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    O Discipulado Deflexiona o Sofrimento



    O conceito da medicina preventiva tem feito regulares avanços nestes últimos anos. Para algumas pessoas, o melhor remédio é não tomar remédio - apenas se esforçam por manter uma boa forma física a fim de evitar enfermidades e moléstias. A mania da aptidão física e o aumento que se segue na conscientização de bons hábitos alimentares são manifestações bastantes típicas.

    A idéia de se prevenir já apareceu há muito tempo no campo de manutenção de automóveis. Muitos proprietários trocam o óleo do motor de seus carros rigorosamente a cada 3.000 quilômetros, e constantemente checam o nível dos outros fluídos e dos componentes básicos do carro. Estas pessoas preferem pagar pequenas quantias a intervalos regulares para manter seus carros em bom funcionamento do que correr o risco de uma inconveniente avaria ou de, mais tarde, ter de pagar um conserto caríssimo.

    Esta mesma analogia sobre a prevenção pode ser aplicada à vida cristã e, particularmente, às nossas experiências com o sofrimento. A manutenção espiritual preventiva acha-se implícita no estar preparado para o inesperado e no ter uma mentalidade que aceita os fundamentos do discipulado antes que venham os sofrimentos. Este tipo de disciplina espiritual permite-nos reagir biblicamente diante das provações e apreciar seus efeitos depuradores.

    Os discípulos reagem com ação de graças

    Em Filipenses 4.6, o apóstolo Paulo exorta-nos: "Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplicas, com ação de graças". Esta atitude do cristão amadurecido e estável - agradecimento em face de qualquer tipo de problema - é um forte antídoto contra a preocupação e a ansiedade. Embora se admita que clamemos a Deus por socorro quando surgem os problemas, Paulo não espera que duvidemos, culpemos ou questionemos a Deus. Esse tipo de atitude esconde uma insatisfação e descontentamento que possamos ter em relação ao plano de Deus para nossas vidas.

    O verdadeiro discípulo reage ao sofrimento com uma postura de agradecimento porque, conforme já vimos, conhece as promessas de Deus, e sabe que Ele se compromete em não deixar acontecer nada que o crente não possa suportar. O alvo final de Deus é a nossa perfeição (1 Pe 5.10). Podemos ser agradecidos, porque Deus tem um propósito para a nossa vida, e Ele nos supre com seu poder de modo que podemos lidar triunfantemente com o sofrimento.

    Observe o que diz Filipenses 4.7 a respeito das conseqüências de um coração grato a Deus: "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus". Todos os crentes gostariam de ter paz, tranqüilidade, calma interior e contentamento em meio ao mais árduo sofrimento. E o versículo 7 nos promete exatamente isto.

    Uma devota atitude de agradecimento, não importando qual seja a situação, resulta em recebermos a incomparável paz de Deus. Além disso, examinando mais de perto Filipenses 4.6,7, descobrimos que o que está em jogo quando oramos não é a resposta específica de Deus, mas a paz que Ele nos dá. Portanto, sempre que estivermos atravessando por períodos de sofrimento, precisamos nos convencer de que Deus está mais interessado na atitude do nosso coração do que em nos fornecer respostas ou alívios instantâneos aos nossos caprichos e desejos. Esta verdade não é originária do apóstolo Paulo, mas remonta aos princípios do Antigo Testamento. O Livro de Jó é um bom exemplo disso, especialmente próximo do fim do livro, onde Deus faz uma longa sucessão de perguntas a Jó a respeito de sua Pessoa (Jó 38-41). Deus não responde às perguntas porque não era essa sua intenção. Ele apenas queria que Jó reconhecesse e se submetesse à sua soberania.

    A paz, quando compreendida de acordo com as Escrituras, é um maravilhoso conceito. Eis o que o erudito da Bíblia e meu ex-professor, Dr. C. L. Feinberg, escreveu:

    A idéia original e básica da palavra bíblica "paz" (no Antigo Testamento shalom; no Novo Testamento eirene) é totalidade, integridade, inteireza. [...] As inumeráveis bênçãos do crente giram em torno do conceito de paz. O Evangelho é o Evange¬lho da paz (E/6.15). Cristo é nossa paz (Ef 2.14,15); Deus, Pai, é o Deus da paz (1 Ts 5.23). O inalienável privilégio de todos os cristãos é a paz de Deus (Fp 4.9), por causa do legado de paz deixado por Jesus ao morrer (Jo 14.27; 16.33). Estas bênçãos não são privilégios guardados para serem usufruídos apenas na glória, mas são uma possessão para os dias de hoje (Rm 8.6; Cl 3.15). Assim, a paz é uma "concepção distintamen¬te peculiar ao Cristianismo, o tranqüilo estado de uma alma convicta de sua salvação por Cristo Jesus e, por isso, não tendo medo de nada que venha da parte de Deus e estando satisfeito com sua sina neste mundo, qualquer que seja ela" (Thayer).

    Não importa quão árduo seja seu sofrimento, se você capaz de compreender Filipenses 4.7, Deus lhe dará paz.

     John MacArthur