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    O Que é Arrependimento?



    O que é arrependimento? O que significa arrepender-se?

    O termo é pessoal e relacionai. Implica em voltar ao que se estava fazendo antes, e renunciar ao mau comportamento pelo qual a vida e os relacionamentos estavam sendo prejudicados. Na Bíblia, arrependimento é um termo teológico que indica um abandono daquelas atitudes que afrontam Deus envolvendo-se no que ele odeia e proíbe. O termo no hebraico para arrependimento significa desviar-se. ou retornar. O termo correspondente no grego tem o sentido de mudança de mente de modo a mudar os caminhos também. Arrependimento significa mudar hábitos de pensamento, atitudes, ponto de vista, política, direção e comportamento na medida certa para deixar de lado o caminho errado e seguir o caminho certo. Arrependimento é, na verdade, uma revolução espiritual. Esta, agora, nada mais é do que a realidade humana que iremos explorar.

    O arrependimento, no sentido pleno da palavra - mudar de fato o caminho descrito - só é possível para os cristãos que foram libertos do domínio do pecado e vivíficados para Deus. Arrependimento, neste sentido, é um fruto da fé e, como tal, um dom de Deus (cf. At 11.18). O processo pode ser aliterativamente analisado sob os seguintes tópicos:

    1.      Reconhecimento real de que se desobedeceu e falhou para com Deus, fazendo o que era errado em vez do que era certo. Isto parece mais fácil do que realmente é. T. S. Eliot disse uma verdade quando fez a seguinte observação: "A humanidade não consegue suportar a realidade". Não existe nada como uma sensação sombria de culpa no coração para nos levar, de uma maneira apaixonada, a fazer o jogo de fingir que nada aconteceu, ou nos imaginar fazendo algo que seja moralmente reprovável. Assim, após cometer adultério com Bate-Seba e completar a ação com o assassinato do marido dela, Davi disse para si mesmo que era simplesmente uma questão de privilégio real e que, portanto, nada tinha a ver com sua vida espiritual. Assim, Davi tirou aquilo da cabeça, até que a repreensão do profeta Nata "Tu és o homem!" (2Sm 12.7) fê-lo perceber, por fim, que ele havia ofendido a Deus. Esta consciência foi, e é, a semente que germina o arrependimento. Ela não cresce em outro lugar. O verdadeiro arrependimento só começa quando a pessoa transpõe o que a Bíblia vê como auto-engano (cf. Tg 1.22,26; Uo 1.8) e o que os especialistas modernos chamam de negação, para o que a Bíblia chama de convicção do pecado (Jo 16.8).

    2.      Profundo remorso pela desonra causada ao Deus que se está apren-dendo a amar e desejando servir. Esta é a marca do coração contrito (SI 51.17; Is 57.15). A Idade Média fez uma distinção proveitosa entre atrição e contrição (a primeira significa arrepender-se do pecado motivado por medo de si mesmo e por amor a Deus respectivamente; a segunda leva ao verdadeiro arrependimento, enquanto a primeira não consegue fazê-lo). O cristão sente não apenas atrição, mas contrição, como aconteceu com Davi (SI 51.1-4,15-17). O remorso contrito, que brota de um sentimento de ter insultado a bondade e o amor de Deus, é descrito e exemplificado na História de Jesus sobre o retorno do filho pródigo à casa do pai (Lc 15.17-20).

    3.      Pedido reverente pelo perdão divino, purificação da consciência e ajuda para não falhar na mesma área novamente. Um exemplo clássico desse pedido encontra-se na oração de penitência de Davi (SI 51.7-12). O arrependimento do cristão sempre, e necessariamente, inclui o exercício da fé em Deus para obter estas bênçãos de restauração. O próprio Jesus ensina qual deve ser a oração dos filhos de Deus: "Perdoa-nos os nossos pecados...  E não nos deixes cair em tentação" (Lc 11.4).

    4. Resoluta renúncia dos pecados em questão, com pensamentos deliberados sobre como manter-se limpo deles e viver corretamente no futuro. Quando João Batista disse para a elite religiosa oficial de Israel: "Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento" (Mt 3.8), ele estava chamando seus membros a uma mudança de direção.

    5. Restituição necessária à qualquer pessoa que tenha sofrido perdas materiais em virtude dos erros cometidos. A lei do Antigo Testamento, nestas circunstâncias, exigia a restituição. Quando Zaqueu, o judeu renegado por ser cobrador de impostos, tornou-se um dos discípulos de Jesus, ele comprometeu-se em retribuir quatro vezes mais cada ato de extorsão que tivesse praticado, ao que parece no modelo das exigências de Moisés de quatro ovelhas para cada uma roubada ou tirada de seu dono (Êx 22.1; cf. Êx 22.2-14; Lv 6.4; Nm 5.7).

    Uma aliteração alternativa (como se uma não fosse suficiente!) seria:
    1.      discernir a perversidade, insensatez e culpa no que se fez;
    2.      desejar o perdão, abandonar o pecado e viver uma vida que agrada a Deus daqui em diante;
    3.      decidir pedir perdão e poder para mudar;
    4.      dirigir-se a Deus da maneira devida;
    5.      demonstrar, ou pelo testemunho e confissão, ou pelo comportamento transformado, que o pecado cometido ficou para trás.
    Esse é o arrependimento - não apenas o primeiro arrependimento que ocorre na conversão de um adulto, mas o arrependimento recorrente do discípulo adulto - que é o nosso tema aqui.