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    O "Jesus" dos SuperApóstolos - W. Lutzer


    Ficamos perplexos com as semelhanças entre os falsos pro­fetas nas Escrituras e os falsos profetas de hoje. A Igreja do século I estava embebida de diversos mestres que enganavam os irmãos; eram pessoas que afirmavam ter revelações especi­ais de Deus. Paulo os descreve como "superapóstolos", por se acharem superiores e mais excelentes que o próprio apóstolo Paulo (2 Co II5, NVI)- Eles ganharam aceitação servindo-se de cartas de recomendação e afirmando levar os coríntios a um relacionamento mais pleno com Deus. Não disputavam a necessidade de ter fé em Cristo; diziam que se o indivíduo se tornasse judeu, receberia tudo que Deus tem para ele.
    Esses apóstolos se mostravam mais sábios que Paulo, por­que apelavam às necessidades das pessoas de forma que Paulo não o fazia. Tinham a chave de uma espiritualidade mais pro­funda, apresentando uma mensagem mais completa* Paulo, segundo eles, possuía somente parte da verdade, ao passo que eles tinham tudo. Eram também oradores que expunham suas idéias com convicção e estilo. Tinham conhecimentos secretos, insights especiais e novas revelações. O evangelho de Paulo parecia fraco em comparação ao deles; na verdade, a presença dele era quase um embaraço para eles. Falavam do apóstolo: Porque as suas cartas, dizem, são graves e fortes, mas a presença do corpo é fraca, e a palavra, desprezível" (2 Co 10.10). Hoje, há muitos profetas e falsos mestres na televisão, e é nossa responsabilidade distinguir o falso do verdadeiro, ou pelo menos o falso do meio-verdadeiro. Não somos infalíveis e, em alguns casos, teremos simplesmente de admitir que não temos informação o suficiente para fazer um julgamento. Contudo, em virtude do fato de Jesus ter nos advertido sobre a proliferação de falsos mestres e porque alguns estão notoriamente cm desacordo com o ensino bíblico, temos de perguntar: Por quais critérios eles devem ser julgados?
    Suponha que estejamos assistindo a um evangelista ou ope­rador de milagres pela televisão. Quais critérios usaremos para determinar se este indivíduo é autêntico, um líder espiritual a ser seguido e apoiado? Permita-me encorajá-lo a abrir a Bíblia em 2 Coríntios II, com o objetivo de que me acompanhe na consideração que faremos sobre a descrição que Paulo faz dos falsos mestres de seus dias. Este exame nos servirá de guia para discernir o verdadeiro mestre do falso; ou, poderíamos dizer, discernir a verdade das meias-verdades que ouvimos com freqüência. Estas são algumas das características:
    Os Falsos Profetas Têm um Jesus Próprio

    Paulo escreve: "Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espí­rito que não recebestes" (2 Co 11»4) Quem era este Jesus a quem os "superapóstolos" pregavam? Eles criam que Jesus morreu na cruz, mas que sua obra não era o bastante; o indi­víduo tinha de se tornar judeu e acrescentar as obras da lei ao que Jesus fizera» E, se ele se tornasse judeu, o cristianismo realmente daria certo; só assim o indivíduo poderia compre­ender as mais profundas revelações de Deus.
    Eles não negavam o que Paulo ensinava; apenas queriam fazer um acréscimo a mensagem. Scott Hafeman, que estu­dou 2 Coríntios em detalhes, afirma que os mestres ensina­vam que, considerando que Jesus sofreu, não temos de so­frer" Em vez de ver Jesus como modelo de sofrimento, eles acreditavam que Cristo sofreu em nosso lugar e, assim, nos isentou de toda angústia» Redenção significava entrar na ple­nitude das bênçãos terrenas que Jesus comprou para nós na cruz. Os falsos mestres ensinavam que as bênçãos do céu podiam ser nossas hoje.
    Se desejamos desfrutar de vida e prosperidade, precisamos de duas coisas» Primeiramente, de saúde, visto que é impossível viver, padecendo de enfermidades físicas o tempo todo. Em segundo lugar, precisamos de riqueza, de forma que nossas necessidades e desejos sejam satisfeitos sem interrupção. O Jesus dos falsos profetas sofreu não tanto para nos resgatar de nossos pecados, mas para nos comprar as bênçãos do céu agora. Se o indivíduo desse somente mais um passo e se tornas se judeu, as completas bênçãos do Espírito seriam experimen­tadas. Paulo diz, ao contrário, que todo ensinamento que adi­ciona algo a cruz é a pregação de "outro Jesus".
    No Aeroporto 0'Hare, de Chicago, deparei com uma mulher que lia A Oração de Jabez, e lhe perguntei quais eram  suas crenças religiosas. Ela disse que era mórmon e estava lendo o livro porque tinha aberto um novo negócio e queria que Deus o abençoasse. Quando lhe falei que tinha de con­fiar em Jesus, ela respondeu: "Jesus... todos nós servimos a Jesus, e há somente um Jesus, não é mesmo?"
    Não, expliquei, há muitos Jesus pelo mundo. O Movimento Nova Era crê no Jesus Cósmico que habita em todas as pessoas. Há o Jesus "Papai Noel" de alguns pregadores, que dá bênçãos a todos sem discriminação, independente da religião ou estilo de vida que a pessoa tenha. O grande filantropo Albert Schweitzer escreveu um livro, e neste afirmou que Jesus era ilusório. Com certeza se tratava de "outro Jesus". O falso Jesus dos dias de Paulo não estava pelas esquinas, nem era a criação de algum culto estranho. Era um Jesus que era proclamado, que era evidentemente pregado na igreja. Este Jesus era tão parecido com o verdadeiro Jesus, que Paulo temia que as pessoas não soubessem dizer a diferença.
    Muitos proclamam um Jesus que lhes dará presentes e bênçãos; é o Jesus da prosperidade, o Jesus que cura, o Jesus que ama todos da mesma maneira e que nunca enviará nin­guém para o inferno. O que eles não enfatizam é o Jesus que morreu na cruz para nos reconciliar com Deus; aquEle que voltará para julgar todos os que não obedecem ao evangelho.
    Esses falsos profetas falam incessantemente sobre Jesus. Oram em nome de Jesus; fazem milagres em nome de Jesus. Pregam um Jesus que dá benefícios sem que a pessoa tenha de se arrepender; um Jesus que abençoa todos, pouco importan­do em que creiam. Pregam um Jesus que não exige que sofra­mos; todavia um Jesus que está ''a postos em nosso favor", pronto para dar as bênçãos que negarão qualquer sofrimento que apareça em nosso caminho. Este Jesus lhe dará dinheiro; resolverá seus problemas e fará praticamente todo milagre que você pedir. Eis um Jesus sensual; um Jesus de entretenimento.
    O que torna tais profetas tão insidiosos, diz Paulo, é que eles têm "um espírito diferente"; quer dizer, são controlados por um espírito de natureza estranha. Em alguns casos, um demônio se oculta por trás do ensino, porque eles usam carisma a fim de parecer que exaltam a Jesus, porém seus ensinos são enganosos. Temos de manter em mente que o Jesus que desejamos não é necessariamente o Jesus de que precisamos.
    K. Neil Foster conta a história de uma mulher que buscava ajuda, porque fora possuída por um espírito que se identifica­va por Jesus. Este "Jesus" a jogava no chão e se vangloriava de manter controle sobre certa congregação em outra cidade. Este espírito odiava o Senhor Jesus Cristo, e foi expulso por esse nome — o Senhor Jesus Cristo. Obviamente, há espíritos que tomam o nome de Jesus para confundir e enganar.
    Como detectar este "outro Jesus"? Quando você assistir e ouvir um pastor, evangelista ou profeta, pergunte; A pregação da cruz é central para este ministério? Há ênfase na ne­cessidade de arrependimento, santidade e submissão a Deus? Ele prega um Jesus que nos convida a sofrer, com a promessa de que Ele estará conosco ao longo do sofrimento? Ou apre­senta um Jesus cuja função primária é nos dar as bênçãos do céu hoje mesmo?
    As vezes, não haverá uma resposta simples a estas pergun­tas. Há mestres que se referem ao evangelho de vez em quan­do; ou, em certos casos, pregam a mensagem da cruz e a de prosperidade terrena como se as duas pudessem coexistir. Em outros, temos de distinguir o verdadeiro do que é meio-verdadeiro e reter julgamento pessoal. Outras vezes, os evangelistas do "outro Jesus" são fáceis de serem identificados.