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    Como John Owen cresceu em santidade? – Imite-o!



    John Owen humilhou-se debaixo da poderosa mão de Deus

    Apesar de ele ser um dos mais influentes e conhecidos homens em seus dias, sua visão de seu lugar na economia de Deus era sóbria e humilde. Dois dias antes de morrer, ele escreveu uma carta a Charles Fleetwood:

    “Eu estou deixando o navio da Igreja em uma tempestade, mas enquanto o grande Piloto estiver no comando, a perda de um pobre remador será inconsiderável.”
    Packer diz que

    “Owen, [embora] um homem orgulhoso por natureza, diminuiu-se em e por sua conversão, e depois disso, ele se manteve humilde por uma contemplação recorrente de sua pecaminosidade inerente.”

    O que Owen escreve ilustra isso:

    Guardar nossas almas num constante estado de mansidão e auto-humilhação é a parte mais necessária da nossa sabedoria... e isto está tão longe de ter alguma inconsistência com aquelas consolações e alegrias que o Evangelho oferece a nós como crentes, bem como é a única maneira de deixá-las na alma de uma maneira apropriada.

    Em relação ao seu imenso aprendizado e o tremendo insight que ele tinha sobre as coisas de Deus, ele parecia ter uma atitude humilde sobre suas realizações, pois ele escalou alto o suficiente para ver sobre as primeiras montanhas dentre os mistérios infinitos de Deus.

    “Eu não tenho pretensão de procurar o fundo ou as profundidades de muitas partes do ‘grande mistério da piedade, Deus manifesto em carne’. Todos eles são inalcançáveis, para o [limite] até das mentes mais iluminadas, nesta vida. O quanto mais poderemos compreender deles no outro mundo, somente Deus sabe”

    Esta humildade abriu a alma de Owen para as maiores visões de Cristo nas Escrituras. Ele acreditava de todo o coração na verdade de 2 Coríntios 3.18 de que, por contemplar a glória de Cristo, “nós somos gradualmente transformados na mesma glória”. E isto  nada mais é do que a santidade.

    John Owen cresceu no conhecimento de Deus por obedecer aquilo que ele já conhecia Em outras palavras, Owen reconheceu que a santidade não era meramente o objetivo de todo o aprendizado verdadeiro; ela é também o meio de mais aprendizado verdadeiro. Isto elevou sua santidade mais ainda em sua vida: ela foi o objetivo de sua vida e, em grande medida, o meio de conseguir mais.

    A verdadeira noção das santas verdades evangélicas não sobreviverá, ou pelo menos não florescerá, onde elas estiverem separadas de uma santa conversação (= vida).

    Assim como nós aprendemos tudo para praticar [!!!], assim também aprendemos muito pela prática... e apenas desta forma nós teremos a segurança de que aquilo que conhecemos e aprendemos é deveras a verdade (cf. João 7.17)... e por meio disto, seremos guiados continuamente para os mais distantes graus de conhecimento.A mente do homem é capaz de receber suprimento contínuo com o aumento da iluminação e do conhecimento... se.. eles crescem no seu objetivo de obediência a Deus. Mas sem isto, a mente será rapidamente cheia de noções, de forma que nenhuma correnteza poderá descer para ela da fonte da verdade.

    Portanto, Owen manteve as correntes da fonte da verdade abertas, ao fazer da obediência o efeito de tudo o que aprendeu, e o meio de mais obediência. Owen possuía uma comunhão com Deus de forma apaixonada É incrível que Owen foi capaz de continuar escrevendo livros edificantes e volumosos, além de panfletos, debaixo das pressões de sua vida. A chave era sua comunhão pessoal com Deus.

    Andrew Thomson, um dos seus biógrafos, escreveu:

    É interessante descobrir a ampla evidência que [sua obra sobre Mortificação] proporcionou, isso em meio ao ruído da controvérsia teológica, as atividades absorventes e perplexas de uma alta posição pública, e a frieza de uma universidade. Ainda assim ele vivia perto de Deus, e como Jacó no meio das pedras do deserto, mantinha um relacionamento secreto com o eterno e o invisível.
    Packer diz que os Puritanos diferem-se dos evangélicos hoje porque com eles 

    “...a comunhão com Deus era algo grande, para os evangélicos de hoje é algo comparativamente pequeno. Os Puritanos se preocupavam com a comunhão com Deus de uma forma que não fazemos. A medida da nossa despreocupação é o pouco que falamos sobre isto. Quando cristãos se encontram, eles falam com o outro sobre a obra cristã e interesses cristãos, seus ministérios cristãos, o estado de suas igrejas, os problemas na teologia – mas raramente de sua experiência diária com Deus”.

    Mas Deus via que Owen e os sofredores Puritanos de seu tempo viviam próximos a Ele e consideravam sua comunhão com Deus mais valiosa do que nós fazemos. Escrevendo uma carta durante uma enfermidade, em 1674, ele disse a um amigo: “Cristo é nosso melhor amigo, e por muito tempo ele será nosso único amigo. Eu oro a Deus, desejando de todo meu coração, que eu possa até me cansar de tudo, menos de conversar e ter comunhão com Ele”

    Deus estava usando a enfermidade e todas as outras pressões da vida de Owen para direcioná-lo a uma comunhão com Ele e não se afastar disso.

    Mas Owen também mantinha sua comunhão com Deus de forma muito intencional. Ele disse:

    “A amizade é melhor mantida e guardada por meio de visitas; e destas, as mais livres e menos ocasionadas por negócios urgentes...” 

    Em outras palavras, no meio de todos os seus trabalhos acadêmicos, políticos e eclesiásticos, ele fez muitas visitas a seu Amigo, Jesus Cristo.

    E quando fazia isto, ele não se aproximava de Deus apenas com petições de coisas ou mesmo para libertação em suas muitas dificuldades. Ele se aproximava para ver seu glorioso amigo e contemplar sua grandeza. O último livro que ele escreveu – estava terminando quando ele faleceu – é chamado Meditations on the Glory of Christ[Meditações sobre a Glória de Cristo]. Isto diz muito sobre o foco e os resultados na vida de Owen. Lá ele disse:

    A revelação... de Cristo… merece o mais intenso de nossos pensamentos, o melhor de nossas meditações e a maior diligência neles... Que melhor preparação podemos ter para [nosso futuro gozo da glória de Cristo] do que uma constante contemplação prévia desta glória na revelação que é feita no Evangelho?

    A contemplação que Owen tinha em mente é formada de pelo menos duas coisas: por um lado há o que ele chamou de seus “pensamentos mais intensos”, e “melhores meditações” ou em outro lugar “meditações assíduas”, e por outro lado há a oração sem cessar. As duas  são ilustradas em sua obra sobre Hebreus.

    Uma de suas maiores realizações foi seu volume sete do comentário sobre Hebreus. Quando ele o terminou, quase no fim de sua vida, disse: “Agora meu trabalho está pronto – é hora de eu morrer”. Como ele fez isso? Nós podemos ter um vislumbro a partir prefácio:

    Eu devo agora dizer que, após toda minha busca e leitura, a oração e meditação assídua têm sido o meu único repouso, e de longe os meios mais úteis de iluminação e assistência. Por causa deles meus pensamentos têm sido libertos de muitos embaraços .

    Seu objetivo em tudo que ele fazia era alcançar a mente de Cristo e refleti-la em seu comportamento. Isto significa que a busca por santidade sempre esteve ligada à busca por um verdadeiro conhecimento de Deus. É por isso que oração, estudo e meditação sempre estavam juntos.

    Eu suponho… isto pode ser fixado como um princípio comum do Cristianismo; a saber, que a oração constante e fervorosa pela assistência divina do Espírito Santo, é um meio tão indispensável para... alcançarmos o conhecimento da mente de Deus nas Escrituras, de forma que sem ele, todos os outros meios de nada aproveitarão.

    Owen nos dá uma amostra deste esforço, de forma que ninguém pense, neste respeito, que ele estava acima da batalha. Ele escreveu a John Eliot, na Nova Inglaterra:

    Reconheço a você que tenho um espírito seco e árido, e, de todo o coração, peço suas orações para que o Santo, sem importar-se com todas as minhas provocações pecaminosas, me dê água que venha do alto.

    Em outras palavras, as orações dos outros eram essenciais, não apenas as suas. A fonte principal de tudo aquilo que Owen pregou e escreveu foi sua oração e “meditação assídua” na Escritura. O que nos leva ao quarto caminho que Owen seguiu para chegar a esta santidade em sua vida imensamente ocupada e prolífica.

    Owen era autêntico em recomendar em público apenas o que vivia em particular. Um grande obstáculo à santidade no ministério da Palavra é que temos a tendência de pregar e escrever sem preocupar-nos com as coisas que dizemos e torná-las reais para as nossas próprias almas. Com o passar dos anos, as palavras começam a vir facilmente, e descobrimos que podemos falar de mistérios sem um sentimento de admiração; podemos falar de pureza sem nos sentirmos puros; podemos falar de zelo sem uma paixão espiritual; podemos falar da santidade de Deus sem termos temor; podemos falar do pecado sem tristeza; podemos falar do céu sem ardor. E o resultado disto é um terrível endurecimento da vida espiritual.

    As palavras vinham facilmente para Owen, mas ele mantinha-se contra esta terrível doença da artificialidade e assegurava seu crescimento em santidade. Ele comeaçava com a premissa:

    “Nossa felicidade não consiste em conhecer os assuntos do Evangelho, mas em colocá-los em Prática”. Fazer, não apenas conhecer, este era o objetivo de todos os seus estudos.

    Como um caminho para este autêntico “fazer”, ele trabalhou para experimentar cada verdade que havia pregado. Ele disse:

    Eu me encontro preso em consciência e em honra, sem nem mesmo imaginar que eu possa entender um conceito correto de qualquer artigo da verdade, e muito menos publicá-lo, a não ser que, por meio do Espírito Santo, eu tenha provado o sabor disto, em seu sentido espiritual, que eu possa ser capaz, de coração, a dizer como o salmista “eu cri, por isso falei”.

    Então, por exemplo, sua Exposição do Salmo 130 (320 páginas sobre oito versículos) é uma exposição não somente do Salmo, mas também do seu próprio coração.

    Andrew Thomson diz:

    Quando Owen… abria o livro de Deus, ele abria, ao mesmo tempo, o livro de seu próprio coração e de sua própria história, e produzia um livro que... era rico em seus pensamentos dourados, e permeado com a experiência viva de alguém que falou sobre o que conhecia, e testificou daquilo que tinha visto.

    O mesmo biógrafo disse de On The Grace and Duty of Being Spiritually Minded [Sobre a Graça e o Dever de Ser Espiritualmente Orientado] (1681) que ele “primeiro pregou isto a seu próprio coração, e depois a uma congregação particular; o que nos revela a quase intocável e irrepreensível amostra do que Owen viveu nos últimos anos de sua peregrinação”.

    Esta era a convicção que controlava Owen:

    Um homem pregará um sermão bem para os outros, somente se ele tiver pregado o mesmo em sua própria vida. E aquele que não se alimentou e nem teve sucesso na digestão do alimento que ele fornece para os outros, raramente fará com que eles o saboreiem; sim, ele não sabe, mas o alimento que ele fornece pode ter veneno, a menos que ele realmente o tenha provado por si mesmo. Se a palavra não habitar com poder em nós, ela não passará com poder de nós; Foi esta convicção que sustentou Owen em sua vida pública incrivelmente ocupada por controvérsias e conflitos. Ele nunca defendia uma verdade se primeiro não a tomasse profundamente em seu coração e alcançasse uma verdadeira experiência espiritual daquilo, para que não houvesse artificialidade no debate, nem uma mera encenação ou blefes.

    Ele esteve firma na batalha porque tinha experimentado a verdade ao nível pessoal dos frutos da santidade e sabia que Deus estava com ele. Esta é a forma como ele escreve no Prefácio de The Mystery of the Gospel Vindicated [O Mistério do Evangelho Vindicado](1655):

    Quando o coração é lançado realmente no molde da doutrina que a mente abraçou – quando a evidência e a necessidade da verdade habitam em nós – quando não apenas o sentido das palavras está em nossas cabeças, mas o sentido delas habitam em nossos corações – quando temos comunhão com Deus na doutrina que defendemos – então seremos guardados pela graça de Deus contra todos os assaltos dos homens;

    Esta, acredito, era a chave da vida e ministério de John Owen, tão aclamado pela santidade – “quando temos comunhão com Deus na doutrina que defendemos – então seremos guardados pela graça de Deus contra todos os assaltos dos homens”. A última coisa que Owen estava fazendo quando o fim de sua vida chego, foi comungar com Cristo numa obra que mais tarde seria publicada como Meditations on the Glory of Christ[Meditações sobre a Glória de Cristo]. Seu amigo William Payne estava o ajudando a editar a obra. Próximo do fim, Owen disse “Oh irmão Payne, o tão esperado dia é vindo finalmente, em que eu devo ver a glória de uma outra maneira que eu jamais fiz ou fui capaz de fazer neste mundo”.

    Mas Owen viu mais glória do que muito de nós vemos, e é por esta razão que ele foi conhecido por sua santidade, pois Paulo nos ensinou claramente, e Owen creu que “todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.”
    John Piper