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    O Mito da Bondade Humana – John MacArthur



    A auto-estima não é solução para a depravação humana

    Recentemente li um artigo raro e perspicaz que tratava do mito da bondade humana de uma perspectiva não-cristã. O autor, um crítico social judeu, escreve:

    Acreditar que o homem é basicamente bom depois de Auschwitz, de Gulag e de outros horrores do nosso século, é uma afirmação de fé irracional, tão irracional quanto qualquer crença religiosa [fanática].

    Onde quer que seja que eu encontre pessoas — especialmente judeus, vítimas do mal mais concentrado da História — que insistem em acreditar na bondade substancial do homem, sei que encontrei pessoas para as quais as evidências são irrelevantes. Quantos males o ser humano teria que cometer a fim de acabar com a fé judaica na humanidade? Quantos mais inocentes têm que serem assassinados e torturados? Quantas mulheres mais têm que ser estupradas?

    Esse artigo descreve cinco conseqüências do mito que admite que as pessoas são basicamente boas. Perceba como todas elas contribuem para a destruição da consciência:

    A primeira conseqüência, bastante lógica, é a atribuição de todo mal a causas externas à pessoa. Uma vez que o homem é basicamente bom, o mal que ele faz deve ser causado por alguma força exterior. Dependendo de quem está fazendo a acusação, aquela força externa pode ser o ambiente social, as circunstâncias econômicas, os pais, a escola, a violência na televisão, as armas, o racismo, o demônio, as situações econômicas ou até mesmo os políticos corruptos (como expresso freqüentemente por essas tolices a que damos ouvidos: "Como podemos esperar que nossas crianças sejam honestas quando o governo não é?").

    O homem, portanto, não é responsável pelo mal que comete. Não é minha culpa que eu assalte uma senhora, ou que trapaceie quase o tempo todo — alguma coisa (escolhida da lista acima) me fez fazer isso.

    A segunda terrível conseqüência é a negação do mal. Se o bem é natural, então o mal não deve ser natural ou deve ser uma "doença". As categorias morais foram substituídas pelas psicológicas. Não há mais bem e mal, somente "normal" e "doente".

    Terceira, nem pais nem escolas vêem a necessidade de ensinar bondade para crianças — Por que ensinar o que flui naturalmente? Somente aqueles que reconhecem que o homem não é basicamente bom, vêem a necessidade de ensinar a bondade.

    Quarta, uma vez que a maior parte da sociedade acredita que o mal vem do exterior das pessoas, ela parou de tentar mudar os valores das pessoas, em vez disso concentrou-se em mudar as forças externas. As pessoas cometem crimes? Não precisamos ficar preocupados com o desenvolvimento da personalidade e dos valores; precisamos mudar o ambiente sócio-econômico que "produz" estupradores e homicidas. Homens irresponsáveis fecundam mulheres irresponsáveis? Melhor do que avaliar suas necessidades seria melhorar a educação sexual e o acesso a preservativos e abortos.

    Quinta, e a mais destrutiva de todas, aqueles que acreditam que o homem não é basicamente mal, concluem que as pessoas não precisam sentir responsabilidade pelo seu comportamento perante Deus e uma religião, somente perante si.

    O autor, estranhamente, nega tanto a perversidade humana como a bondade. Ele acredita que as pessoas não são nem boas nem más, porém escolhem seu próprio caminho na vida (No início do seu artigo, no entanto, ele cita Gn 8.21: "Não tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade").

    Apesar da posição inconsistente do autor, o artigo mostra muito claramente o perigo do mito da bondade humana.

    A igreja deve proteger a sã doutrina recuperando a doutrina da depravação humana. Como J. C. Ryle escreveu há aproximadamente um século:

    Uma visão bíblica do pecado é um dos melhores antídotos a esse tipo de teologia sombria, obscura e nebulosa que infelizmente é tão corrente em nossa era. É inútil fechar os olhos ao fato de que hoje em dia existe um grande número da assim chamada cristandade, a qual, entretanto, não se encaixa dentro dos padrões estabelecidos. É um Cristianismo que incontestável mente tem, "alguma coisa sobre Cristo, sobre a graça, sobre fé, sobre arrependimento, sobre santidade", porém não é exatamente como está na Bíblia. As coisas estão fora de lugar e proporção. Como o velho Latimer diria: "nem lá, nem cá", e de nada adianta. Nem exerce influência na conduta diária, não dá conforto na vida, nem paz na morte; e aqueles que o defendem, freqüentemente acordam tarde demais para perceber que não têm nada de sólido sob seus pés. Assim, eu creio que o caminho mais provável para a cura e melhora deste tipo errôneo de religião é trazer à tona, de uma maneira proeminente, a velha verdade das Escrituras sobre a pecaminosidade pecado.

    Você pode perguntar, por outro lado, se Deus quer que permaneçamos na vergonha e na auto-condenação eternamente. De modo nenhum.

    Deus oferece libertação do pecado e da vergonha pela fé em Jesus Cristo. Se você estiver pronto para reconhecer sua pecaminosidade e buscar sua graça, ele maravilhosamente o resgatará do pecado e seus efeitos. "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da Lei do pecado e da morte" (Rm 8.1, 2). A libertação do pecado que esses versos descrevem é a única base pela qual podemos realmente nos sentir bem sobre nós mesmos. E é para esse processo que agora voltamos nossa atenção.