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    Desconfie de Sua Própria Espiritualidade – John MacArthur



    Não subestime a seriedade do pecado. Certamente esta é a razão primária por que a maioria das pessoas tolera o pecado em suas vidas. Se vissem o pecado como Deus o vê, não poderiam continuar indiferentes nos caminhos do pecado conhecido. O pecado viola a santidade de Deus, traz sua disciplina, destrói nossa alegria e causa a morte. Se realmente entendêssemos, como disse Jeremiah Burrroughs, que o menor pecado contém mais mal do que todos os tormentos do inferno, não poderíamos permanecer despreocupados com a mortificação dos nossos pecados. Deus nos deu a lei exatamente para que a extrema pecaminosidade do pecado seja evidente (Rm7.13).

    Proponha-se, no seu coração, não pecar. Faça um voto solene de se opor a todo pecado em sua vida. O salmista disse que: "Jurei e confirmei o juramento de guardar os teus retos juízos" (SI 119.106). A menos que você tenha esse tipo de determinação em sua vida, você facilmente se achará embaraçado pelo pecado. De fato, esse é aquele tipo de afirmação audaz e de coração zeloso que é a raiz de toda uma vida santa. Até que você faça esse tipo de compromisso com o Senhor, você batalhará pelas mesmas coisas, repetidas vezes — e será derrotado.

    O mesmo Salmo contém este maravilhoso verso: "Percorrerei o caminho dos teus mandamentos, quando me alegrares o coração" (v. 32). O coração dos corredores de longa distância é geralmente maior do que a média. As muitas milhas correndo em treinamento realmente condicionam o coração para capacitá-lo a bombear sangue mais eficientemente durante os longos períodos de exercício. Davi dizia que Deus o equiparia espiritualmente com um coração que o habilitaria a correr a corrida a que havia se comprometido. Em outras palavras, Deus honrará seu compromisso de se livrar do pecado.

    Desconfie da sua própria espiritualidade. Paulo disse: "Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia" (ICo 10.12). "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?" (Jr 17.9). A sutileza sedutora do nosso próprio coração algumas vezes nos enganará nos momentos das nossas maiores vitórias espirituais. Todos nós podemos ser enganados facilmente; se não fosse pela graça de Deus, cairíamos em todo e qualquer pecado. Aprenda a procurar a graça e nunca confie na sua própria carne (Fp 3.3).

    Resista ao primeiro sinal de desejo maligno. "A cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte" (Tg 1.5). O tempo de parar de pecar é quando da concepção do pecado e não depois de ele já ter nascido e conquistado vida própria. Na primeira sugestão de concupiscência, extermine o pensamento antes que ele incube e comece a produzir seu próprio fruto diabólico.

    Medite na Palavra. "A boca do justo profere sabedoria, e a sua língua fala o que é justo. No coração, tem ele a lei do Seu Deus; os seus passos não vacilarão'"' (SI 37.30, 31; ênfase acrescentada). Quando o coração é controlado pela Palavra de Deus, os passos são certos e firmes. A Palavra de Deus enche a mente e controla o pensamento, e isso fortalece a alma contra a tentação. A Bíblia age como um poderoso freio no coração entregue à sua própria verdade.

    Arrependa-se imediatamente dos seus erros. Quando Pedro cometeu seu grande pecado, negando a Cristo por três vezes as Escrituras dizem: "... E saindo dali, chorou amargamente" (Mt 26.75). Nós nos arrepiamos diante desse pecado dele, mas devemos admirá-lo por seu remorso imediato. O pecado não confessado contamina e caleja a consciência. "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (Uo 1.9). E quando confessar o seu pecado, chame-o pelo nome. Deixe o seu ouvido ouvir o nome específico do pecado do qual você está arrependido. Essa é uma maneira de desenvolver um alto grau de responsabilidade final diante de Deus, e de abster-se de cair nos mesmos pecados repetidas vezes. Se você negar-se a nomear seu pecado, pode ser que secretamente queira cometê-lo de novo.

    Vigie e ore continuamente. Depois de relacionar toda a armadura de Deus em Efésios 6, Paulo escreve: "Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos" (Ef 6.18). Ele disse aos crentes em Colossos: "Perseverai na oração, vigiando com ações de graças" (Cl 4.2). O próprio Jesus disse: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca" (Mt 26.41).

    Faça parte de uma igreja que tenha outros cristãos responsáveis.

    Todos lutamos contra as mesmas tentações (ICo 10.13). Por isso Paulo disse aos gaiatas: "Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo" (Gl 6.2). Precisamos uns dos outros. Podemos proteger um ao outro do pecado? Nem sempre. Mas podemos encorajar um ao outro (Hb 3.13; lTs 5.11). Podemos estimular um ao outro ao amor e às boas obras (Hb 10.24,25). E "se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura, e guarda-te para que não sejas também tentado" (Gl 6.1).

    Essa é uma importante razão pela qual a igreja foi instituída. Devemos nos manter responsáveis uns pelos outros, e carinhosamente buscar aqueles que pecam (Mt 18.15-17), amar e servir um ao outro. Todas essas obras nos ajudam, como indivíduos, a mortificar nosso pecado.