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    John Owen - Fecundidade em meio a Pressão -



    Se desejar leia o primeiro artigo - John Owen - Um Primeiro Olhar

    O que começou a me impressionar, à medida que aprendia quão pública e quão administrativamente carregada era a vida de Owen, foi que ele era capaz de continuar estudando e escrevendo, a despeito de tudo, e em parte por causa de tudo.

    Em Oxford, Owen era responsável pelos serviços de adoração, pois a Igreja de Cristo era uma catedral, bem como uma faculdade, e ele era o pregador. Ele era responsável pela escolha de estudantes, a nomeação de capelães, a provisão de facilidades tutoriais, a administração de disciplina, a supervisão da propriedade, a cobrança de aluguéis e dízimos, a doação de possessões e o cuidado dos carentes no hospital da igreja, mas o seu objetivo principal, em toda a sua vida, diz Peter Toon, era “estabelecer a vida inteira da Faculdade sobre a Palavra de Deus”.

    Sua vida era simplesmente sobrepujada pela pressão. Eu não posso imaginar que tipo de vida familiar ele tinha, e durante o tempo em que suas crianças estavam morrendo (sabemos que pelo menos dois filhos morreram na praga de 1655). Quando ele terminou seus deveres como Vice-Chanceler, ele disse na conclusão do seu discurso, Os labores têm sido inumeráveis; além de submeterem a enormes gastos, frequentemente quando trazido à beira da morte por sua causa, tenho odiado estes membros e este corpo débil com o qual estava pronto a abandonar minha mente; as censuras dos plebeus têm sido indiferentes; a inveja dos outros tem sido sobrepujada: nestas circunstâncias eu desejo a vocês toda prosperidade e dou adeus.

    A despeito de toda esta pressão administrativa, e até mesmo hostilidade, por causa de seu compromisso com a piedade e com a causa Puritana, ele estava constantemente estudando e escrevendo, provavelmente até tarde da noite, em vez de dormir. Isto mostra quão preocupado ele era com a fidelidade doutrinária às Escrituras. Peter Toon lista 22 obras publicadas durantes estes anos. Por exemplo, ele publicou sua defesa da Perseverança dos Santos em 1654. Ele viu um homem chamado John Goodwin espalhando erro sobre esta doutrina e sentiu-se constrangido, mesmo com todos os seus outros deveres, a respondê-lo – com 666 páginas! Este livro preenche todo o volume 11 em suas Works. E ele não escrevia felpas que desapareciam durante a noite. Um biógrafo dele disse que este livro é “a vindicação mais magistral da perseverança dos santos na língua inglesa”.

    Durante estes anos administrativos ele escreveu também Of the Mortification of Sin in Believers [Sobre a Mortificação do Pecado nos Crentes] (1656), Of Communion with God[Sobre a Comunhão com Deus] (1657), Of Temptation: The Nature and Power of It [Sobre a tentação: A Natureza e o Poder dela] (1658). O que é impressionante sobre estes livros é que eles são o que poderia ser chamado de intensamente pessoais e em muitos lugares muito suaves. Assim, ele não estava apenas lutando batalhas doutrinárias; ele estava lutando contra o pecado e a tentação. E ele não estava apenas lutando, ele estava tentando encorajar uma profunda comunhão com Deus em seus estudantes.

    Ele foi aliviado dos seus deveres de Deão em 1660 (tendo renunciado a Vice-Chancelaria em 1657). Cromwell tinha morrido em 1658. A monarquia com Charles II estava de volta. O Ato da Uniformidade, que removeu 2.000 Puritanos dos seus púlpitos, estava às portas (1662). Os dias seguintes para Owen, agora, não seriam os grandes dias políticos e acadêmicos dos últimos 14 anos. Ele era agora, de 1660 até sua morte em 1693, um tipo de pastor fugitivo em Londres.

    Durante estes anos ele se tornou o que alguns têm chamado de o “Atlas e o Patriarca da Independência”. Ele se tornou persuadido de que a forma Congregacional de governo era mais bíblica. Ele foi o principal porta-voz desta ala da Não-conformidade, e escreveu extensivamente para defender a visão.

    Mas, ainda mais significante, ele foi o principal porta-voz da tolerância, tanto da forma Presbiteriana como Episcopal. Mesmo enquanto em Oxford, ele tinha a autoridade para acabar com a adoração Anglicana, mas ele permitiu um grupo de Episcopais adorar em salas do outro lado dos seus próprios quartos. Ele escreveu numerosos tratados e livros pedindo a tolerância dentro da Ortodoxia. Por exemplo, em 1667 ele escreveu (em in Indulgence and Toleration Considered [Indulgência e Tolerância Consideradas]):

    Parece que somos um dos primeiros que, em algum lugar no mundo, desde a fundação deste, pensou em arruinar e destruir pessoas da mesma religião que a nossa, meramente pela escolha de algumas formas peculiares nesta religião.

    Suas idéias de tolerância eram tão significantes que elas tiveram uma larga influência sobre William Penn, o Quaker e fundador de Pensilvânia, que foi um estudante de Owen. E é significante para mim, como um Batista, que ele tenha escrito em 1669, com vários outros pastores, uma carta de interesse para o governador e congregacionalistas de Massachusetts, suplicando-lhes para não perseguir os Batistas.


    Ministério Pastoral

    Durante estes 23 anos após 1660, Owen foi um pastor. Por causa da situação política, ele não era sempre capaz de estar num único lugar e com o seu povo, mas ele parecia carregá-los em seu coração, mesmo quando viajava de um lugar para outro. Perto do fim de sua vida, ele escreveu ao seu rebanho, “Embora esteja ausente de vocês em corpo, estou em mente, afeição e espírito presente com vocês, e em suas assembléias; pois espero que vocês sejam minha coroa e regozijo no dia do Senhor”.

    Não somente isto; ele ativamente aconselhou e fez planos para o cuidado deles em sua ausência. Ele aconselhou-lhes em uma carta com palavras que são maravilhosamente relevantes para a luta do cuidado pastoral em nossas igrejas hoje: Rogo-vos que ouçam uma palavra de aviso em caso de aumento de perseguições, que provavelmente acontece por um período de tempo indefinido. Eu desejaria, visto que vocês não têm presbíteros regentes, e seus professores não podem passear publicamente com segurança, que vocês apontassem alguém entre vocês mesmos, que possa continuamente, à medida que suas ocasiões admitam, ir de casa em casa e se aplicarem peculiarmente aos fracos, tentados e temerosos, àqueles que estão prontos a se desesperar ou a parar, para encorajá-los no Senhor. Escolham para este fim aqueles que possuem um espírito de coragem e fortaleza; e deixe-os saber que eles são felizes, a quem Cristo honrará com Sua bendita obra. Eu desejo que as pessoas desse grupo sejam homens fiéis, e conheçam o estado da igreja; através disto vocês saberão qual é a estrutura dos membros da igreja, que será uma grande direção para vocês, mesmo em suas orações.

    Sob circunstâncias normais Owen cria e ensinava que, “O primeiro é principal dever de um pastor é alimentar o rebanho pela diligente pregação da Palavra”. Ele apontava para Jeremias 3:15 e o propósito de Deus de “dar à Sua igreja pastores segundo o seu próprio coração, que os apascentariam com conhecimento e entendimento”. Ele mostrava que o cuidado da pregação do evangelho foi confiado a Pedro, e através dele, a todos os verdadeiros pastores da igreja, sob o nome de “apascentar” (João 21.15,16). Ele citava Atos 6 e a decisão dos apóstolos de se livrarem de todas as incumbências que haviam sido dadas a eles, para se dedicarem inteiramente à palavra e à oração. Ele se referia à 1 Timóteo 5.17 para demonstrar que é obrigação do pastor “trabalhar na palavra e na doutrina”, e à Atos 20.28 onde os responsáveis pelo rebanho devem apascentá-los com a Palavra.

    E então, ele diz: “Não é requerido apenas que ele pregue agora e então descanse; mas que ele deixe todos os outros trabalhos, mesmo permitidos, todas as outras atividades na igreja, cuja uma constante atenção à elas o distrairia do seu trabalho, ao qual ele se entregou... Sem isto, nenhum homem será capaz de prestar contas do seu trabalho pastoral de uma maneira agradável no último dia”. Acho que seria justo dizer que Owen atendeu plenamente este desafio durante aqueles anos, sempre que a situação política o permitiu.

    Owen e Bunyan

    Não está claro para mim porque alguns puritanos naquela época estavam na prisão, e outros, como Owen, não. Parte da explicação é o quão abertamente eles pregavam. Parte é que Owen foi uma figura nacional com conexões com os altos cargos. Outra parte é que a perseguição não foi nacionalmente uniforme, mas alguns oficiais locais eram mais rigorosos do que outros.

    Mas não importa a explicação disso, é notável o relacionamento que John Owen teve nestes anos com John Bunyan, que gastou muitos deles na prisão. Uma história conta que o Rei Charles II perguntou a Owen certa vez por que ele se importava em ouvir a pregação de um “funileiro” sem educação como Bunyan. Owen respondeu “Pudesse eu possuir a habilidade para pregar deste funileiro, vossa majestade, alegremente abriria mão de todo o meu aprendizado”.

    Uma das melhores ilustrações da face sorridente de Deus por trás de uma providência carrancuda é a história de como Owen falhou em ajudar Bunyan a sair da prisão.

    Repetidamente quando Bunyan estava na prisão, Owen lutou por sua libertação com todas as forças que ele podia usar. Mas não foi possível. Porém, quando John Bunyan foi libertado em 1676, trouxe consigo um manuscrito “de uma dignidade e importância que quase não podia ser compreendida”. De fato, Owen encontrou-se com Bunyan e o recomendou a seu editor, Nathaniel Ponder.

    A parceria deu certo e o livro muito provavelmente, depois da Bíblia, é o mais publicado no mundo – tudo porque Owen falhou em suas tentativas de libertar Bunyan, e porque ele obteve sucesso em encontrar-lhe um editor. A lição: “Não julge o Senhor com débil entendimento, Mas confie nele para sua graça. Por trás de uma providência carrancuda, Ele oculta uma face sorridente”.

    Morte

    Owen morreu em 24 de Agosto de 1683. Ele foi enterrado em 4 de Setembro, no Bunhill Fields, Londres, onde cinco anos mais tarde o Pensador e “Imortal Sonhador da Prisão de Bedford” seria enterrado com ele. Foi decidido que os dois descansassem unidos, após o longo trabalho do Gigante Congregacional pela causa da tolerância dos batistas pobres na Inglaterra e na Nova Inglaterra.