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    Ó Profundidade da Riqueza... - Thomas Watson (1620-1686)



    A sabedoria de Deus brilha na obra da redenção

    i. A sabedoria do plano pelo qual o pecador é salvo. Esta é a obra-prima da sabedoria divina: a elaboração de uma conjunção bem-sucedida entre o pecado do homem e a justiça de Deus. Podemos gritar com o apóstolo: "Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria quanto do conhecimento de Deus!" (Rm 11.33).

    Tal intervenção da sabedoria divina impressionou homens e anjos. Se Deus tivesse nos dado condições de encontrar a salvação quando estávamos perdidos, não teríamos inteligência suficiente para idealizar, nem coração para desejar o que a sabedoria infinita de Deus proporcionou a nós.

    A misericórdia tem uma estratégia para salvar os pecadores e não permitir que a justiça de Deus seja ofendida. "Seria uma pena", diz a misericórdia, "que tão nobre criatura como o homem fosse criado para ser desfeito, no entanto, a justiça de Deus não pode ser ofendida". Em quê, então, se encontraria uma saída? Os anjos não poderiam satisfazer a ofensa feita à justiça de Deus, nem é apropriado que uma natureza pecasse e outra sofresse em seu lugar. O que fazer então? O homem estará perdido para sempre?
    Bem, enquanto a misericórdia estava debatendo consigo mesma o que fazer para o resgate do homem caído, a sabedoria de Deus entrou em cena e a decisão foi profetizada: torne-se Deus em homem: a segunda pessoa da Trindade seja encarnada e sofredora. E, assim, para preencher os requisitos era apropriado que fosse homem e para garantir a salvação era apropriado que fosse Deus. Então, a justiça ficaria satisfeita e o homem salvo. Oh! profundidade das riquezas da sabedoria de Deus, que dessa maneira fez que a justiça e a misericórdia se beijassem! Grande é este mistério. Deus "foi manifestado na carne" (1 Tm 3.16). Que sabedoria, o fato de que Cristo foi feito pecado, mas não conheceu pecado algum, de modo que Deus pudesse condenar o pecado e salvar o pecador. Quão grande foi a sabedoria que encontrou uma saída de salvação.

    ii. A sabedoria do instrumento pelo qual o pecador é salvo. O meio pelo qual a salvação é aplicada destaca a sabedoria de Deus; pelo que a salvação deveria ser pela fé, não por obras. Fé é uma graça humilde, conduz tudo para Cristo; é um adorador da graça, quando a graça avança, Deus é glorificado; sua mais alta sabedoria exalta sua glória.

    iii. A sabedoria da maneira em que a fé trabalha. A maneira de a fé operar declara a sabedoria de Deus. Ela é ativada pela palavra pregada. "A fé vem pela pregação" (Rm 10.17). Quão fraco é o sopro de uma pessoa para converter uma alma? É como soprar nos ouvidos de um homem morto. Isso é tolice aos olhos do mundo, mas o Senhor ama mostrar sua sabedoria por intermédio daquilo que parece tolice: "Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios" (ICo 1.27). Por quê? "Afim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus" (ICo 1.29). Se Deus usasse o ministério de anjos para converter, então deveríamos estar prontos para dar glória aos anjos, honrá-los com a honra que pertence a Deus. Porém, quando Deus utiliza instrumentos fracos, homens que têm paixões semelhantes às nossas, e os usa para converter outros, então claramente percebe-se que o poder é de Deus. "Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós" (2Co 4.7). Nisto a sabedoria de Deus é vista, para que ninguém se vanglorie em sua presença.