• Puro conteúdo Reformado!

    ReformedSound

    .

    .

    Lições que a Imutabilidade Divina nos Ensina – Thomas Watson (1620-1686)



    - Veja a excelência da natureza divina em sua imutabilidade. Essa é a glória da divindade. Mutabilidade denota fraqueza, o que não há em Deus, que é "o mesmo e o será para sempre" (Hb 13.8). Os homens são inconstantes e mutáveis, como Rúben, "impetuoso como a água" (Gn 49.4). São mutáveis em seus princípios. Se seus semblantes se alteram rapidamente como suas opiniões, não se pode conhecê-los. Os homens são mutáveis em suas decisões, mudam como o vento que sopra para o leste, de repente muda para o oeste. Decidem ser virtuosos, mas logo se arrependem de suas decisões. Suas mentes são como o pulso de um homem doente, mudam a cada meia hora. Um dos apóstolos compara o homem às ondas do mar e às estrelas errantes (Jd 13). Não são pilares no templo de Deus, mas juncos. Outros são mutáveis em suas amizades. Rapidamente amam e rapidamente odeiam. Às vezes somos íntimos deles, então nos afastam de seu favor. Mudam como o camaleão, em várias cores, mas Deus é imutável.

    Segunda aplicação: veja a vaidade da criatura. Há mudanças em tudo, mas não em Deus. "Somente vaidade são os homens plebeus; falsidade, os de fina estirpe" (SI 62.9). Esperamos mais das criaturas do que Deus colocou nelas. Há dois males nas criaturas: prometem mais do que podem cumprir e nos decepcionam quando mais precisamos delas. Há decepção na humanidade. Um homem deseja seu milho moído, mas a água falta. O marinheiro vai viajar e o vento não sopra, ou o contrário. Um depende do outro para o pagamento de uma promessa e falha, e é como um pé fora da junta. Quem procuraria estabilidade na criatura vã? É como construir casas na areia, onde o mar alcança e faz enchente. A criatura é fiel a nada mais que decepção, é constante somente nos desapontamentos. Não há surpresa maior nas mudanças aqui embaixo que ver a Lua se vestindo de uma nova forma e figura. Espere encontrar mudanças em tudo, mas não em Deus.

    Terceira aplicação: consolo ao fiel.

    1.      Em casos de perdas. Se uma propriedade for quase totalmente desvalorizada, se amigos forem perdidos pela morte, se houver um eclipse duplo, o consolo é que Deus é imutável. Podemos perder essas coisas, mas não perdemos Deus. Ele nunca morre. Quando a figueira e a oliveira não produziram, Deus não falhou: "Exulto no Deus da minha salvação" (He 3.18). As flores do jardim morrem, mas a porção do homem permanece. Coisas exteriores morrem e mudam, mas "ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre" (SI 73.26).

    2.      Em caso de tristeza de espírito. Deus parece lançar a alma no abandono, como em Cântico 5.6: "ele se retirara e tinha ido embora", mas é imutável. É imutável em seu amor. Pode mudar seu semblante, mas não seu coração. "Com amor eterno eu te amei" (Jr 31.3). Amor eterno é a palavra olam, no hebraico. Se o amor eletivo de Deus se acender sobre uma alma, nunca se apagará. "Porque os montes se retirarão, e os outeiros serão removidos; mas a minha misericórdia não se apartará de ti, e a aliança da minha paz não será removida, diz o SENHOR, que se compadece de ti" (Is 54.10). O amor de Deus é mais forte que as montanhas. Seu amor por Cristo é imutável, por isso nunca cessará de amar os crentes, assim como não cessará de amar a Cristo.

    Quarta aplicação: quanto à exortação

    Tenha interesse no Deus imutável, então você será como uma rocha no mar, imóvel no meio de todas as mudanças.

    Como posso ter parte no Deus imutável? Ao ter uma mudança segundo os padrões divinos. "Mas vós vos lavastes, mas fostes santifícados" (ICo 6.11). Assim somos mudados das trevas para a luz, mudados de tal maneira como se outra alma vivesse no mesmo corpo. Por meio dessa mudança, damos provas de nosso interesse no Deus imutável.

    Confie que somente Deus é imutável. "Afastai-vos, pois, do homem" (Is 2.22). Pare de confiar no junco e confie na Rocha Eterna. Aquele que é fortificado em Deus pela fé está a salvo de todas as mudanças. Ele é como um barco amarrado a uma rocha irremovível. Quem confia em Deus, confia naquele que não pode decepcioná-lo. Ele é imutável. "De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei" (Hb 13.5). A saúde pode nos abandonar, assim como as riquezas, os amigos, mas Deus diz que não nos abandonará, seu poder nos sustentará, seu Espírito nos santifícará, sua misericórdia nos salvará. Ele nunca nos deixará. Confie nesse Deus imutável.

    Deus é zeloso em relação a duas coisas: nosso amor e nossa confiança. Zela quanto ao nosso amor, para que não amemos a criatura mais que a ele, e deixa isso bem claro. E zela quanto à nossa confiança, para que não coloquemos mais confiança em nós mesmos que nele, pois se assim o fizermos, mostrará que confiar em nós mesmos não é seguro. Consolos externos nos são dados como alimento para nos refazer, não como muletas para nos apoiar. Se fizermos da criatura um ídolo, Deus envergonhará a quem confiamos. Confie no Deus imortal. Como a pomba de Noé, não temos lugar para apoiar nossas almas, até que cheguemos à arca do Deus imutável. "Os que confiam no SENHOR são como o monte Sião, que não se abala, firme para sempre" (SI 125.1).