predestinação de todas as Coisas – Por John Gill em 1752


    Sobre a doutrina da predestinação, pode ser considerada igualmente, em geral, relativa a TODAS AS COISAS que foram, são e que haverão de ser, ou feitas no mundo; todas as coisas acontecem sob a determinação e desígnio de Deus; “Ele fez”, como a assembléia de ministros diz em sua confissão, “de toda a eternidade, imutavelmente ordenou tudo quanto vem a suceder”; ou, como eles expressam em seu catecismo, “os decretos de Deus são sábios, livres e santos atos do conselho de Sua vontade”; como, de toda a eternidade, Ele tem, pela Sua própria glória, imutavelmente pré-ordenado tudo o que vem a acontecer ao longo dos tempos: e esta predestinação e pré-desígnio de todas as coisas, podem ser deduzidos do pré-conhecimento de Deus. “Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras.” (do grego aion, “desde a eternidade”) Atos 15:18. Elas são conhecidas por Ele como futuras, como haverão de ser, os quais vieram a ser assim pela Sua determinação em relação a elas. A razão porque Ele sabe como elas haverão de ser, é por causa que Ele determinou como elas deveriam de ser: da providência divina e Seu domínio sobre o mundo, que é “segundo o conselho da sua vontade” (Ef 1:11).  Ele fez todas as coisas de acordo com o que ou como determinou em Sua mente. A predestinação neste sentido não é outra coisa senão a eterna providência, no qual a atual é a sua execução.
     
    Negar isto é negar a providência de Deus e Seu domínio sobre o mundo, o que deístas e ateístas fazem; pensar e falar menos que isto é desprezar a Deus, como Ele não tendo toda a sabedoria e conhecimento e soberania sobre o mundo. Uma vez mais, a verdadeira maravilha, profecia ou predição das coisas que estão por vir, não poderia ser sem uma predestinação delas; dos quais há muitos exemplos nas Escrituras; como o tempo de permanência dos israelitas no Egito exatamente 430 anos como fora profetizado, e sua saída daquele lugar; os setenta anos de cativeiro deles em Babilônia como foi predito e seu retorno ao fim deste tempo; o exato tempo da vinda do Messias como foi profetizado; e muitos outros mais, e alguns em sua maior parte aparentemente casuais e inesperados; como o nascimento de pessoas pelo nome uma centena ou várias centenas de anos antes deles nascerem, como Josias e Ciro; e de um homem carregando um cântaro de água em tal tempo para tal lugar (1 Reis 13:2) como poderiam essas coisas serem anunciadas com exatidão, senão por determinação e desígnio?
    Nada vem a suceder da parte de Deus por casualidade, nada é feito sem Seu conhecimento, nem sem a Sua vontade e nada sem a Sua determinação. Todas as coisas, mesmo as mais diminutas em relação as Suas criaturas e o que é feito neste mundo em todos os períodos e eras é pelo Seu desígnio. Como prova vejamos as seguintes Escrituras:

    Eclesiastes 3:1-2: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;”

    Jó 14:5: “Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles”.

    Daniel 4:35: “E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes?”
    Efésios 1:11: “Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade;”

    Atos 17:26: “E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação;”

    Mateus 10:29-30: “Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? e nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.”
     
    Predestinação pode ser considerada como especial em relação a pessoas em particular e para coisas espirituais e eternas; ao passo que predestinação em geral diz respeito a todas as criaturas e coisas, mesmo sendo temporais e públicas.

    Primeiro, o próprio Senhor Jesus Cristo é o objeto da predestinação; Ele foi preordenado para ser o mediador entre Deus e o homem; para ser propiciação pelo pecado; para ser o Redentor e Salvador de Seu povo; para ser o cabeça da Igreja, Rei dos santos e Juiz da Terra: por isso Ele foi chamado, eleito de Deus e Sua escolha foi única; e tudo o que aconteceu por Ele ou foi feito por Ele, foi pelo determinado conselho e pré-conhecimento de Deus; mesmo todas as coisas relativas aos Seus sofrimentos e morte: como prova disto, eis as seguintes Escrituras:

    Romanos 3:25: “Ao qual Deus propôs (do grego preordenado) para propiciação;”
    I Pe 1:20: “O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo,” que é o Cordeiro (veja também o capítulo 2:4).

    Lucas 22:29 : “E eu vos destino o reino, como meu Pai mo destinou”

    Atos 17:31: “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos”. (Veja também capítulo 10:42).

    Isaías 42:1: “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma”; (veja também Mt 12:18).

    Lucas 22:22: “E, na verdade, o Filho do homem vai segundo o que está determinado; mas ai daquele homem por quem é traído!” (Veja também Salmos 109).

    Atos 2:23: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos;”

    Atos 4:28: “Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer.”
     
    Segundo, anjos também são objetos da predestinação, tanto os bons quantos os maus; os santos anjos foram os escolhidos para a vida e para continuarem em seu estado de felicidade por toda a eternidade: e sua perseverança nisto e eterna felicidade são devido a eterna escolha deles em Cristo, seu cabeça; “Conjuro-te diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, e dos anjos eleitos, que sem prevenção guardes estas coisas,” (I Tm 5:21).  Os anjos maus são os rejeitados de Deus e deixados neste estado miserável que sua apostasia os trouxe, sem qualquer provisão de graça e misericórdia para com eles: eles estão entregues “às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo;” (ou então, de acordo com o determinado conselho e vontade de Deus) (II Pe 2:4, Mt 25:41).
     
    Terceiro, predestinação que as Escrituras especialmente tratam, é o que diz respeito ao homem e consiste de duas partes, eleição e reprovação; uma é a predestinação para a vida, a outra para a morte.
     
    Primeiro. Eleição é uma predestinação para a vida, é um ato da livre graça de Deus, de Sua soberana e imutável vontade, pelo qual desde toda a eternidade Ele escolheu em Cristo da multidão de todo o gênero humano, alguns homens, ou um certo número deles, para serem participantes das bençãos espirituais aqui e felicidade futura, para a glória de Sua graça.
     
    Segundo. Os objetos da eleição são alguns homens, não todos que uma escolha supõe; tomar todos não seria uma escolha; chamou, portanto, um “remanescente, segundo a eleição da graça” (Rm 11:5). Estes são um certo número, que embora desconhecido para nós, em relação a quantidade e quem eles sejam, são conhecidos por Deus: “O Senhor conhece os que são seus” (II Tm 2:19). E ainda que eles sejam “uma multidão, a qual ninguém podia contar” (Ap 7:9), no entanto, quando comparados com os que não foram escolhidos, eles são poucos; “muitos são chamados, mas poucos escolhidos”. (Mt 20:16). Estes são os tirados fora da mesma multidão do gênero humano, não importando o estado desta multidão, se considerada pura ou corrupta, todos estavam em um mesmo nível quando a escolha foi feita: “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” (Rm 9:21). Estes não são todas as nações, igrejas e comunidades, mas indivíduos em particular, cujos nomes estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro; “Amei a Jacó” & etc, “Saudai a Rufo, eleito no Senhor” (Rm 9:13 e Rm 16:13). Eleição não é um conjunto de proposições ou de características, mas de pessoas; ou um homem sob tais e tais características, como crença, santidade, etc, mas pessoas, como “nem tendo feito bem ou mal” (Romanos 9:11); antes eles não tinham feito nenhum nem outro.
     
    1. Este ato de eleição é um ato da graça livre de Deus, pelo qual Ele não é movido por qualquer motivo ou condição no objeto escolhido, nem pela Sua presciência sobre eles: razão porque é chamada de “eleição da graça”; concernente com o que o Apóstolo raciocina de forma forte e invencível; “...se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra.” (Rm 11:6). Está de acordo com a soberana e imutável vontade de Deus e não de acordo com a vontade ou obras do homem; “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,” (Ef 1:5 e verso 11), “havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade”; consequentemente permanece imutavelmente firme e indubitável, mesmo “o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama”, (Rm 9:11).
     
    2. Este ato de eleição independe de fé, santidade e boas obras, como as causas ou condições; a fé provém dela; é um fruto e efeito dela, é garantido por ela, e teve consequência dela: “e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna” (At 13:48), por esta razão é chamada de “a fé dos eleitos de Deus” (Tt 1:1) e embora santidade seja um meio provado no ato da eleição, não é causa dela; nós não somos escolhidos porque somos santos, mas “para que fôssemos santos” (Ef 1:4); boas obras não aparecem primeiro, mas vem após a eleição; isto é negado a eles, como antes observado, e isto foi aprovado antes de tudo ser feito (Rm 9:11 e 11:5,6) eles são os efeitos dos decretos de Deus e não a causa deles; “as quais Deus preparou para que andássemos nelas”. (Ef 2:10).
     
    3. O ato da eleição foi feito EM Cristo, (não em Adão) como o cabeça, em quem todos os eleitos foram escolhidos e em cujas mãos por este ato de graça foram colocados como Seu povo, graça e glória e isto em eterno ato de Deus nEle; “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo” (Ef 1:4) e dessa maneira, o apóstolo diz aos tessalonicenses que “por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação” (II Ts 2:13) não da primeira pregação do evangelho a eles, ou do tempo de sua conversão por ele, mas do começo dos tempos, até mesmo de toda a eternidade. Consequentemente, nada que foi feito no tempo poderia ser a causa ou condição dela. Os homens são escolhidos neste ato pela graça e para glória futura; todas as bençãos espirituais, adoção, justificação, santificação, fé na verdade e salvação por Jesus Cristo. Salvação é o fim proposto em relação ao homem; santificação do Espírito e fé na verdade são os meios apontados e preparados para este fim. “... nos elegeu nele”, “para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;” “E nos predestinou para filhos de adoção”, etc (Ef 1:4,5). “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade;” (II Ts 2:13). “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” (I Pe 1:2). “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo”. (I Ts 5:9).

    Ambos, modos e fins são sem dúvida para escolhas individuais – desde que este é um ato da imutável vontade de Deus; esses são os redimidos pelo sangue de Cristo. Ele morreu por seus pecados e ficou satisfeito por eles: eles são justificados pela Sua retidão e nenhuma acusação pode ser feita contra eles; eles são efetivamente chamados pela graça de Deus; eles são justificados pelo Seu Espírito; eles perseverarão até o fim e finalmente não poderão ser enganados nem perecer, mas serão eternamente glorificados. “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena?” Este é o eleito (Rm 8:33).“Pois é Cristo quem morreu”(vers. 34). “E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.” (Rm 8:30). “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” (Mt 24:24); mas isto não é possível.
     
    4. O resultado final de tudo isto em relação a Deus, é a Sua própria glória; a glória de toda a Sua divina perfeição; a glória de Sua sabedoria em formar tal plano, em fixar começo e fim e preparar os meios para isto; a glória de Sua justiça e santidade, na redenção e salvação dos que escolheu, através do sangue, retidão e sacrifício de Seu Filho; e a glória da riqueza de Sua graça e misericórdia exibida em Sua bondade para eles através de Seu Filho; e o conjunto total de tudo isto é “Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado,” (Ef 1:6).
     
    Esta é agora a doutrina bíblica da predestinação, ou essa parte dela que é chamada de eleição; de onde aparece para ser ABSOLUTA E INCONDICIONAL, sem restrições de qualquer coisa no homem como a causa e condição dela no tempo ou eternidade. O senhor Wesley acredita que “eleição é como uma divina designação de alguns homens para a felicidade eterna”; assim ele reconhece uma eleição particular e pessoal e chama isto de eterno decreto; mas acredita que é algo condicional: mas se isto é condicional, a condição é para ser citada; ele deixou de citar a condição; ele deixou de citar este ponto para nós, e em qual passagem da Escritura ela está; isto faz dele um enganador, e eu insisto sobre isto, ou senão ele nos daria sua noção não bíblica de eleição condicional. Marcos 16:16 não é a manifestação deste decreto, mas uma declaração da revelada vontade de Deus: e não cita para nós qual será o estado eterno dos crentes e descrentes: mas crentes, como tais, que são crentes verdadeiros, são os eleitos de Deus; mas por conseguinte a razão porque eles são os eleitos de Deus não é causa ou condição de sua eleição, mas sua eleição é a causa de sua fé; eles foram escolhidos quando não tinham feito nem o bem nem o mal e assim antes de crerem: e eles creram em tempo, em consequência de serem ordenados para a vida eterna, desde a eternidade passada: fé no tempo propício, eleição antes do mundo existir; nenhuma circunstância temporal pode ser a causa ou condição do que é eterno. Isto é a doutrina das Escrituras. Se o senhor Wesley não observa isso, deixe-o ouvir os artigos de fé de sua própria igreja [A Igreja da Inglaterra, ou Igreja Episcopal]; o sétimo, do qual segue:
     
    “Predestinação para a vida é o eterno propósito de Deus por meio do qual (antes da fundação do mundo) Ele desde sempre decretou pelo Seu conselho, secretos para nós, salvar da desgraça e danação os que Ele escolheu em Cristo dentre toda a espécie humana e os trouxe a Cristo para perpétua salvação como vasos de honra. Para que eles sejam investidos com tão excelente benefício de Deus, ser chamado de acordo com o propósito de Deus pelo Seu Espírito trabalhando no tempo devido: eles através da graça obedeceram ao chamado: eles são justificados livremente: eles são feitos filhos de Deus por adoção: eles são feitos a imagem de Seu único primogênito o Filho de Deus, Jesus Cristo: eles andam religiosamente em boas obras e na longanimidade e misericórdia de Deus, eles obtem eterna felicidade”. Este é um artigo em conformidade com as Escrituras; um artigo em que ele como um verdadeiro filho da igreja traiçoeiramente se afastou; um artigo no qual o senhor Wesley deve ter subscrito e concordado; um artigo que deve ser proeminente diante de seus olhos, contanto que subscrições e juramentos oficiais representem qualquer coisa para ele.
                                                       
    A doutrina da eleição como acima declarada e estabelecida de forma tão clara à luz das Escrituras e mostrada com tal evidência que é impossível para toda sabedoria e sofisma humano pôr de lado; o outro ramo da predestinação necessariamente segue, o qual não negamos, mas mantemos. O senhor Wesley alega ter encontrado uma eleição em que não implique em uma reprovação; mas que eleição pode ser essa, que a inteligência humana não pode delinear; se alguns foram escolhidos, outros foram rejeitados; e a noção de eleição do senhor Wesley em si mesma implica nisto;
     
    I. O outro ramo da predestinação é comumente chamado de reprovação; o qual é segundo um imutável decreto de Deus, de acordo com Sua soberana vontade, pelo qual Ele determinou tomar alguns homens de toda a raça humana, do qual ele escolheu outros para legitimamente puni-los em relação ao pecado com eterna danação, para a glória de Seu poder e justiça. Este decreto consiste de duas partes, uma negativa e uma positiva; a primeira é chamada por alguns de preterição ou abandono, uma desistência de alguns quando outros são escolhidos; o qual não é outra coisa senão uma não-eleição; esta é chamada de pré-danação, sendo o decreto de Deus para condenar ou rejeitar os homens pelo pecado. 
     
    II. Primeiro, preterição é um ato de abandonar ou de deixar alguns homens quando Ele escolheu outros, de acordo com Sua soberana vontade e satisfação; do qual ato está em clara evidência na Sagrada Escritura; bem como necessariamente implica no ato eletivo de Deus o qual há incontestável prova. Estes são “o resto”, os que permaneceram como não-eleitos enquanto que outros o foram; “os eleitos o alcançaram, e os outros foram endurecidos”. (Rm 11:7), ou pessoas eleitas que obtem justiça, vida e salvação em consequência de serem escolhidas e o resto delas foram deixadas e permanecerão em seu estado de ignorância e trevas e por seus pecados entregam-se a cegueira e dureza de coração. Esses são os que foram deixados de fora do livro da vida enquanto que outros tem seus nomes escritos desde a fundação do mundo; do qual se diz: “esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”. (Ap 13:8 e capítulo 17:8)
     
    Segundo, pré-danação é o decreto de Deus para condenar o homem por causa do pecado, ou puni-lo com eterna danação por causa dele; e este é o sentido das Escrituras; e esta é a visão que elas nos dão desta doutrina. “O SENHOR fez todas as coisas para atender aos seus próprios desígnios, até o ímpio para o dia do mal”. (Pv 16:4). Não que Deus tenha feito o homem para condená-lo; as Escrituras não dizem tal coisa, nem nós; nem é este o sentido da doutrina que defendemos; nem inferimos tal coisa disto. Deus não fez o homem nem para condenená-lo nem para salvá-lo, mas para Sua própria glória, que é Seu objetivo final em nos criar, o qual é respondido se ele é salvo ou perdido: mas o significado é, que Deus designou o homem mau para o dia ruim e destruição por sua perversidade. “... homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.”(Jd 4). Por esta razão os objetos deste decreto são chamados “vasos da ira” (Rm 9:22), que é pelo pecado. E agora o que há de chocante nesta doutrina ou desagradável às perfeições de Deus? Deus não condena nenhum homem, mas por causa do pecado, e Ele decretou condenar nenhum, mas por causa do pecado [assim ele o fez].
     
    Terceiro, este decreto, dizemos, está de acordo com a soberana vontade de Deus, nada pode ser a causa de Seu decreto senão Sua própria vontade: deixe o objeto desta parte do decreto que é chamada preterição, que considerou nem corrupto ou puro todo o gênero humano, como criaturas caídas ou não, eles são considerados na mesma visão e em igual nível com os escolhidos; e portanto, nenhuma outra razão pode ser dada, mas a vontade de Deus, que Ele deveria tomar alguns e deixar outros. E embora neste ramo que é um desígnio do homem para a condenação, o pecado é a causa deste decreto, a condenação; no entanto, isto é a vontade de Deus que a causa do decreto em si mesmo, por esta invencível razão ou de outro modo Ele deveria ter designado todos os homens para a condenção, desde que todos os homens são pecadores; deixe qualquer outra razão ser designada se isto puder ser, porque Ele decidiu condenar alguns homens pelos seus pecados e não outros,
     
    Quarto, o propósito de Deus nisto tudo é glorificar a Si mesmo, Seu poder e Sua justiça; Seus desígnios são “por Si mesmo”, para Sua própria glória e isto entre o resto, “Deus, querendo mostrar a sua ira”, Sua justiça vingativa, “e dar a conhecer o seu poder,” na punição dos pecadores pelo pecado, “suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;” (Rm 9:22).