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    Alegria Perversa em Substituir Deus.



    Quando tinha apenas vinte anos de idade, o grande pregador e evangelista Charles Haddon Spurgeon iniciou sua carreira de meio século em Londres com um sermão sobre conhecer a Deus, no qual argumentava que "o estudo apropriado dos eleitos de Deus é Deus". Foi um sermão memorável para um pregador de apenas vinte anos de idade. Spurgeon disse: "A mais alta ciência, a especulação mais elevada, a filosofia mais poderosa, as quais podem capturar a atenção de um filho de Deus, é o nome, a natureza, a pessoa, a obra, as atitudes, e a existência do grande Deus a quem ele chama seu Pai." Ele argumentou que pensar acerca de Deus desenvolve e expande a mente.

    Mas quantos em nossos dias pensam sobre Deus regularmente, mesmo em igrejas evangélicas? É impossível saber o que está havendo na mente de outra pessoa, é claro. Mas julgando por nossas ações, palavras e programas de igreja, eu sugeriria que hoje ninguém, numa média de cem freqüentadores de igreja, pensa ativamente acerca de Deus ou se pasma diante dele como parte de um culto dominical normal. Nossas mentes estão em nós mesmos. E até mesmo quando focalizamos no sermão, geralmente é o caso de sermos direcionados a pensar sobre nossas necessidades em vez de em Deus — quem ele é, o que ele fez e o que ele requer de nós.

    No início do século 20 havia um sábio cristão e pastor da Aliança Missionária em Chicago chamado A. W. Tozer. Ele escreveu um livro sobre os atributos de Deus no qual explicava como via a situação quarenta anos atrás:

    A igreja abandonou uma vez seu elevado conceito de Deus, substituindo-o por um tão baixo, tão ignóbil, que é, em último caso, indigno de pessoas que pensam e adoram. Isto ela fez, não deliberadamente, mas pouco a pouco e sem conhecimento; e sua própria ignorância somente faz a situação muito mais trágica. Esta baixa concepção de Deus nutrida quase que universalmente entre os cristãos é a causa de cem males menores por todos os lugares entre nós. Toda uma nova filosofia da vida cristã tem resultado deste único erro básico em nosso pensamento religioso.

    Com nossa perda do senso de majestade vem a adicional perda de respeito profundo e consciência da Presença divina. Perdemos nosso espírito de adoração e nossa habilidade de nos recolhermos introspectivamente para encontrar Deus em silêncio de adoração. O Cristianismo moderno simplesmente não está produzindo o tipo de cristão que possa apreciar ou experimentar a vida no Espírito. As palavras, "Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus", significam quase nada para o auto-confiante, barulhento adorador neste meio período do século 20. Esta perda da concepção da majestade veio justamente quando as forças da religião estão tendo ganhos dramáticos e as igrejas são mais prósperas do que em qualquer outra época dentro dos últimos cem anos. Mas o que nos alarma é que nossos ganhos são, na maioria, externos e nossas perdas totalmente internas; e desde que é a qualidade de nossa religião que tem sido afetada pelas condições internas, pode ser que nossos ganhos nada mais sejam do que perdas espalhadas em um campo mais largo.

    Quem pode supor que a situação melhorou ao longo das últimas cinco décadas? Lógico que não. Pelo contrário, nossa crescente preocupação com as trivialidades da televisão e desejo compulsivo pelas diversões "auto-centralizadas" e pontos de vista mundanos de nossa cultura têm feito a situação pior. E o mais triste é que a maioria dos cristãos está grandemente desapercebida do que tem acontecido.

    Nenhum povo se desenvolve mais do que o conceito que eles têm de Deus. Reciprocamente, a perda de senso do alto e impressionante caráter de Deus sempre leva à perda dos ideais mais altos de um povo, de seus valores morais e até do que eles comumente chamam de humanidade, sem mencionar a perda de entendimento e apreciação pelas doutrinas mais essenciais da Bíblia. Estamos alarmados com a falta de consideração com a vida humana que tem tomado conta de grandes segmentos dos Estados Unidos. Mas o que esperamos ver quando um país tão orgulhosamente secular quanto o nosso abertamente dá suas costas a Deus? Lamentamos o colapso dos padrões morais na igreja, até mesmo entre seus mais destacados líderes. Mas o que pensamos que deveria ocorrer quando temos nos concentrado em nós mesmos e em nossas próprias necessidades, freqüentemente triviais, em vez de nos concentrarmos em Deus e ignoramos sua santidade e nos desculpamos de nossos mais espalhafatosos pecados? Ouvindo vários sermões contemporâneos, poderíamos pensar que o objetivo principal do homem é glorificar-se e perambular por shopping centers.
    Tozer escreveu: "O que vem à nossa mente quando pensamos acerca de Deus é a coisa mais importante a nosso respeito." Verdade. Mas se a verdade completa for dita, muitos de nós raramente pensamos a respeito de Deus.

    Tratando desta deplorável carência na Declaração de Cambridge a Alliance of Confessing Evangelicals observou como sendo sua razão principal que as igrejas evangélicas perderam os só a Escritura, só Cristo, só a graça e só a fé. Isto é, não é somente o caso de que compreensão das quatro primeiras solas levam naturalmente a soli Deo gloria, como eu disse anteriormente; é o caso também de que a perda do interesse pela glória de Deus mina e eventualmente expulsa as outras solas. A Declaração de Cambridge reconhece isto quando diz:
    Todas as vezes em que a autoridade bíblica é perdida na igreja, Cristo é despojado de seu lugar, o evangelho é distorcido, ou a fé pervertida, a razão é uma só: nossos interesses substituíram os de Deus e estamos fazendo seu trabalho à nossa maneira. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É esta perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em marketing, a confiança em técnica, ser bom em sentir-se bem a respeito de si mesmo e fidelidade em ser um sucesso. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia acabam significando muito pouco para nós e permanecem muito inconseqüentemente sobre nós.

    J. Montgomery Boice