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    O Velho Testamento e Cristo - John Owen (1616-1683)



    Sabemos que o Velho Testamento é sobre o Senhor Jesus Cristo. Vamos considerar alguma das maneiras pelas quais a glória de Cristo foi predita.

    Primeiro, uma formosa ordem de adoração foi dada pro Deus a Moisés e, Através dele, ao povo de Israel. Havia o tabernáculo ( e mais tarde o Templo ) -, com o lugar santo, a arca, o propiciatório, o sumo sacerdote, os sacrifícios e o aspergimento de sangue. Mas estes eram apenas uma sombra que se antecipava a Cristo – o único sacrifício pelo pecado em Seu contínua atividade como o nosso grande sumo sacerdote. O Espírito de Cristo também estava nos profetas que pregaram “...anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir” (1Pe 1.11).

    Assim como há aquela adoração externa que testifica da glória de Cristo, há também a interna comunhão de Cristo com Sua Igreja em amor a graça ilustradas em Cantares de Salomão. Este livro é geralmente negligenciado e mal entendido. Alguns dias, ou mesmo algumas horas, gastos no gozo da amorosa comunhão com Cristo, tão maravilhosamente descrita em suas páginas, seriam uma benção muito maior que todos os tesouros da terra. Se nós, favorecidos como somos com a plena revelação de Cristo no Novo Testamento, entendemos menos da Sua glória do que os crentes do Velho Testamento, deveríamos ser julgados imerecedores de haver recebido o Novo Testamento!

    Antes de Cristo haver nascido em Belém, algumas vezes Ele apareceu em forma de homem. O Velho Testamento se refere a Ele como estando zangado, ou bem satisfeito, falando como um homem, e assim aponta para o futuro antevendo o tempo em que Ele Se tornaria o homem Jesus Cristo.

    Quando a lei foi dada no Monte Sinai, era cheia de terror porque ninguém podia cumprir os seus santos desígnios (Ex 19). Mas quando Cristo veio à terra e a cumpriu, Ele obteve, em conseqüência disso, perdão e retidão para o Seu povo. Isaías viu a glória de Deus e ficou cheio de terror até que o seu pecado lhe foi tirado por meio de uma brasa do altar. Aquilo foi uma ilustração do pode de purificação do sacrifício de Cristo (Is 6.5-7; Jo 12.41). Isaías também profetizou sobre a glória de Cristo vindo ao mundo em forma de uma criança: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do incremento deste principado e da paz não haverá fim...” (Is 9.6-7).

    Apesar dos profetas haverem predito a glória do Cristo que estava para vir, eles não entenderam completamente aquilo que disseram. Agora, porém, quando cada palavra de sua revelação é-nos tornada clara no evangelho, nada a não ser um orgulho demoníaco nos corações humanos, pode mantê-los cegos à verdade da glória de Cristo que é vista no Velho Testamento.

    As promessas e profecias sobre a pessoa de Cristo, Sua vinda, o Seu reino e Sua glória, são como um fio de vida atravessando todo o Velho Testamento. Cristo explicou todas estas coisas aos Seus discípulos, por meio dos escritos de Moisés e de todos os profetas, como também a sabedoria, graça e amor de Deus á Igreja por intermédio dEle (Lc 24.27; 44-46). Não nos beneficiaremos de ler o Velho Testamento, a não ser que estejamos procurando e meditando na glória de Cristo em suas páginas.
    Por último, Deus graciosamente nos ajuda em nosso entendimento ao dar vários nomes ao Senhor Jesus no Velho Testamento, os quais revelam de diversas maneiras a Sua excelência. Entre outros, Ele é chamado de rosa e lírio, dada a doçura do Seu amor e pela beleza de Seus graça e obediência. Ele é chamado de pérola, por causa do Seu valor, de vinha, por causa dos Seus frutos, de Leão, pelo Seu poder, e de cordeiro, devido ser apropriado para o sacrifício. Menciono estas coisas, não como idéia de estudá-las aqui em detalhes, mas apenas para estimular reflexão sobre tais expressões e seus significados côo revelando algo do glorioso caráter de Cristo.