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    Um Grão de Mostarda - R. Sibbes (1577-1635)



    Há várias épocas nos cristãos, alguns bebês, alguns jovens. A fé pode ser  “um grão de mostarda” (Mt 17.20). Nada tão pequeno quanto a graça no início, e nada mais glorioso que ela depois. As coisas da maior perfeição são as que mais demoram em seu crescimento. O homem, a criatura mais perfeita, vem à perfeição de pouco em pouco; coisas sem valor, como cogumelos e quejandos, semelhantemente à aboboreira de Jonas, logo brotam, e logo desvanecem. Uma nova criatura é a mais excelente criatura de todo o mundo, portanto, cresce em degraus. Vemos na natureza que um poderoso carvalho surge de uma bolota. Dá-se com o cristão o que se deu com Cristo, que brotou da raiz de terra seca de Jessé, da família de Davi (Is 53.2), quando ela era a mais humilde, mas cresceu mais alta que os céus. Não se dá com as árvores da justiça como com as do paraíso, que, desde o início, foram criadas todas perfeitas. As sementes de todas as criaturas na atraente forma atual do mundo estavam ocultas no caos, naquela confusa massa inicial, da qual Deus ordenou que todas as criaturas surgissem. Nas sementinhas das plantas estão escondidos tanto o tronco quanto os ramos, tanto a flor quanto o fruto. Em uns poucos princípios jazem ocultos todas as consoladoras conclusões da verdade santa. Todos esses gloriosos fogos de zelo e santidade nos santos tiveram seus começos de umas poucas faíscas.

    Não nos desencorajemos, portanto, nos pequenos inícios da graça, mas vejamos a nós mesmos como eleitos para ser “santos e irrepreensíveis” (Ef 1.4). Consideremos nosso começo imperfeito somente para forçar a posterior luta à perfeição, e nos manter numa baixa opinião de nós mesmos. De outro modo, em caso de desencorajamento, devemos nos considerar como Cristo o faz, que nos reputa como aqueles que ele intenciona adequar a si mesmo. Cristo nos avalia pelo que seremos, e por aquilo pelo qual somos eleitos. Ele chama a uma plantinha árvore, porque está ela crescendo para assim ser. “Quem despreza o dia das coisas pequenas?” (Zc 4.10). Cristo não quer que desprezemos as coisas pequenas.

    Os anjos gloriosos não desdenham atender aos pequeninos - pequeninos aos seus próprios olhos, e pequenos aos olhos do mundo. A graça, ainda que pequena em quantidade, todavia, é muita em vigor e valor. É Cristo quem aumenta o valor dos lugares e pessoas pequenos e desprezíveis. Belém era a menor (Mq 5.2; Mt 2.6) e, todavia, não o era; a menor em si mesma, não a menor, já que Cristo ali nasceu. Ao segundo templo (Ag 2.9) faltava a magnificência externa do primeiro; todavia, foi mais glorioso do que o anterior, porque Cristo lá adentrou. O Senhor do templo entrou no seu próprio templo. A pupila do olho é mui pequena, todavia vê, de uma só feita, uma grande parte do céu. Uma pérola, embora pequena, todavia é mui estimada. Nada no mundo é de tão bom uso quanto o menor grão da graça.