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    A Visão de Deus – Autoridade! – Owen Thomas


    Tudo começou com a chamada "Grande Comissão". Não era uma idéia de alguns seguidores fanáticos de Jesus de Nazaré, que de um modo ou de outro, puseram na cabeça um ideal e tiveram coragem para proclamá-la ao mundo. A verdade é que o próprio Jesus já tinha falado sobre "este evangelho" ser "pregado em todo o mundo" (Mateus 24:14). Agora é o Cristo ressurreto que está falando resumidamente aos Seus seguidores num lugar de encontro predeterminado, numa colina da Galiléia: "É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, ensinai todas as nações" (ou: "...ide por toda parte, a todos os povos, e fazei deles meus discípulos" (Mateus 28:18-20). Mas os Seus amigos ainda não tinham captado a mensagem. Alguns dias mais tarde, noutro lugar de encontro, no Monte das Oliveiras, é óbvio que eles estavam esperando que Ele ia restaurar "o reino a Israel". Imaginavam o Messias vencedor tirando César da sela e fazendo de Jerusalém o centro de um império mundial. Todavia Jesus varreu para fora todas essas idéias de um governo terrenal com uma promessa misteriosa: "Recebereis a virtude (ou o poder) do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra" (Atos 1:8).

    Em seguida Ele os deixou cheios de assombro ascendendo aos céus diante dos seus olhos - de volta ao "Quartel General", de onde dirigiria as operações governamentais até o fim dos tempos.

    A Hora Zero da Era do Evangelho

    Dez dias mais tarde, na festa do qüinquagésímo dia (Pentecoste), Jerusalém estava atulhada de gente de todos os quadrantes do Império Romano, e estes seguidores de Jesus foram impelidos pelo poder do Espírito para as ruas de Jerusalém, e ali, então, teve começo a Igreja Cristã! Não como uma assembléia eclesiástica bem adornada e com paramentos impressionantes, mas (poder-se-ia dizer) como um grupo de pessoas falando línguas, cantando aleluias, glorificando a Deus, testemunhando de Cristo e pregando o evangelho. E a fonte do seu fervor era uma destemida convicção e um compromisso pessoal provenientes do Espírito Santo.

    Uma Comissão Universal

    Pensemos na amplitude da Grande Comissão. Um comentário sobre isso acha-se noutra parte do Novo Testamento (o melhor comentário das Escrituras é sempre as próprias Escrituras). Pedro está dando o que equivale a uma exposição delas em seu discurso dirigido a um oficial do exército romano chamado Cornélio (Atos 10:34-43). A força total da Comissão ainda não tinha raiado completamente sobre os apóstolos, mas a visão de Pedro quando orava no terraço de uma casa em Jope e a ordem para que fosse visitar um notável gentio de Cesaréia (versículos 9-23) rompeu a paralisia; de fato chocou o apóstolo naquela "hora da verdade" concernente a toda a estratégia divina para a propagação do evangelho no mundo. E assim Pedro confessou e declarou:

    "Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável aquele que em qualquer nação, o teme e obra o que é justo. A palavra que ele enviou aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo (este é o Senhor de todos); esta palavra, vós bem sabeis, veio por toda a Judéia, começando pela Galiléia, depois do batismo que João pregou; como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude (ou poder); o qual andou fazendo o bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele. E nós somos testemunhas de todas as coisas que fez, tanto na terra da Judéia como em Jerusalém; ao qual mataram, pendurando-o num madeiro. A este ressuscitou Deus ao terceiro dia, e fez que se manifestasse, não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus antes ordenara; a nós, que comemos e bebemos juntamente com ele, depois que ressuscitou dos mortos. E nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos. A este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome".

    A Hora da Verdade para o Apóstolo Pedro

    O que as suas palavras ditas a Cornélio deixa claro é que agora a mente de Pedro estava dominada pela visão da evangelização mundial vividamente implícita na última comissão entregue pelo Senhor (Atos 1:8). Essa percepção de que o evangelho deveria ser propagado por todo o mundo não era produto da imaginação; tampouco se baseava em suas idéias pessoais. A iniciativa era toda de Deus, e o ousado projeto de completo rompimento com o exclusivismo judaico era fomentado e nutrido pelo próprio Deus. E o ímpeto da contínua missão mundial, desde o princípio até o presente, sempre foi mantido e renovado pelo Espírito Santo. Pois a evangelização não é um passatempo de alguns maníacos; é a própria "raison d'etre" (Razão de ser – Francês – língua em que o texto foi escrito) - , o propósito prioritário da existência da Igreja Cristã no mundo.

    Portanto, o motivo para a evangelização vem de Deus, e esse empreendimento é inspirado pela VISÃO DE DEUS EM JESUS CRISTO.

    Quando Jesus estava diante dos Seus discípulos e lhes dava as ordens, não foi um simples homem que eles viram ali; foi o Deus Encarnado, o Senhor e Dominador do tempo e do espaço que proferiu as palavras magistrais: "E-me dado todo o poder no céu e na terra". Significa que não existe lugar nenhum em todo o vasto mundo que não seja próprio para evangelizar, e não há tempo algum, em toda a história da humanidade, que seja impróprio para fazê-lo. Quando Pedro falou com Cornélio, sem hesitar descreveu Jesus como "o Senhor de todos" e afirmou que Ele é "juiz dos vivos e dos mortos". Numa ocasião anterior, quando estava diante do Sinédrio acusado de quebrar a Lei por pregar Jesus, Pedro ousadamente foi até onde nenhum judeu tinha ido antes!
    Ele apresentou Jesus como "exaltado à mão direita de Deus como Líder e Salvador" (Atos 5:31, na versão utilizada pelo autor).

    Isto horrorizou o Sinédrio e deixou os seus membros muito bravos! Por quê? Bem, porque a palavra traduzida por "Líder", no original grego de Lucas, é "arquegos", equivalente ao título do Imperador Romano, "Príncipe" (daí a tradução da VA, "Príncipe e Salvador" - (como também da Versão de Almeida). Esse título comunica o sentido de poder absoluto, do qual uma pessoa eleita pelo povo é investida para o governo da lei. Essa classe de poder pertence a Jesus; se bem que não pela vontade do povo, mas pela vontade de Deus. E não apenas no mundo romano, num determinado período da história, porém sobre todo o universo, em todos os tempos, e além dos tempos, nas regiões celestiais. Além disso, o "Principado" de Jesus começou no momento em que Ele ressuscitou dentre os mortos.

    A Sétima Trombeta Proclama o Salvador Soberano

    Isso significa que a visão concedida a João em Patmos, a visão do governo universal de Cristo, ainda é real, hoje, na hora presente. A sétima trombeta é a sugestão dada ao coro retumbante: "Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre" (Apocalipse 11:15).
    Imediatamente ocorre ao observador casual que parece haver pouca evidência do governo de Cristo no mundo em que hoje vivemos! E isso é endossado pelo escritor da Epístola aos Hebreus, onde ele confessa: "Agora ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas" (Hebreus 2:8). Em seguida ele procede com maior confiança, "Vemos, porém, coroado de glória aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos por causa da paixão da morte" (Hebreus 2:9).

    Paulo também apresenta Jesus de igual maneira, asseverando que, quando Deus ressuscitou a Cristo dentre os mortos, colocou-o "à sua direita nos céus", e ali agora Ele exerce governo "acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio". Depois Paulo eleva-se ainda mais numa linguagem que antecipa o coro da visão de João: "Acima de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; e sujeitou todas as coisas a seus pés" (Efésios 1:20-22).

    Governo Soberano? - Explicação

    A questão sobre qual evidência existe deste "Governo Soberano" de Cristo no mundo ainda precisa da nossa atenção. Vê-se a resposta no plano de operação que Deus estabeleceu para a extensão do Seu Reino. Sua decisão deliberada e soberana foi que através das eras da história da humanidade o Seu Reino se desenvolveria, não assumindo progressivamente o controle dos poderes e das instituições políticas mundiais, mas pela evangelização de pessoas, individualmente, seja uma por uma, ou aos pares, ou multidões. Dita esta verdade com outras palavras, é o que Paulo descreve como "as riquezas da glória da sua herança nos santos" (Efésios 1:18). E ele declara que o propósito de Deus é "demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou; para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida

    A Consumação Final Inevitável

    O fim disso não se pode ver nesta terra, nas instituições terrenas, quer religiosas quer políticas, mas no céu; se bem que a influência do amplo impacto do evangelho por vezes transformou instituições humanas e até nações. Todavia, o efeito sempre foi relativo e transitório, de modo que na Europa Ocidental, antes profundamente impregnada pelo evangelho, agora é mencionada em termos de "era pós-cristã".

    O resultado verdadeiro é o que se dá na vida de milhões de pessoas individuais convertidas a Cristo através dos séculos até o fim dos tempos, e isso não é nem relativo nem transitório. Não é afetado pela condição variável das instituições cristãs num mundo que, de qualquer forma, é sempre hostil ao Senhor e ao Seu Cristo. Nem o diabo, a quem foi permitido ter um poder limitado entre as pessoas do mundo, pode estorvar ou frustrar este grande propósito de Deus!

    A Iniciativa Divina

    Segue-se, pois, que o irresistível imperativo dado aos cristãos para que se envolvam com a evangelização vem de Deus, e não dos homens. É o "Senhor de todos" que dá a ordem para que os Seus discípulos evangelizem o mundo inteiro e, como já observamos, não há nenhum período da história da humanidade em que a ordem de Cristo, a qual ordena que eles partam e façam discípulos de todas as nações, perde a sua força. Por mais "modernos" que sejam os tempos, o evangelho de Cristo é igualmente "moderno" e nunca é "antiquado"!

    Seria Presunção Evangelizar?

    Há alguns que alegam que praticar a evangelização é agir com presunção, porque, dizem eles, Deus, no soberano propósito de Sua graça que levou à eleição, está sempre chamando pessoas para Si. No entanto, essa afirmação se baseia numa meia verdade. Não há incompatibilidade entre reconhecer a soberania de Deus no mistério da eleição e obedecer à Sua ordem igualmente soberana que nos manda evangelizar! Afinal de contas, é uma total incoerência falar na graça soberana de Deus agindo na salvação dos pecadores e ignorar a ordem que Ele deu para que participemos em Sua missão salvífíca! Pois, se é verdade o que Pedro disse, que é propósito de Deus "tomar um povo para si" (Atos 15:14), também é verdade que Ele decidiu fazer isso por meio de seres humanos, não por meio de anjos, nem por algum estranho método de intervenção direta. Não há alternativa para a ordem: "PORTANTO IDE...". E não há nenhum lugar no mundo que os cristãos possam alegar que está dispensado dessa ordem. Pois o Senhor não é simplesmente uma divindade "territorial" ou "tribal". Ele é o Senhor de todo o universo! E é Ele quem dá esta ordem soberana.

    "O evangelho não cai acidentalmente das nuvens como a chuva, mas é levado pelas mãos dos homens para onde Deus o enviou" (João Calvino).