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    A explicação final para todas as coisas - John Frame



    A vontade de Deus é a explicação final para todas as coisas?

    A história humana

    Deus nos fez do pó (Gn 2.7), portanto fazemos parte da natureza e dependemos da chuva, da luz do sol, da colheita e dos animais. Sem a cooperação da "criação inferior", não poderíamos existir. Ao falar sobre Deus como aquele que provê para os pardais e para os lírios, Jesus mostra que essa providência faz parte de um argumento a fortiori: quanto mais ele cuida de vós? Valemos bem mais "do que muitos pardais" (Mt 10.31).

    Também não poderíamos existir sem o vasto acúmulo de acontecimentos aparentemente sem propósito. Todos nós devemos a nossa existência à combinação de um esperma e um óvulo, vindos de um vasto número de possíveis combinações, e de combinações igualmente improváveis que produziram tanto os nossos pais quanto os nossos ancestrais até chegar a Adão. E considere ainda quantos acontecimentos naturais possibilitaram que cada um dos nossos ancestrais sobrevivesse até a maturidade e se reproduzisse. Todas essas coisas, juntamente com os acontecimentos improváveis da nossa vida e das nossas experiências pessoais, fizeram de nós o que somos.

    Portanto, se Deus controla todos os acontecimentos da natureza, ele certamente controla o curso da nossa própria vida. Não precisamos chegar a essa conclusão por meio da argumentação anterior; a própria Escritura a ensina explicitamente. O apóstolo Paulo declara aos filósofos atenienses: "De um só [Deus] fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação" (At 17.26). Deus é Rei, não somente sobre Israel, mas sobre todas as nações, sobre toda a terra (SI 45.6-12; 47.1 -9; 95.3; cf. Gn 18.25). Ele governa os acontecimentos da história do homem para os seus propósitos (SI 33.10,11).

    Reflita sobre algumas das maneiras pelas quais Deus governa os grandes acontecimentos da História. Estamos familiarizados com a história de José, que é traído pelos seus irmãos e vendido como escravo no Egito, sendo mais tarde elevado a uma posição de proemínência. Deus o usa como meio de preservar a sua família no Egito, onde se toma uma grande nação. A narrativa de Gênesis atribui todos esses acontecimentos a Deus.

    José interpreta os dois sonhos de Faraó como indicando sete anos prósperos, seguidos de sete anos de fome. José nega que tenha alguma habilidade de interpretar sonhos: "Não está isso em mim; mas Deus dará resposta favorável a Faraó" (Gn 41.16). Deus não é somente o intérprete do sonho, mas também o seu tema. José diz: "Deus manifestou a Faraó que ele há de fazer... e Deus se apressa a fazê-la" (vs. 28,32). E Deus quem trará primeiramente a prosperidade e depois a fome.

    Até mesmo a traição de José pelos seus irmãos é obra do Senhor. É Deus quem envia José ao Egito para salvar vidas e é Deus que faz com que José se tome líder no Egito (Gn 45.5-8). José conscientizou-se de que os seus irmãos intentavam o mal contra ele, porém "Deus o tomou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida" (Gn 50.20).

    É Deus quem tira o seu povo do Egito com seu braço forte. E, a seguir, coloca terror nos corações dos inimigos de Israel quando seu povo toma a herança dele na Terra Prometida (Êx 23.27; Dt 2.25; cf. Gn 35.5). Depois das conquistas de Josué, Deus lhes dá descanso, mantendo todas as suas promessas (Js 21.44,45). Nas guerras, é sempre o Senhor quem dá a vitória (Dt 3.22; Js24.11;lSml7.47;2Cr2.I5;Pv21.31;Zc4.6).

    Quando Israel abandona o Senhor, ele usa os assírios e os babilônios como instrumentos para executar os seus propósitos determinados (Is 14.26,27; cf. 10.5-12; 14.24,25; 37.26), mas é ele também quem humilhará essas nações no seu devido tempo (Jr 29.11 -14). É o Senhor quem "remove reis e estabelece reis" (Dn 2.21; cf. 4.34,35). Ele dá nome ao imperador persa, Ciro, séculos antes do seu nascimento, e o designa como aquele que fará retomar Israel à Terra Prometida (Is 44.28; 45.1 -13). Em seguida, Deus move o seu coração (Ed 1.1) para que ordene o retomo. Anos antes do edito de Ciro, Deus diz: "Eu farei" isso (Jr 30.4-24).

    Todos esses acontecimentos preparam o palco para a vinda de Jesus (Gl 4.4). De novo, Deus faz tudo acontecer. A concepção de Jesus é sobrenatural. Tudo o que ele faz cumpre as profecias (p. ex., Mt 1.22; 2.15; 3.3; 4.14). Ele é traído, mas mesmo essa traição é resultado do "determinado desígnio e presciência de Deus" (At 2.23,24; cf. 3.18; 4.27,28; 13.27; Lc 22.22). E é Deus o Pai que ressuscita Jesus dentre os mortos e que tem planejado o dia e a hora de seu retorno (Mt 24.36).

    Portanto, Deus rege o curso total da história da humanidade. As Escrituras claramente focalizam-se no grande acontecimento da história da redenção: a eleição de Israel por Deus, e a encarnação, morte, ressurreição, ascensão e retorno de Jesus. Porém, para que esses grandes acontecimentos se concretizem, é preciso que Deus esteja no controle de todas as nações - do Egito, da Babilônia, da Assíria e da Pérsia, como também de Israel. E ele deve estar no controle de todas as forças da natureza, pois sem elas os acontecimentos da História não podem acontecer. Não há dúvida de que os seus poderosos feitos provam ser ele nada menos que o Rei que domina sobre toda a terra.