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    Pecado ou Doença? - John MacArthur



    Talvez a justificativa mais comum para escaparmos do sentimento de culpa seja a de classificar cada falha humana como uma espécie de doença. Alcoólatras e viciados em drogas recebem tratamentos clínicos por causa de sua "dependência química". Crianças que geralmente afrontam as autoridades podem livrar-se da reprovação sendo rotuladas de "hiperativas", ou por sofrerem de um desvio de atenção. Os glutões nunca são considerados culpados, pois sofrem de "desequilíbrio alimentar". Até mesmo um homem que abandona a vida em família e gasta seu dinheiro com prostitutas deveria ser olhado com compaixão, pois é um "viciado em sexo".

    Um agente do FBI foi demitido após desviar dois mil dólares e gastá-los no cassino numa única tarde. Algum tempo depois, ele processou o FBI sob a alegação de que seu vício deveria ser entendido como uma incapacidade. Sendo assim, a demissão foi uma discriminação, um ato ilegal. Ganhou a causa! Além disso, seu seguro saúde teve que pagar sua terapia pelo fato de ser um viciado. É como se sofresse de uma apendicite ou unha encravada.

    Atualmente, qualquer tipo de delito que o ser humano comete pode provavelmente ser explicado como uma enfermidade. O que antigamente denominávamos pecado é mais facilmente diagnosticado como um conjunto de incapacidades. Todo tipo de imoralidade e de conduta maldosa são agora identificados como sintomas desta ou daquela doença psicológica. O comportamento do criminoso, todo tipo de paixão imprópria e qualquer vício imaginável são passíveis de desculpas se receberem o rótulo de desequilíbrio emocional. Até mesmo os problemas mais corriqueiros como a depressão, a fraqueza emocional e a ansiedade também são universalmente definidos — quase que no mesmo nível—como desequilíbrios emocionais que neces¬sitam de cuidados médicos, e não classificados como doenças espirituais. A Associação Americana de Psiquiatras publicou um livro para ajudar os terapeutas no diagnóstico dessas novas doenças. The Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders [O manual de diagnóstico e estatística de distúrbios mentais] ( 3a edição, revista) — ou DSM-III-R, como popularmente entitulado — lista os seguintes "distúrbios":

    •        Distúrbio de Conduta — "um padrão de conduta persistente no qual os direitos básicos dos outros e as normas ou regras da sociedade concernentes às faixas etárias são violados".
    •        Distúrbio Oposicional Desafiante — "um padrão de comportamento negativista, hostil e desafiante".
    •        Distúrbio Hislriônico de Personalidade — "um padrão difuso de emocionalidade excessiva e busca de atenção".
    •        Distúrbio Anti-Social de Personalidade — "um padrão de comportamento irresponsável e anti-social, que começa na infância ou no início da adolescência e continua na idade adulta".

    E há muitos outros distúrbios semelhantes. Muitos pais, influenciados por tais diagnósticos, recusam-se a punir seus filhos pelo mau comportamento. Em vez disso procuram terapia para DOD, ou DHP, ou para qualquer novo diagnóstico que se encaixe no comportamento rebelde da criança.

    Segundo um escritor, a abordagem em termos de doença do comportamento humano nos oprimiu tanto, como sociedade, que nos deixou malucos. Queremos fazer leis que inocentem jogadores compulsivos quando estes desviam dinheiro, e que forcem as companhias de seguros a pagarem pelo tratamento deles. Queremos tratar pessoas que não conseguem encontrar o amor, e que em lugar disso (se mulheres) vão atrás de homens superficiais e apáticos, ou (se homens) vivem infindáveis casos sexuais, sem encontrarem a verdadeira felicidade. E queremos chamar todas essas coisas — e muitas, muitas outras — de vícios.

    O que esta nova indústria do vício deseja alcançar? Mais e mais vícios estão sendo descobertos, e novos viciados identificados, até que todos nós estejamos aprisionados em nossos pequenos mundos com outros viciados como nós, catalogados pelos interesses especiais da nossa neurose. Que mundo repugnante e desesperançoso de se imaginar! Enquanto isso, todos os vícios que definirmos aumentarão. '

    Pior do que isso é que o rápido aumento do número de pessoas que sofrem desses tais novos "desequilíbrios" aumenta de modo mais rápido ainda. A indústria da terapia claramente não está solucionando o problema que as Escrituras chamam de pecado. Em vez disso, simplesmente conven¬cem as multidões de que estão desesperadamente desequilibradas, e portanto, não têm nenhuma responsabilidade pelo seu mau comportamento. Isso lhes dá permissão para entenderem que são pacientes e não malfeitores. Isso também as encoraja a se submeterem a um tratamento intenso — e caro — que dura anos a fio, ou melhor, a vida toda. Parece que esses novos desequilíbrios são enfermidades que ninguém espera superar completamente.

    O pecado tratado como doença provocou um crescimento enorme da multibilionária indústria do aconselhamento e o recurso da terapia de longo prazo, ou até mesmo permanente, promete um brilhante futuro econômico aos profissionais da área. Um psicólogo analisou essa tendência e sugeriu que existe uma estratégia definida na maneira de o terapeuta comercializar seus serviços:

    1.      Continuar a psicologização da vida;
    2.      Das dificuldades fazer problemas e espalhar o alarme;
    3.      Tornar aceitável o fato de ter problemas e ser incapaz de resolvê-los sozinhos;
    4.      Oferecer salvação [psicológica, não espiritual].

    Ele observa que muitos terapeutas propositadamente estendem o tratamento por anos, até mesmo depois que o problema que provocou a procura do profissional tiver sido resolvido ou esquecido. "Eles demoram tanto na terapia que o paciente torna-se muito dependente do terapeuta; e um período especial de tempo — às vezes seis meses ou mais — se torna necessário para que o paciente fique pronto para deixar terapia, Recuperação," a senha dos programas que seguem o padrão dos Alcoólicos Anônimos, é claramente definida como um programa para a vida toda. Crescemos acostumados com a imagem de uma pessoa que já é sóbria há quarenta anos, mas que, ao se levantar numa reunião do AA, diz: "Meu nome é Bill e sou um alcoólico". Agora, todos os viciados estão usando a mesma abordagem — incluindo viciados em sexo, em jogo, em fumo, pessoas que cedem facilmente à raiva, em espancamento de mulheres, em violentar crianças, em dívidas, em auto-abuso, em inveja, em comida ou em qualquer coisa que seja. Pessoas que sofrem de tais males são ensinadas a falarem de si mesmas como em "recuperação", nunca como "recuperadas". Aqueles que ousam pensar sobre si mesmos como já estando livres de seus desequilíbrios ouvem que estão negando seu problema.